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OMS e FAO
vão ajudar países pobres a respeitar normas alimentares
da France
Presse, em Genebra
A
Organização Mundial de Saúde (OMS) e a
Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciaram hoje, em
Genebra (Suíça), a criação de um fundo de
US$ 40 milhões para doze anos, destinado a ajudar os
países menos desenvolvidos a respeitar as normas alimentares.
Durante uma
sessão extraordinária da Comissão do "Codex
alimentarius", que fixa normas de alimentação em
nível mundial, considerou-se indispensável uma maior
participação dos países em vias de
desenvolvimento e em transição.
A
Comissão do "Codex Alimentarius" foi fundada em 1962
pela FAO e pela OMS para proteger a cadeia alimentar, fixar normas
destinadas a proteger a saúde dos consumidores e garantir um
comércio equilibrado. O "Codex" conta hoje com 168 membros.
O novo fundo
fiduciário ajudará cerca de 120 países em vias
de desenvolvimento para que eles possam aplicar a
regulamentação internacional em matéria de
segurança alimentar.
"Isto
permitirá a todos os membros do Codex melhorar a qualidade e a
segurança de seus alimentos e ser mais eficazes quando os
venderem no mercado internacional", declarou a diretora-geral da
OMS, Gro Harlem Brundtland.
Se as normas
alimentares não forem aplicadas corretamente, os riscos de
propagação de doenças de origem alimentar
vão se multiplicar, como o demostraram recentemente as crises
da Vaca Louca, da contaminação com dioxina ou listeria
(bactéria) nos produtos lácteos.
A
harmonização das normas contribuirá para a
organização de um sistema comercial previsível e
não discriminatório.
Jacques Diouf,
diretor-geral da FAO, sustentou que os países pobres devem ser
"plenamente envolvidos no debate internacional e na
redação das diretrizes sobre a segurança
alimentar e o comércio".
Evocadas nas
discussões da Organização Mundial do
Comércio (OMC), as normas sanitárias previstas nos
acordos internacionais são, freqüentemente, barreiras que
complicam, encarecem e dificultam a exportação dos
produtos dos países mais pobres.
O novo fundo
será financiado pelos governos, mas as
associações ecológicas e de defesa dos
consumidores manifestaram o temor de que a indústria
agroalimentícia possa contribuir financeiramente com o fundo.
Por exemplo, a
Associação Internacional de Organizações
de Consumidores de Alimentos (Iafco, International Association of
Consumer Food Organizations), com sede nos Estados Unidos, denunciou
que é de temer uma "capitulação" das
autoridades ante a indústria agroalimentícia.
"Ao pagar
os custos de deslocamento dos funcionários dos países
em vias de desenvolvimento, a indústria agroalimentícia
terá uma influência excessiva sobre esses
funcionários", avaliou Bruce Silverside, da Iacfo.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u51666.shtml
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