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Atos
terroristas contra laboratórios de pesquisa exige CPI URGENTE
Os recentes
atos terroristas e ameças que vêm sendo recebidas por
pesquisadores que trabalham com transgênicos exige uma tomada
de posição URGENTE de nossos parlamentares. A
Associação Nacional de Biossegurança-ANBio vem
recebendo várias denúncias de atos terroristas e
ameças de destruição de experimentos no Brasil
com produtos transgênicos e tal fato tem colocado em risco
não só a integridade das pesquisas como da
população em geral, além de representar enorme
prejuízo sobretudo aos investimentos públicos, já
que a maioria das pesquisas são de instituições
públicas. As ações terroristas tem levado
inclusive ao atraso e não cumprimento de prazos de teses de
pós-graduação, financiadas com dinheiro
público no país. Estamos denunciando aos parlamentares
tal situação no país que exige uma tomada
imediata de posição com a convocatória de uma
CPI onde os suspeitos denunciados sejam convocados a depor. Como se
não bastassem todos os entraves burocráticos que
vêm sendo impostos aos pesquisadores brasileiros com a
edição a cada dia de regras distintas, agora temos
essas ações de intimidação para que as
pesquisas sejam paralizadas definitivamente no país.
Retornamos à Era do obscurantismo científico, não
demora muito e os cientistas serão queimados em fogueiras! A
comunidade científica exige uma pronta ação!
Queremos trabalhar pelo desenvolvimento do país! Não
permitam que movimentos obscurantistas tirem a chance do Brasil crescer!
Senhor
parlamentar, esperamos contar com V. apoio!
Veja abaixo as
denúncias recebidas.
Denúncias
sobre ataques terroristas a laboratórios de pesquisa
Prezados
amigos,
Acredito que
todos já estão sabendo que o incêndio do
Laboratório de Biotecnologia do Estado do Rio Grande do Sul,
localizado no Campus da UFRGS, foi um ato criminoso. Ontem um
professor do Departamento de Biologia da UFSM recebeu um telefonema
anônimo dizendo que o próximo seria o sequenciador do
laboratório. Há relação com o que
aconteceu em Porto Alegre? Acreditamos que sim. A PF também
acredita e parece que vai ser a primeira pista. Acontece que o
professor Élzio, durante uma palestra (onde eu também
fui palestrante) na UNIFRA (Santa Maria) estusiasmou-se e disse que
já tinha um drosófila transgênica, mostrando
fotos da bichinha. Quem telefonou? Alguém que estava ali
presente ou alguém que recebeu a informação do
primeiro?
Entretanto,
é preciso lembrar que isto não é uma coisa
isolada, mas o resultado de todo um processo estabelecido por uma
campanha bem elaborada contra a pesquisa nacional. O que não
faltam são exemplos de absurdos lançados pela imprensa
de todo o País e através de panfletos,
distribuídos aos milhões, principalmente pela Campanha
por um Brasil Livre dos Transgênicos, financiada pela ActionAid
do Brasil (como consta nos próprios panfletos), pelo
Greenpeace, pela WWF, Fundação Ford e outras. A
Fundação Ford inclusive admitiu (Agbioworld, lembram?)
que parte do dinheiro que enviava para algumas ONGs poderiam estar
indo para atos terroristas...
Eu teria
dezenas de exemplos:
Ordens vindas
do "poder central" para os "companheiros" de
Júlio de Castilhos dizendo que "devem ir de casa em casa
afirmando que os transgênicos fazem mal à saúde.
Não importa que não seja verdade, pois tudo é
válido para combater os transgênicos". Se tenho
testemunhas? Sim. Várias.
O panfleto que
foi distribuido nas escolas para que as crianças fizessem
redação, sob o título "Transgênicas:
as sementes da morte". Este panfleto contém um monte de
mentiras e absurdos. Por incrível que pareça, uma das
instituições que assina esse panfleto é o
CPERGS.
O folheto que
é distribuido pelo IDEC também contém um monte
de absurdos, facilmente desmontáveis.
Não vou
ficar aqui relatando o que todos conhecem.
Todos
nós sabemos também que toda esta campanha
anti-tecnógica é financiada de fora. Diversos sabem
também que muitos diretores de certas ONGs ambientalistas
ganham salários de "marajás" para tocarem a
Campanha. Poucos sabem que tais salários ultrapassam 25 mil
reais e que para dar uma palestra contra a biotecnologia os
palestrantes ganham acima de um mil reais líquidos, por
palestra, dependendo do prestígio do mesmo. O quanto é
pago para fornecer laudos e pareceres falsos, que são
imediatamente colocados na mídia, como manchetes, não
consegui descobrir.
Pessoal,
são muitos os exemplos com provas que podem certamente dar
numa CPI.
Pois bem, sem
alongar-me mais, a proposta é a seguinte:
Já
contatei com o deputado federal Darcísio Perondi e com o
deputado estadual Jerônimo Goergen (que estão mais
diretamente ligados ao assunto), tentando demonstrar que é
possível organizar uma CPI sobre esta questão e que com
certeza vão sair cobras e lagartos. Pelo que consegui
entender, eles acham também possível, mas necessitam de
apoio, através de mensagens ou qualquer outro tipo de
manifestação da comunidade científica. Por
exemplo, os artigos que vou colocar abaixo já fazem parte do
material que os deputados dispõem. Ou seja, eles querem que o
pessoal "bote a boca no apito".
Sei que muitos
já dispõem destes artigos abaixo. Eu os coloco para que
possam passar para outros.
Por favor,
espalhemos estes artigos, com solicitação de que enviem
mensagens, pedindo uma CPI, para:
jeronimo.goergen@al.rs.gov.br;
dep.darcisioperondi@camara.gov.br
Seria
interessante que enviassem com cópia para outros deputados de
suas preferências
Abaixo,
Mairesse
Respeito
à pesquisa
LAURO
JOSÉ JANTSCH/ Professor e doutor em Biociências
A queima
criminosa de um laboratório de pesquisas da universidade
federal traz à atualidade algo já previsto: a volta ao
obscurantismo da Inquisição. O professor Salzano,
sabiamente, indica dois grupos de anticiência: aqueles com
motivações religiosas e aqueles com
motivações ambientalistas.
Com uma
vivência de 26 anos de vida universitária e mais de 40
anos de magistério, pude observar outro grupo de
anticiência e que chamo de pseudo-intelectuais: aqueles que
sobrepõem a ideologia à verdade. Pseudo-intelectuais,
pois o verdadeiro intelectual segue a luz da verdade. É a sua
única motivação.
Essa
mentalidade, como na idade do obscurantismo, tem sido uma das
razões do atraso de nosso país. Basta analisar o
episódio dos transgênicos. Para qualquer pessoa
razoável, é um problema técnico e, como tal, a
ciência o resolve. Em nosso país, não: os
órgãos técnicos, de pesquisa, são
consultados, mas não decidem. O que decide são bravatas
político-ideológicas.
Temos um
exemplo notável do atraso provocado pela promiscuidade entre
ciência e ideologia: a antiga União Soviética.
Até hoje estão tentando se recuperar do atraso na
agricultura provocado pela proibição de pesquisas
genéticas.
Um país
que deseja progredir não apenas deve estimular as pesquisas,
mas deve dar completa liberdade para se realizá-las. Somente a
pesquisa gera novas tecnologias, novos empregos, novas riquezas. O
cerceamento da pesquisa é sinônimo de pobreza e
escravidão. Sim, porque se não dominarmos a tecnologia,
temos que comprá-la e eles fazem o preço e escolhem o
que liberar para o pedinte. Perguntem aos técnicos quanto o
Brasil gasta em tecnologia importada.
Um lembrete
àqueles que combatem a ciência por
motivações religiosas: quanto mais perto estivermos da
verdade mais próximos estaremos daquele que disse: "Eu
sou o Caminho, a Verdade e a Vida". A ignorância não
é um valor e Deus é a síntese de todos os
valores.
Uma pergunta
final: onde estão nossas entidades de pesquisa? Onde
estão os conselhos regionais e federais? Onde estão
nossas universidades que deveriam defender "o ensino, a pesquisa
e a extensão"? Estariam estas entidades escondidas sob a
tradicional omissão? Ou, talvez, estariam ocultas sob o
obscuro manto da ideologia?
Mais
lamentável do que o preço dos aparelhos é a
perda ou falta de liberdade de pesquisa. A liberdade de pesquisa
não tem preço.
Fogo
terrorista contra a ciência
HOMERO
DEWES/ Pesquisador do Centro de Biotecnologia da UFRGS
Usando os
recursos da ciência, a Polícia Federal demonstrou que
foi um ato humano planejado, criminoso, o incêndio que destruiu
parte do Centro de Biotecnologia da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS) na madrugada do dia 8 de novembro passado. Ao
lado de outros, igualmente destruídos, no foco das chamas
funcionava um moderno laboratório de biologia molecular,
dedicado a pesquisas de vanguarda com plantas modificadas
geneticamente, financiadas por uma parceria de fundos públicos
e empresariais brasileiros.
Com esta
ação, o terror desalojou centenas de estudantes em
formação científica avançada, interrompeu
aulas, estudos e experimentos, destruiu equipamentos no valor de
milhões, abalou a estrutura do prédio, empestou todas
as suas salas e ambientes e desviou o esforço dos
pesquisadores dos seus trabalhos de pesquisa e educação
para a tarefa árdua de resgate e reconstrução.
Continuaram inabalados, entretanto, a determinação e o
ânimo daqueles que dedicam a sua vida à
educação e à ciência. Poucas horas depois
do sinistro, os estudantes, os professores e os técnicos do
Centro de Biotecnologia se concentravam em retomar seus experimentos,
removendo a fuligem dos equipamentos evacuados e realizando ensaios
no improviso de instalações provisórias. Mesmo
assim, muito tempo se passará antes que o Centro de
Biotecnologia possa retomar sua normalidade integralmente.
Esta
terá sido a segunda vez que, no Estado do Rio Grande do Sul,
ativistas obscurantistas recorreram à violência do fogo
para destruir experimentos científicos com plantas
transgênicas. A primeira vez poderá ter sido em 22 de
abril de 1999, quando, sob as ordens e olhares de uma autoridade
pública de botas, um campo experimental do Instituto
Rio-Grandense do Arroz (Irga) foi reduzido a cinzas. Embora o fogo
ateado à UFRGS tenha destruído, aparentemente, muito
mais recursos científicos de propriedade pública do que
no Irga, ambos afetaram na mesma dimensão as pessoas e as
instituições vitimadas, e atentaram igualmente contra a
humanidade. Os dois atos revelaram que, no caso da pesquisa e da
produção de plantas transgênicas, agentes do
Estado e terroristas têm compartilhado a mesma
intolerância e se têm expressado com os mesmos
métodos, no seu esforço fanático de impedir que
a sociedade brasileira compartilhe os benefícios da
biotecnologia, a exemplo de outras nações, como
Índia, China, Cuba, Argentina, México e tantas outras.
Assim como a
Polícia Federal recorre à ciência para proteger a
sociedade contra o crime e o terror, a sociedade precisa do
conhecimento científico, não só para
provê-la com avanços importantes para o seu bem-estar,
como também para ajudá-la a se proteger contra o
arbítrio e despotismo dos agentes do Estado. A resposta que a
sociedade democrática brasileira deve dar ao ato terrorista
cometido no Centro de Biotecnologia da UFRGS deve ser a mesma que a
sua comunidade de estudantes, professores e servidores imediatamente
deu: prosseguir altiva e determinada na busca do conhecimento
científico e do domínio tecnológico que a
liberte do obscurantismo e da subjugação.
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