Efeitos de Produtividade das Culturas Geneticamente Modificadas em Países em Desenvolvimento

Matin Qaim 1,2 * e David Zilberman 2
1 Center for Development Research, University of Bonn, Walter-Flex-Strasse 3, 53113 Bonn, Germany.
2 Department of Agricultural and Resource Economics, University of California, Berkeley, CA 94720,USA.
*To whom correspondence should be addressed. E-mail: mqaim@uni-bonn.de

Testes de campo em fazendas, efetuados com o algodão Bt (Bacillus thuringiensis) em diferentes regiões da Índia mostram que a tecnologia reduz substancialmente os danos por pragas e aumenta a produtividade. Estes ganhos são muito maiores do que já foi noticiado para outros países em que produtos geneticamente modificados foram usados para reduzir e aprimorar o controle químico de pragas. Em muitos países em desenvolvimento, pequenos agricultores sofrem mais com as perdas de produtividade relacionadas a pragas, devido a restrições técnicas e econômicas. Culturas geneticamente modificadas, resistentes a pragas, podem contribuir para a maior produtividade e crescimento agrícola nestas situações, como demonstra o caso do algodão Bt na Índia.

No passado recente, o debate sobre a aptidão da moderna biotecnologia agrícola para os países em desenvolvimento tem causado polêmica (1, 2). Podem os produtos geneticamente modificados, em especial aqueles que foram desenvolvidos no mundo industrializado, resolverem os problemas agrícolas mais graves de países em desenvolvimento? Até hoje, 99% da área total no mundo contendo produtos GM contêm características de resistência a pragas a tolerância a herbicidas (3). Estudos recentes mostram que estas tecnologias são usadas principalmente para substituir pesticidas, mas seus efeitos na produtividade em geral são pequenos. Os ganhos em produtividade do algodão resistente a insetos, nos Estados Unidos e China, por exemplo, são inferiores a 10% na média (4-6). Para o milho resistente a insetos nos Estados Unidos e soja tolerante a herbicidas nos Estados Unidos e Argentina, ganhos médios na produtividade são ínfimos ou, em alguns casos, ligeiramente negativos (7-9). Os ganhos econômicos e ambientais com a economia de pesticidas e menor esforço para controle de pragas estão bem documentados em literatura (4-6, 9). Porém, alguns argumentam que o potencial de produtos GM nos países em desenvolvimento é limitado e sem um efeito substancial na produtividade, especialmente em regiões com grande crescimento de população (10).

Afirmamos que as limitadas experiências feitas até hoje com produtos GM são insuficientes para se fazer generalizações mais amplas sobre seus impactos. Usamos o exemplo do algodão Bacillus thuringiensis (Bt) na Índia para sugerir que os atuais produtos GM podem ter efeitos significativos na produtividade, com maior probabilidade de ocorrer nos países em desenvolvimento, especialmente em regiões tropicais e subtropicais.

O algodão Bt contém o gene para Cry1Ac, que oferece um grau razoavelmente alto de resistência à lagarta americana Helicoverpa armigera, a lagarta pintada Earias vitella, e a lagarta rosada Pectinophora gossypiela, pragas muito agressivas na Índia. A tecnologia foi desenvolvida pela empresa americana Monsanto e foi introduzida em diversos híbridos na Índia, em colaboração com a Maharashtra Hybrid Seed Company (Mahyco). Os primeiros testes de campo controlados com híbridos Bt na Índia foram efetuados em 1997. Nos anos subseqüentes, testes de campo foram ampliados para se coletar dados agronômicos e para a avaliação de segurança biolõgica e alimentar. Em 2002, a tecnologia do algodão Bt foi aprovada, e agricultores começaram a adotar os novos híbridos (11).

Em 2001, testes de campo foram efetuados em 395 fazendas, de sete estados na Índia. Os testes foram uma iniciativa da Mahyco, com supervisão das autoridades controladoras. Embora os locais tenham sido visitados por agrônomos em intervalos regulares, para exame de pragas e coleta de dados, os testes foram administrados pelos próprios agricultores, seguindo práticas habituais. Três campos adjacentes de 646 m2 foram plantados, o primeiro com um híbrido de algodão Bt, o segundo com o mesmo híbrido mais sem o gene Bt (contra-amostragem não Bt), e o terceiro com um híbrido diferente, mais usado em cada região específica (opção popular). Este arranjo reduz os efeitos de diferenças em condições agroecológicas e capacidade administrativa, quando comparações tecnológicas são feitas. Além dos registros regulares para os testes, informações mais abrangentes foram coletadas em 157 fazendas, envolvendo aspectos econômicos, características da fazenda e da família de agricultores. O acompanhamento destas 157 fazendas constitui a base de dados para esta análise (12). O estudo envolve 25 distritos em três grandes estados produtores de algodão: Maharashtra e Madhya Pradesh na Índia Central e Tamil Nadu no Sul. Dados de entrada e saída foram extrapolados a 1 hectare para facilitar as comparações.

Em média, os híbridos Bt foram pulverizados contra lagartas três vezes menos que seus equivalentes não BT e opções populares (Quadro 1). Aplicações específicas contra lagartas foram efetuadas porque, especialmente no caso da H.armigera, a proteína Cry1Ac não causa 100% de mortalidade e a produção de toxina é reduzida em plantas mais velhas (13, 14). Não houve diferença significativa no número de aplicações contra pragas sugadoras, como os afidídeos (Aphis gossypii), cicadelídeos (Amrasca bigutulla) e a mosca Bemisia tabaci. O Bt não oferece resistência a estas espécies de insetos. O volume de inseticidas nos campos Bt foi reduzido em quase 70%, tanto em termos de produtos comerciais como em ingredientes ativos. A maior parte destas reduções ocorreu com substâncias extremamente tóxicas, tais como organofosfonatos, carbamatos e piretróides sintéticos, pertencentes às classes internacionais de toxicidade I e II. Em termos financeiros, a economia com os pesticidas chegou a cerca de US$30 por hectare.

Mas os benefícios mais visíveis foram registrados na produtividade. A produção média de híbridos Bt ultrapassou a de seus equivalentes não Bt e opções populares em 80% e 87% respectivamente (15). As funções de densidade na Fig. 1 demonstram que a distribuição geral da produção passou por uma notável mudança à direita. A similaridade das curvas para os produtos não Bt e opções populares indicam que o efeito geral germe-plasma é mais ou menos desprezível. Os ganhos em produtividade são devidos em grande parte ao gene Bt em si.

Quadro 1: Comparação de uso de inseticidas e produção em campos Bt e convencionais. Os valores médios são mostrados com desvios padronizados em parênteses; n é o número de observações efetuadas; valores de produção se referem ao volume de algodão antes do descaroçamento. Dados obtidos em testes de 2001.

O problema da lagarta na Índia foi excepcionalmente alto em 2001; porém, testes anteriores em plantações que foram efetuados em menos fazendas, mas com o mesmo design de teste, também mostraram consideráveis ganhos de produtividade no início das estações. No período de 1998 a 2001, híbridos Bt apresentaram ganhos de 60% (16).

A análise de fatores que causam os impactos na produtividade de novas tecnologias para o controle eficaz de pragas sugere que eles dependem da agressividade das pragas e danos potenciais, disponibilidade de alternativas para o controle de pragas, e a adoção ou não destas alternativas pelos agricultores (17, 18). Nas condições da Índia, as lagartas têm um grande poder destrutivo, o qual não é bem controlado no algodão convencional (Fig. 2) Em média, danos por pragas ocorreram em cerca de 60% dos locais de teste com o produto convencional, em 2001. Este resultado é consistente com estudos anteriores realizados por entomologistas na Índia, os quais descobriram que as perdas médias relacionadas com pragas são de 50% a 60% (19). Nos Estados Unidos e China as perdas estimadas com o algodão convencional devido a pragas representa apenas 12% e 15% respectivamente (20), devido à menor agressividade das pragas e maior adoção de pesticidas. Isto explica por que os efeitos de produtividade da tecnologia Bt são inferiores nesses países.

Figura 1: Funções para densidade de híbridos de algodão Bt e convencional. Funções estimadas não parametricamente, usando o fator Epanechnikov com 157 observações cada. Dados obtidos em testes de 2001.

Figura 2: Relacionamento entre uso de inseticida e perdas de safras, com e sem a tecnologia Bt. As curvas são predições baseadas em estimativas econométricas de uma função para a logística de controle de danos. Dados obtidos em testes de 2001.

A maior adoção de pesticidas, apesar da menor incidência de pragas nos Estados Unidos e China, é devida a condições mais favoráveis de solo e clima, e daí resulta o maior potencial de produção. Além disso, os pesticidas na China são subsidiados, e estão mais ao alcance do agricultor (21). Em contraste, agricultores indianos em geral ficam endividados, sofrem restrições de crédito e não têm acesso a defensivos agrícolas no momento devido (22, 23). As lagartas também desenvolveram resistência a muitos dos inseticidas disponíveis no mercado, forçando a aplicação de volumes cada vez maiores. Agricultores indianos teriam que triplicar o atual volume usado de inseticidas no algodão convencional, a fim de atingir o nível de controle de danos similar àquele oferecido pela tecnologia Bt (Fig. 2).

Embora os testes de campo tenham sido gerenciados por agricultores, é possível que os ganhos médios com a tecnologia sejam ligeiramente inferiores na agricultura comercial. Porém, considerando sua magnitude, os efeitos na produtividade do algodão Bt na Índia devem manter níveis consideráveis. Até hoje, somente três híbridos Bt foram aprovados pelas autoridades controladoras. Será importante liberar híbridos de algodão Bt adicionais, que sejam adaptados às variadas condições agroecológicas, para que os ganhos de produção atingidos por agricultores não sejam limitados por desvantagens de germe-plasma.

Muitos países em desenvolvimento atualmente se encontram no processo de avaliação de custos e benefícios na importação de tecnologias GM para adaptação e uso em seu setores agrícolas domésticos. Portanto, algumas projeções baseadas nos resultados indianos podem ser instrutivos. A agressão pro pragas e danos relacionados variam muito de uma região a outra, e até mesmo em locais específicos. Porém, geralmente a agressão por pragas é moderada em países desenvolvidos e outras zonas temperadas, mas é mais alta em países tropicais e subtropicais. Especialmente nos setores agrícolas não comerciais, ou apenas parcialmente comerciais, em que restrições técnicas e econômicas impedem um uso mais amplo de defensivos agrícolas, as perdas causadas por pragas chegam a 50% ou mais (20).

Quadro 2: Efeitos esperados na produtividade de produtos GM resistentes a pragas, em diferentes regiões. A avaliação de agressividade das pragas e uso de defensivos químicos alternativos refere-se a médias regionais aproximadas (20), ignorando variações intraregionais.

Região

Agressividade das pragas

Disponibilidade de defensivos alternativos

Adoção de defensivos alternativos

Efeito na produtividade de produtos GM

Países desenvolvidos
América Latina (comercial)
China
América Latina (não comerc.)
Sul e Sudeste da Ásia
África

baixa a média
média
média
média
alta
alta

alta
média
média
baixa a média
baixa a média
baixa

alta
alta
alta
baixa
baixa a média
baixa

baixo
baixo a médio
baixo a médio
médio a alto
alto
alto


Incorporando as lições de literatura sobre a proteção de safras (17, 18), o Quadro 2 avalia os efeitos reais e esperados de produtos GM em diferentes regiões. Devido a variações intraregionais em certos determinantes, as indicações só podem ser interpretadas como tendências aproximadas. Quase todas as tecnologias GM foram iniciadas por empresas comerciais no mundo industrializado, visando as necessidades de agricultores que possam pagar por tais produtos. Algumas variedades foram transferidas para setores comerciais na América Latina e China, onde condições agroecológicas e taxas de aplicação de pesticidas são similares. Em todos os casos, os efeitos na produtividade foram entre baixos a médios, paralelamente a ganhos substanciais com a substituição de pesticidas. Porém, com uma adaptação cuidadosa e regulamentação eficiente, estas mesmas tecnologias podem ser levadas a outras regiões em desenvolvimento, onde os efeitos na produtividade serão mais substanciais. Produtos GM resistentes a pragas são fáceis de administrar nas fazendas, e podem reduzir muito as lacunas existentes entre produção potencial e real, especialmente nos sistemas de pequenos agricultores.

Com base na agressividade de pragas e atual proteção contra pragas, os maiores ganhos são esperados no Sul / Sudeste da Ásia e África ao Sul do Saara. Os resultados de testes de campo na Índia, além de provas preliminares na Indonésia e África do Sul, apresentam-se em conformidade com esta hipótese (24, 25). Sul / Sudeste da Ásia e África ao Sul do Saara também são as regiões com o maior crescimento populacional; assim, a produção agrícola aprimorada é vital para reduzir a pobreza e para a segurança dos alimentos. Algodão Bt, milho Bt e batatas Bt, que já são comercializados em alguns países, têm relevância direta para o mundo em desenvolvimento. Arroz Bt, batata-doce Bt e vários outros alimentos com mecanismos de resistência a pragas aumentarão o conjunto de tecnologias num futuro próximo (26, 27). A biotecnologia agrícola oferece muitas outras aplicações para países em desenvolvimento, além do controle de pragas, mas demonstramos que os produtos GM hoje existentes já podem ter impactos positivos importantes.

Há reservas relacionadas aos riscos reais e presumidos contra o meio ambiente e a saúde, além de preocupações mais amplas sobre os direitos à propriedade intelectual e dominação corporativa, que levaram a uma aceitação limitada dos produtos GM entre o público e legisladores (28). Embora as evidências de benefícios sejam cada vez maiores, o potencial da tecnologia ainda não é amplamente reconhecido.

Uma administração de risco responsável, aliada à divulgação científica sensata, são requisitos básicos para eliminar os problemas de aceitação, assegurando o uso sustentável de produtos GM. Além disso, investimentos governamentais em pesquisa deverão ser expandidos, com mecanismos para a transferência de tecnologia e respeito à propriedade intelectual, para que as promissoras biotecnologias possam ser oferecidas aos pobres, a preços baixos e em grande escala.

Referências e Notas

1. P.Pinstrup-Andersen, E. Schiøler, Seeds of Contention: World Hunger and the Global Controversy over GM Crops (Johns Hopkins Univ. Press, Baltimore, 2001).

2. M.A.Altieri,Genetic Engineering in Agriculture: The Myths, Environmental Risks and Alternatives (Special Report No.1,Food First,Oakland,CA,2001).

3. C. James, Global Review of Commercialized Transgenic Crops:2001 (Feature: Bt Cotton), ISAAA Briefs No.26 [International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications (ISAAA), Ithaca, NY, 2002], p.12.

4. J.Carpenter et al., Comparative Environmental Impacts of Biotechnology-Derived and Traditional Soybean, Corn, and Cotton Crops (Council for Agricultural Science and Technology, Ames, IA, 2002).

5. J. Huang, S.Rozelle, C. Pray, Q. Wang, Science 295, 674 (2002).

6. C.E. Pray, J. Huang, R. Hu, S. Rozelle, Plant J.31, 426 (2002).

7. J. Lauer, J. Wedberg, J. Prod. Agric. 12 , 373 (1999).

8. UK Soil Association, Seeds of Doubt: North American Farmers 'Experience of GM Crops (UK Soil Association,Bristol,UK,2002),pp.11 -14.

9. M. Qaim, G. Traxler, estudo apresentado na 6a Conferência Internacional do Consórcio Internacional de Pesquisa de Biotecnologia Agrícola, Ravello, Itália, 11 a 14 de Julho de 2002.

10. V.W. Ruttan, AgBioForum 2 ,54 (1999).

11. K.S. Jayaraman, Nature Biotechnol. 20 , 415 (2002).

12. Uma revisão das estatísticas comprovou que estes 157 locais representam de forma adequada o total de 395 locais de testes.

13. F. Gould, Annu. Rev. Entomol. 43 ,718 (1998).

14. J.T. Greenplate, J. Econ. Entomol .92 ,1379 (1999).

15. Testes independentes, efetuados em 2001 com algodão Bt em diferentes sítios públicos experimentais, chegaram a mostrar ganhos próximos de 100%, apesar da existência de medidas adequadas de proteção química.

16.Maharashtra Hybrid Seed Company, dados não publicados.

17. Comitê para o Futuro Papel de Pesticidas na Agricultura dos EUA, Comissão de Agricultura e Recursos Naturais, Comissão de Estudos Ambientais e Toxicologia, The Future Role of Pesticides in US Agriculture (National Academy Press, Washington, DC, 2000).

18. D. Zilberman, A. Schmitz, G. Casterline, E. Lichtenberg, J.B. Siebert, Science 253, 518 (1991).

19. S.N. Puri, K.S. Murthy, O.P. Sharma, Handbook of Cotton in India [Indian Society for Cotton Improvement (ISCI), Mumbai, Índia,1999 ], pp.233-245.

20. E.C. Oerke, H.W. Dehne, F. Schoënbeck, A. Weber, Crop Production and Crop Protection: Estimated Losses in Major Food and Cash Crops (Elsevier, Amsterdam, 1994).

21. D.Widawsky, S.Rozelle, S.Jin, J.Huang, Agric. Econ. 19 , 205 (1998).

22. G.A.A. Wossink, G.C. van Kooten, G.H. Peters, Eds., Economics of Agro-Chemicals: An International Overview of Use Patterns, Technical and Institutional Determinants, Policies and Perspectives (Ashgate, Aldershot, UK,1998).

23. ISCI, Handbook of Cotton in India (ISCI, Mumbai, India,1999).

24. Y. Ismael, R. Bennett, S. Morse, AgBioForum 5 ,4 (2002).

25. ISAAA, Bt Cotton in Indonesia (ISAAA, Manila, Filipinas,2002).

26. A.S. Moffat, Science 285, 370 (1999).

27. M. Qaim, A.F. Krattiger, J. von Braun, Eds., Agricultural Biotechnology in Developing Countries: Towards Optimizing the Benefits for the Poor (Kluwer, Boston, MA,2000).

28. R.L. Paarlberg, The Politics of Precaution: Genetically Modified Crops in Developing Countries (Johns Hopkins Univ. Press, Baltimore, 2001).

29. Indian Council for Agricultural Research (ICAR), All India Coordinated Cotton Improvement Project; Annual Report 2001-02 (ICAR, Coimbatore, India, 2002), p.97.

30. Os autores agradecem à Mahyco por disponibilizarem os registros dos testes de campo. Também agradecemos o apoio financeiro do Conselho Alemão de Pesquisas (Deutsche Forschungsgemeinschaft). D.Z. é membro da Fundação Giannini de Economia Agrícola.

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