As safras GM podem melhorar a sustentabilidade dos sistemas de produção agrícola?:
O caso Argentino ou o que o Brasil perdeu

R.H. Phipps e J.R. ParkSchool of Agriculture, Policy and Development, The University of Reading, Reading RG6 6AR, UK.

Endereço de e-mail do principal autor: r.h.phipps@reading.ac.uk

Contexto

A população mundial está crescendo rapidamente, a área de terras disponíveis para agricultura está estática ou em declínio, o resultado de melhorias do rendimento da safra pela produção convencional está diminuíndo e há preocupações quanto ao impacto ambiental da agricultura. Há uma necessidade por novas tecnologias para produzir mais alimento e melhorar a qualidade nutricional através de aumento na produção e redução de perdas de uma forma segura para ambos humanos e meio ambiente. Em oposição a este contexto a área global de safras GM aumentou de 2 milhões de ha em 1996 para 59 milhões de ha em 2002 com aumento de mercados nos países em desenvolvimento. Publicações recentes (Phipps e Park, 2002; Gianessi et al., 2002) estabeleceram que as safras GM podem oferecer significantes benefícios ambientais. Este artigo explora o provável impacto que o crescimento da soja GM teve no uso de pesticidas, consumo de diesel, emissões de dióxido de carbono (CO2) e conservação do solo na Argentina.

Resultados

Na Argentina 45 milhões de soja GM glifosfato-tolerante foram cultivadas entre 1997-2002. Dados da FAO mostram produções similares (2.6 t/ha) para safras cultivadas nos EUA e Argentina. Enquanto é reconhecível que as condições de plantio irão variar entre os dois países supõem-se aqui que sistemas similares e níveis de manejo especializados existam em ambos, permitindo a extrapolação de dados da América do Norte para o caso Argentino.

Uso reduzido de pesticidas. Gianessi et al., (2002) estimou que safras de soja GM reduziram o uso de herbicida em 0.487 kg a.i/ha. Conseqüentemente, na Argentina, entre 1997 e 2002, isso equivale a uma queda no uso de herbicidas de 21.9 milhões de kg a.i., a um preço de US$22/kg teria reduzido os custos de cultivo em US$ 482 milhões. A economia de futuros custos e benefícios ecológicos resultariam da eliminação da necessidade de produzir herbicidas e embalagens associadas a estes e seu subsequente armazenamento e distribuição dentro da agroindústria.

Reduçaõ de freqüencia de pulverização e cultivo mecânico. Estimativas indicam que a soja GM reduz operações no campo associadas à pulverização em 0.4/ha (Gianessi et al., 2002). Isso equivaleria a uma redução da área pulverizada na Argentina entre 1997 e 2002 de 18.0 ha. Em acréscimo, 43% das safras de soja convencional precisam de pelo menos uma cultura para eliminar as ervas daninhas, o que não é necessário com safras GM. Isso proporcionaria aos produtores de soja Argentinos futuras economias de operações no campo de 19.4 milhões ha. Assim a economia combinada para safras GM em operações no campo são estimadas em 37.4 milhões de ha, que se valoradas a US$15/ha (Gianessi et al., 2002) proporcinaram a Argentina uma economia entre 1997-2002 de US$561milhões.

Uso reduzido de diesel e reduçãode emissões de CO2. O uso reduzido de diesel associado com a redução de operações no campo de 39 milhões de ha na Argentina está calculado em uma base de 115MJ/ha com um valor de energia de diesel de 37 MJ/l. Isso equivale a redução/economia de 116 milhões de litros de diesel e um decréscimo associado de 408,000 ton em emissões de CO2.

Práticas de sistemas aráveis. A introdução de soja glifosfato-tolerante está associada a a um aumento significante em sistemas não-aráveis. Entre 1996 e 1999 a área semeada usando esta técnica na Argentina aumentou em 57% e totalizou 4.5 milhões de ha. A eliminação do uso do arado oferece muitos benefícios ambientais importantes. Estes incluem redução de desgaste do solo, fertilizantes, água e pesticidas, aumento de sequestro de carbono e redução de emissão de carbono na etapa do arado. Em acréscimo, o número de operações no campo é reduzido com uma queda associada tanto no uso do diesel como das emissões de CO2. Estimativas sugerem que a mudança de um sistema convencionál para um não-arável economizam 41 litros de diesel/ha. Com base em que entre 1997 e 2002, 25%(11.25 milhões de ha) da área de soja GM na Argentina foi convertida a sistemas não-aráveis, houve uma economia de 481 milhões de litros de diesel e uma redução de 1.69 milhões de ton em emissões de CO2.

Conclusões

Estimativas mostram que a introdução de safras de soja glifosfato-tolerantes na Argentina resultaram em reduções de mercado no uso de pesticidas e com significantes benefícios ambientais. Assim pode-se argumentar que das perspectivas examinadas aqui a introdução de soja GM melhorou a sustentabilidade dos sistemas agriculturais na Argentina.

Referências

Giannessi, L.P., Silvers C.S., Sankula, S. and Carpenter, J.E. (2002). Plant biotechnology Current and potential impact for improving pest management in U.S. agriculture: an analysis of 40 case studies. National Center for Food and Agricultural Policy, Washington. www.ncfap.org.

Phipps, R.H. and Park, J.R. 2000. Environmental benefits of genetically modified crops: Global and European perspectives on their ability to reduce pesticide use. Journal of Animal and Feed Sciences 11: 1-18.


©2001 ANBio - Associação Nacional de Biossegurança.
All rights reserved.