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A Clonagem
para terapia.
A clonagem
terapêutica deixou de ser um sonho. Não se deve
restringir a pesquisa de células-tronco no país. Isto
pode significar desvantagens no domínio científico e
tecnológico que hoje é sinônimo de poder Eloi S.
Garcia é pesquisador e ex-presidente da Fundação
Oswaldo Cruz.
Artigo enviado
pelo autor:
Diariamente
estamos vendo na mídia noticias e argumentos utilizados para
tornar a clonagem humana para obtenção de
células-tronco ilegal.
Geralmente,
são reflexões que mexem mais com o imaginário e
emocional das pessoas do que com sua lógica e racional.
Ouvimos que a
clonagem pode ameaçar a dignidade do clone, ou que os
cientistas estão brincando de Deus e tentando criar um futuro
desumanizado, gerando castas como em uma colméia, em que o
genoma de inúmeros indivíduos será único
e padronizado. Estes argumentos nos deixam a impressão que a
clonagem terapêutica humana será condenada por todos ou
considerada um crime contra a humanidade.
Sabemos que
inúmeros avanços científicos relevantes, que
hoje são vistos com a maior naturalidade, foram condenados
pelos valores morais e religiosos, enraizados em nossa sociedade.
Como bons
exemplos temos o caso de Galileu, da anestesia, das vacinas, dos
transplantes de órgãos, da fertilização
in vitro (FIV) e mais recentemente dos animais e plantas
transgênicos, entre outros. A anestesia, as vacinas, os
transplantes e a FIV são técnicas utilizadas
normalmente no mundo de hoje.
O que podemos
concluir desses fatos é que o ser humano possui
reações imediatas que são emocionais e morais e
não induzidos pela lógica e bom senso ou com uma
visão do futuro. Quantas pessoas morreriam ou sofreriam hoje
sem vacinas e anestesias?
Acaba de ser
divulgado pela impressa mundial que cientistas Sul Coreanos deram um
enorme salto em direção à clonagem de
embrião humano para obtenção de
células-tronco - células que podem substituir tecidos
de indivíduos que estão doentes ou com algum tecido lesado.
Os cientistas
utilizaram 242 óvulos humanos para realizarem a clonagem.
Destes 20
embriões foram gerados e usados para extração
das células-tronco.
Conseguiram
produzir somente uma linhagem de células cultivadas.
Por esta
técnica será possível no futuro, um
coração com uma parte de tecido necrosado ter este
tecido substituído por um novo músculo cardíaco,
célula beta das ilhotas pancreáticas não
funcionais serem substituídas por células normas
produtoras de insulina ou células nervosas ativas serem usadas
para tratamento da doença de Parkinson.
Mas ainda
há um longo caminho pela frente para chegar ao processo
terapêutico. Os cientistas produziram até agora somente
células-tronco, as quais devem ser transformadas em
células específicas de tecido cardíaco,
pancreático ou nervoso, por exemplo.
No entanto,
está descoberta é um avanço. A clonagem
terapêutica deixou de ser um sonho. Não se deve
restringir a pesquisa de células-tronco no país.
Isto pode
significar desvantagens no domínio científico e
tecnológico que hoje é sinônimo de poder.
A idéia
da clonagem terapêutica é criar tecidos que são
geneticamente semelhantes aos dos pacientes para não serem
rejeitadas Os cientistas Coreanos desenvolveram embriões que
eram cópias genéticas das mulheres que doaram seus óvulos.
Para
torná-las úteis à terapia terão que ser
transformadas em células tecido-específicas para serem
inoculadas nos pacientes. Para evitar complicações
colaterais, formação de teratomas, a
população de células transformadas deve estar
sem contaminação de outras células.
Alguns fazem
objeções éticas no trabalho com
células-tronco porque envolve destruição de
embriões. Outros acreditam que é mais prático
utilizar células-tronco de indivíduos adultos.
Estas
não são eticamente e moralmente questionáveis.
Entretanto, outros dizem que células adultas não se
desenvolvem com facilidade fora do organismo e não são
tão versáteis, como acontece com as células embrionárias.
Homens e
mulheres têm seus limites sociais. No caso da clonagem humana
terapêutica, nós temos três alternativas de
engajamento. Na primeira, podemos lutar contra o desenvolvimento
científico e somar nossas forças às
conservadoras que procuram deturpar toda nova tecnologia que
poderá mudar o futuro do planeta.
Na segunda,
podemos ainda ficar sentados e passivamente ver o panorama do futuro
que está vindo.
Alternativamente,
podemos ativamente participar da criação de um futuro
melhor onde o ser humano usará os avanços
tecnológicos para evitar ou tratar de doenças e o
envelhecimento, aumentar a capacidade de viverem e melhorar a
qualidade de vida no planeta.
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