UE: Parlamento apoia Comissao no cancelamento da moratória para os OGMs

EuropaBio, 21 de Novembro de 2002-11-27

Estrasburgo: Hoje o Parlamento Europeu recomendou o encerramento da moratória de facto que vem sendo imposta há quatro anos para os organismos geneticamente modificados (OGMs). Simon Barber, diretor da Unidade de Biotecnologia Vegetal da EuropaBio, a Associaçao Européia de Bioindústrias, diz: "Tal medida permitiria a venda de novas variedades de plantas desenvolvidas através da biotecnologia, especificamente para agricultores europeus, a serem oferecidas no mercado."

Ao adotar o relatório Damaio em plenário, o Parlamento apoiou e incentivou a declaraçao da Comissao, publicada no início deste ano em 'Life sciences and biotechnology - a strategy for Europe'.

O Parlamento também trouxe esperanças rs 1.800 pequenas e médias empresas de genética e biotecnologia da Europa, com o voto de apoio a um ambiente favorável para empresas científicas inovadoras desenvolverem terapias avançadas e medicamentos de design específico, bem como para o melhor uso de processos biológicos na indústria, para reduzir pressoes ambientais.

O Parlamento também enfatizou a importância de se facilitar a transferencia de tecnologias para permitir que países em desenvolvimento tenham um papel atuante no avanço de biotecnologias inovadoras. "O apoio do Parlamento r declaraçao é um passo importante na direçao certa. Agora esperamos que o Conselho chegue ao âmago da questao", diz Hugo Schepens, Secretário Geral da EuropaBio.

Após o excelente ano de 2000, quando as empresas européias de biotecnologia levantaram quase seis bilhoes de euros nas bolsas, e 39 empresas lançaram suas açoes no mercado de capitais, 2001 trouxe uma queda brusca.

Mas há a esperança de que a lacuna entre a Europa e os EUA esteja sendo reduzida. Em 2001, os números em faturamento, número de funcionários e esforços em P&D foram apenas o dobro daqueles verificados em empresas européias.

Uma falta de medidas políticas para incentivar investidores e empresas na biotecnologia, além de um sistema europeu de patentes nao implementado e um estagnado processo regimental para produtos transgenicos, sao fatores que contribuíram para o exodo de pesquisadores, investidores e empresas da Europa, rumo a países que apoiam a biotecnologia, como os EUA. Hugo Schepens afirma: "A Europa tem os meios para reverter tais tendencias. Mas isso exigirá mais liderança política, mais consistencia e maior senso de urgencia do vimos até agora."

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África: UE prejudica naçoes pobres com políticas e cientistas anti transgenicos
A MAO MORTA

Tech Central Station, por Andrew Apel e C. S. Prakash [11/11/2002]

http://www.techcentralstation.be/2051/wrapper.jsp?PID=2051-100&CID=2051-111102A

Andrew Apel é editor da AgBiotech Reporter. C.S. Prakash é professor da Universidade Tuskegee e presidente da Fundaçao Agbioworld.

A política européia de alimentos e agricultura domina as políticas de naçoes em desenvolvimento, e está se transformando em um desastre econômico e humanitário. A atual crise humanitária na África serve para comprovar os danos causados pelas regulamentaçoes européias.

A Europa tem um enorme apetite por importaçoes, e com sua dominaçao da produçao de alimentos por naçoes em desenvolvimento, isto representa uma óbvia aplicaçao do ditado "O cliente sempre tem razao". Uma análise conduzida pelo Instituto Internacional de Pesquisa da Política Alimentar revelou que as naçoes em desenvolvimento, na verdade, ajustam seus padroes de comércio em resposta rs mudanças de preferencia por importantes países que sao parceiros comerciais.

No contexto dos alimentos geneticamente modificados (GM), que a Europa permite somente em raras circunstâncias, isto é especialmente verdadeiro. De acordo com o Prof. Robert Paarlberg, do Departamento de Ciencia Política da Faculdade Wellesley, algumas naçoes pobres agora tentam manter-se "isentas de GM", a fim de manter a opçao de exportar alimentos r Europa, a qual é esquizofrenica em relaçao a produtos e alimentos aprimorados através da biotecnologia.

R primeira vista, isto parece fazer pouco sentido. Afinal, nas naçoes em desenvolvimento a maior parte dos alimentos produzidos é consumida internamente. De acordo com o Banco Mundial, 75 porcento das populaçoes pobres do mundo vivem em áreas rurais e trabalham basicamente com a agricultura. Isto significa que os benefícios trazidos pela primeira geraçao de alimentos GM, os quais sao criados para reduzir o trabalho e aumentar a produtividade agrícola, deveriam oferecer tantos benefícios para a segurança alimentar doméstica que a manutençao de mercados para a exportaçao seria apenas uma consideraçao remota.

Na verdade, estatísticas de comércio internacional comprovam esta conclusao. A Organizaçao Mundial do Comércio (OMC) indicou que as exportaçoes agrícolas por países em desenvolvimento representaram apenas tres porcento do volume total de comércio internacional, no período entre 1990 e 1999. E o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que 40 porcento desta minúscula porçao de comércio internacional nao sao feitos com a Europa, e sim entre naçoes em crescimento.

Política de Exportaçao Atropela Política de Produçao

Apesar disto, a Europa tem um impacto desproporcional, e negativo, na política de produçao de algumas naçoes em desenvolvimento. Como?

O poderio econômico europeu entre os exportadores de naçoes em desenvolvimento é inegável. A UE é o maior importador de produtos agrícolas, e afirma que no ano de 2000 importou produtos agrícolas no tal de 58,6 bilhoes de Euros, 61 porcento de naçoes em desenvolvimento. Exportadores de produtos agrícolas dessas naçoes certamente nao podem ignorar um comprador com tal poder econômico.

Mas com as exportaçoes agrícolas de países em desenvolvimento representando apenas tres porcento do comércio total e quase metade do comércio com outras naçoes em desenvolvimento, faria sentido para estas naçoes darem mais prioridade r segurança alimentar que rs exportaçoes de alimentos.

Por exemplo, cepas de arroz aprimorado pela biotecnologia estao sendo desenvolvidas, com o objetivo de criar resistencia a secas e doenças, ou incluir vitamina A para ajudar na prevençao da cegueira em crianças. Porém, a Uniao de Associaçoes de Processadores de Arroz da Comunidade Européia, em 1999, exigiu que exportadores tailandeses de arroz rejeitem o arroz GM e avisou que embarques de arroz tailandes podem ser recusados se forem encontrados graos aprimorados pela biotecnologia. Em outras palavras, se a Tailândia adotar essa tecnologia para alimentar seu povo, os exportadores enfrentam a possibilidade de perder um importante mercado. E, se a UE prosseguir com seu plano de exigir rotulagem e rastreabilidade, exportadores tailandeses seriam forçados a efetuar testes e programas de rastreamento e responsabilidade por devoluçoes de produto, o que envolveria custos que eles nao podem suportar.

Naturalmente, tais preocupaçoes sao irrelevantes rs populaçoes rurais pobres das naçoes em desenvolvimento, que consomem em grande parte o que produzem. Agricultores de subsistencia nao plantam com a Europa em mente, mas sim preocupando-se basicamente com sua própria sobrevivencia. Qualquer melhoria na produçao quase sempre é para seu próprio benefício.

O problema central é que o poderio econômico europeu se traduz em opressao política nas naçoes em desenvolvimento. Exportadores destas naçoes se preocupam em produzir renda, e nao alimentos; e, como parte da elite política que está atrás de recursos financeiros fortes como o Euro, elas impoem políticas agrícolas que satisfaçam os mercados importadores, e nao visando atender as necessidades das camadas pobres.

Como Robert Thompson, CEO do Instituto Internacional Winrock para Desenvolvimento Agrícola, observou: "Os ricos de qualquer país só passam fome em tempos de guerra, desastres naturais ou penúria imposta por fins políticos."

Nesta conformidade, e de forma conveniente, eles podem pousar suas políticas agrícolas e de exportaçao nas costas dos pobres.

Embora isto seja uma verdade, até certo ponto, em qualquer lugar, é ainda mais no que se refere a naçoes em desenvolvimento. Em um trabalho sobre a pobreza do Overseas Development Institute, foi notado que os pobres das naçoes em desenvolvimento tem pouco poder de mercado.

Em combinaçao com estruturas políticas muitas vezes nao democráticas, isto resulta numa falta de poder político. Mais ainda, as tradiçoes políticas de naçoes em desenvolvimento sao quase sempre verticalizadas, excluindo a participaçao dos pobres mesmo em programas que visam sua própria ajuda. Sem poder político, os pobres nao podem resistir a políticas que atendem interesses europeus r sua custa.

Como se isto já nao fosse o bastante, exportadores e seus aliados políticos nas naçoes em desenvolvimento tem outro incentivo financeiro para aceitar a insegurança alimentar, em troca de exportaçoes: a liberalizaçao de comércio. O FMI encontrou "provas consideráveis" de que países mais orientados r exportaçao tendem de forma consistente a crescer mais rápido que naçoes voltadas ao mercado doméstico, e que os benefícios da liberalizaçao de comércio podem ser até mais que dez vezes maiores que seus custos. Se a recompensa financeira pelo incremento das exportaçoes realmente for tao substancial, os incentivos para impor sobre os pobres as políticas européias de produçao de alimentos serao igualmente enormes.

A crise de alimentos na África ilustra este problema de forma dolorosa. Em seis naçoes afligidas por seca e comoçoes políticas, 14,4 milhoes de pessoas enfrentam a penúria, mas seus líderes bloquearam a entrada de alimentos transgenicos, fornecidos pelos EUA, temendo que a Europa imponha a esses países as mesmas restriçoes que custam aos produtores americanos cerca de US$ 300 milhoes anualmente. Alguns destes líderes africanos tem mantido esta posiçao mesmo após oficiais da UE afirmarem publicamente que tais temores nao tem fundamento. Cinco das naçoes eventualmente cederam, permitindo que o milho americano seja importado dos EUA, sob a condiçao de ser moído antes de sua distribuiçao. O sexto país, Zâmbia, mantém uma proibiçao total contra o auxílio alimentar dos EUA. Grupos de pobres, assolados pela fome, atacaram armazéns do governo para roubar milho apreendido, e foram presos por isso. Os comerciantes cerealistas de Zâmbia afirmam apoiar tal política, pois a falta de alimentos eleva os preços de commodities e aumenta seus lucros.

Há duas potenciais soluçoes para este problema. Como as exportaçoes agrícolas para a Europa só representam uma porcentagem mínima de sua atividade econômica, muitas naçoes em desenvolvimento poderiam facilmente rejeitar a Europa como parceiro comercial no setor agrícola, para se enfocar na segurança de seus alimentos.

Outras atividades econômicas já cobrem a maioria das exportaçoes, que poderiam ser expandidas com benefícios econômicos proporcionalmente maiores. Dados da OMC mostram que as exportaçoes de países em desenvolvimento, como madeira, metais e bens manufaturados, em geral, sao onze vezes maiores que suas exportaçoes de produtos agrícolas. Porém, mudar a enfase de exportaçoes agrícolas para a segurança de alimentos exigiria substanciais mudanças políticas, algo muito improvável num futuro próximo. Para as naçoes em desenvolvimento com uma forte dependencia em exportaçoes agrícolas, isto seria considerado uma impossibilidade política.

Só podemos esperar que os líderes de naçoes em desenvolvimento reconheçam que as regulamentaçoes européias para alimentos estao distorcendo o comércio de forma tao grave que isso na verdade contribui para a penúria na África, e exijam que a UE cumpra com suas obrigaçoes perante a OMC. Como os sistemas internacionais de comércio já estao implantados, esta seria uma soluçao muito mais realística.

 


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