Contracepção Genética para Plantações GM

Pesquisadores canadenses desenvolveram um método para impedir a disseminação de plantações geneticamente modificadas (GM), mas permitindo aos agricultores o re-plantio ano após ano. Uma das maiores preocupações em relação às plantações GM é que as plantas modificadas possam se cruzar com plantas nativas ou com outras espécies da plantação, transmitindo assim os traços modificados. No artigo #6833, Johann Schernthaner e colaboradores descrevem uma nova técnica para impedir que plantas GM se cruzem com espécies relacionadas.

Os pesquisadores inseriram um gene para a letalidade da semente (SL) nas plantas de tabaco. As plantas mostraram crescimento e produção de sementes normais, mas devido ao gene SL, as sementes não germinaram. Cruzando a planta infértil SL com outra planta de tabaco modificada contendo o gene que reprime o gene SL, os pesquisadores produziram uma geração filha com sementes viáveis. Esta geração filha teoricamente poderia propagar-se indefinidamente através da auto-polinização, dizem os autores. Entretanto, quando plantas desta mesma geração filha foram cruzadas com plantas de tabaco nativas, o gene SL e o gene repressor foram separados, e as sementes sem o gene repressor não conseguiram germinar. Os autores concluíram que a disseminação indesejável de novos traços pode ser impedida, ligando-se os traços ao gene SL.

Controle da germinação de sementes em plantas transgênicas baseado na segregação de um sistema genético de dois componentes.

Johann P. Schernthaner*†, Steven F. Fabijanski‡, Paul G. Arnison‡, Martine Racicot*§, and Laurian S. Robert*

*Eastern Cereal and Oilseed Research Center, Agriculture and Agri-Food Canada, 960 Carling Avenue, Ottawa, Canada K1A0C6; and ‡The FAAR

Biotechnology Group, Suite 323, 5929 Jeanne d'Arc Boulevard, Ottawa, Canada K1C7K2

Ediado por Charles J. Arntzen, Universidade do Estado do Arizona, Tempe, AZ, e aprovado em 21 d Março de 2003 (recebido para revisão em 8 de Novembro de 2002)

Desenvolvemos um sistema repressor de letalidade à semente (SL) com o objetivo de reduzir a probabilidade de intromissão de transgênicos numa população de plantas sexualmente compatíveis. Para avaliar o potencial deste método, plantas de tabaco foram transformadas com uma linhagem SL do gene 1 e gene 2 do Agrobacterium tumefaciens, enquanto que o gene 1 foi controlado pelo promotor de phaseolina, específico à semente, modificado para conter um local de ligação para a Escherichia coli TET repressor (R). A expressão dessa linhagem permite uma planta normal e o desenvolvimento de sementes, mas inibe a germinação das sementes. As plantas contendo a linhagem SL foram cruzadas com plantas contendo o gene tet R para derivar plantas onde a expressão da linhagem SL fosse reprimida. Plantas que continham as duas linhagens mostraram formação e germinação normais de sementes, enquanto que as sementes onde a linhagem SL foi separada do gene R através da segregação, não germinaram. As exigências desse método para controlar de modo eficaz o fluxo de traços novos entre plantas sexualmente compatíveis é discutido.

Uma das maiores preocupações quanto ao uso indiscriminado de plantações geneticamente modificadas, é que elas podem transmitir traços novos para plantas nativas, ou que os traços novos possam contaminar outras espécies relacionadas de plantas. Isto é mais preocupante em plantações onde a semente é guardada, pois a semente formada pela polinização cruzada de variedades portando genes modificados, pode levar a populações onde o gene transformado torna-se estabelecido. Assim, um mecanismo para reduzir a incidência de transferência de traços modificados para a semente de plantas nativas ou parentes pode limitar os traços modificados à variedade específica sendo cultivada. Exemplos de técnicas atuais de contenção incluem herança materna, esterilidade do macho, esterilidade da semente, hermafroditismo, apomixia, genomas incompatíveis e mitigação transgênica através do controle temporal ou de tecido específico de genes suicidas (revisto na ref. 1). Neste artigo, descrevemos uma abordagem da contenção de genes, que se fia à manutenção de um gene letal à semente (SL) (que pode ser ligado a um traço modificado) e um elemento repressor (R) adicionado pelo cruzamento. O objetivo do método é atingir a repressão da letalidade da semente, combinando a linhagem SL com a linhagem R.

A combinação dos dois elementos leva à repressão do gene SL, permitindo assim a auto propagação de sementes da própria planta. Mas a mediação do pólen no cruzamento pode resultar na separação dos dois elementos, em cujo caso a linhagem SL é ativada no embrião da semente, causando a interrupção da germinação para sementes contendo a linhagem SL e o traço modificado ligado. (Fig 1) Em condições ótimas, (sítios únicos SL e R no mesmo local dos dois cromossomas pais) o método seria simples e eficiente, e não exigiria nenhuma intervenção sob condições controladas. No exemplo apresentado, a letalidade da semente é atingida pela super produção específica a embriões de auxina mediada pelos produtos da Agrobacterium tumefaciens gene 1, tryptophan 2-monooxigenase (iaaM) e gene 2, indole-3-acetamide hidrolase (iaaH). As duas enzimas se combinam de forma rara, não conhecida em outras plantas, para produzir o ácido indole-3-acético, enquanto que o iaaM é a enzima limitante (2 - 4). A expressão específica à semente é mediada pelo promotor da phaseolina específica a embriões do feijão, Phaseolus vulgaris (5). A repressão da linhagem SL é oferecida pelo elemento R tetR que age no local de ligação, tetO, que foi introduzido na região central do promotor de phaseolina. (Fig 2). Os dois elementos tetR e tetO são derivados da Escherichia coli onde fazem parte de um "operon" que regula a resistência à tetraciclina. (Fig 6). A funcionalidade do sistema tetR and tetO como um sistema de controle genético em plantas já foi demonstrada várias vezes (7 - 9). Neste estudo, usamos tabaco transgênico para testar se era possível a) atingir a letalidade específica à semente; b) reprimir o gene SL e c) manter plantas auto-polinizadas contendo os elementos SL e R durante várias gerações.

Protocolo Experimental
Vetores e Linhagens

Para facilitar a subclonação, o plasmídeo pGEM7Zf(_) (Promega) foi modificado através da inserção de sítios de restrição para NcoI, BglII, PstI, e EcoRV entre os sítios ClaI e BamHI.

O promotor de phaseolina para o promotor de phaseolina-SL, linhagem (P-SL) foi amplificado por PCR de pAGM219 (obtido de Mycogen, ...) e corresponde aos nucelotídeos 128-933 da seqüência GenBank J01263 (10). Sítios de restrição para XhoI e HindIII foram adicionados aos primers. O promotor da phaseolina para a linhagem do promotor da phaseolin com seqüências tet-SL (P-TOP-SL) também foi amplificado por PCR de pAGM219. Isso corresponde aos nucleotídeos 128-833 de J01263. Sítios de restrição para XhoI e Csp45I foram adicionados aos primers. As duas fitas da seqüência tripla foram sintetizadas quimicamente, e os sítios Csp45I e ClaI foram adicionados. A seqüência da fita (_) é 5_-CGAAGACTCTATCAGTGATAGAGTGTATATAAGACTCTATCAGTGATAGAGTGAACTCTATCAGTGATACAGTAT- 3_. O terminador de phaseolina foi extirpado como um fragmento PstI do pAGM219. A região de codificação do gene 1 foi isolada por PCR do plasmídeo p202 (obtido do Mycogen) e subclonada como um fragmento ClaI. A seqüência corresponde aos nucleotídeos 5755-8056 do pTi 15955 (11). O gene 2, que inclui suas próprias regiões de promotor e terminador, foi isolado por PCR do p101 (obtido do Mycogen) e subclonado como um fragmento SphI. A seqüência corresponde aos nucleotideos 5785-3237 do pTi 15955 (11). Para a transformação das plantas, as linhagens foram clonadas no vetor binário Bin 19 (12) para dar os plasmídeos P-TOP-SL e P-SL, respectivamente (Fig. 1).

Transformação das Plantas. O Tobacco cv Wisconsin 38 (W38) foi transformado usando-se o método do disco de folha (13) e a cepa Agrobacterium EHA 105. 53 linhas transgênicas contendo as linhagens PTOP-SL e nove linhas com a linhagem P-SL foram mantidas para análise posterior. O tabaco W38 transgênico já transformado com pTet1 (linhas R) foi obtido de C. Gatz. ... Todas as plantas transgênicas foram cultivadas em estufas com um ciclo de luz 16:8h.

Análise da Germinação. Sementes estéreis de cada linha (88 por planta) foram colocadas em placas de Petri de 9 cm em meio Murashige e Skoog (MS) com ou sem kanamicina. As mudas foram analisadas após 4 semanas de germinação. As linhas T0 SL que apresentaram fenótipos foram mantidas para cruzamento com linhas R.

Análise PCR de Plantas Transgênicas. O DNA foi preparado a partir de mudas e plantas maduras de acordo com o método de Edwards et al. (14), porém com uma modificação: foi realizada uma extração adicional de clorofórmio antes da fase de precipitação do DNA. O PCR foi realizado em 96 placas, usando-se o par primer gctcacccatctcaacccacac e tctaagaaggcatcggaaacc para detectar a presença do gene 1, e do par primer attgagatgttagataggcac e ccactttcacatttaagttg para detectar a presença do gene tetR. Condições de ciclo incluíram um passo inicial a 94°C durante 3 min seguido de 30 ciclos de 45 s a 94°C, 1 min a 56°C, 1 min a 72°C, e um passo final a 72°C durante 5 min.

Resultados

Transformação de Plantas de Tabaco. Duas linhagens, P-SL e PTOP-SL foram preparadas para avaliar o efeito do gene 1 e gene 2 no desenvolvimento da semente de tabaco e a habilidade de reprimir P-TOP-SL com o tet R (Fig. 2). 53 plantas transformadas com a linhagem P-TOP-SL e 10 plantas transformadas com a linhagem P-SL (linhagens SL contendo genes SL) foram selecionadas para análise com base na presença de linhagem SL, como determinado pelo "Southern blots" (dados não informados). Todas as plantas transformadas mostraram um desenvolvimento vegetativo e produção de sementes normais. Uma média de quatro flores por linhagem SL foram auto-polinizadas ou sofreram polinização cruzada, com tabaco não transformado (retrocruzadas) ou com plantas portando o gene tetR (linhagens R, contendo o gene R). As sementes resultantes foram germinadas em meio de cultura, com e sem kanamicina (n _ 88 por cruzamento). O número de sítios SL ativos foi determinado através da contagem do número de fenótipos SL e de mudas resistentes e sensíveis à kanamicina, obtidos de plantas auto polinizadas e retrocruzadas. (Tabela 1). A herança do genótipo SL e/ou R foi determinada por um PCR duplex, usando-se pares de primers de genes específicos para o gene 1 e tetR.

Especificidade da Semente das Linhagens SL. As plantas P-TOP-SL e P-SL apresentaram a mesma taxa de inibição de germinação de sementes no meio sólido MS. As sementes de uma única linhagem transformada apresentaram uma das combinações de 4 fenótipos determinados de modo arbitrário (Fig. 3). Dos transformantes primários, 41 plantas contendo a linhagem P-TOP-SL e nove plantas contendo a linhagem P-SL que segregaram os fenótipos SL foram recuperadas. Com base nos resultados das análises de germinação, o número de sítios SL foi de 1 a 4 (Tabela 1). Quando sementes da linhagem SL foram colocadas no solo, e não no meio de cultura, para refletir as condições naturais, a diferença entre a germinação normal e a letalidade das sementes ficou muito óbvia. Somente sementes de plantas que perderam o genótipo SL através da segregação germinaram, e não foram observados fenótipos intermediários. Em condições típicas de germinação no solo, a linhagem SL ofereceu uma completa inibição da germinação (dados não informados). Algo também crucial para nossa abordagem foi a demonstração de que a introdução da seqüência de ligação tetO no âmago do promotor de phaseolina não afetou a especificidade, e que as duas linhagens SL não mostraram nenhum efeito na viabilidade do pólen, e portanto foi observada a fertilidade normal do macho.

Repressão do Fenótipo SL através do TETR. As linhas SL contendo a linhagem P-SL ou P-TOP-SL foram cruzadas com uma linha R estabelecida (obtida de C.Gatz), que havia sido transformada com pTet1 (8). Uma linha R mostrando a mais alta expressão tetR, como determinado pelo "Northern blots" (resultados não informados), foi usada na polinização cruzada. As sementes resultantes destes cruzamentos foram germinadas em meio MS contendo kanamicina (n _ 88 por planta). A freqüência de fenótipos resistentes à kanamicina e SL foi marcada após 4 semanas de germinação.

Se o TETR reprime a expressão da linhagem SL, plantas de desenvolvimento normal contendo os genes SL e R podem ser esperadas. [referidas como N_(SL;R) para plantas de fenótipo normal e (genótipos SL e R)]. Mudas normais resistentes à kanamicina foram testadas por PCR duplex para averiguar a presença dos genes SL e R. Uma média de duas plantas N_(SL;R) por cruzamento foram mantidas e cultivadas para cruzamento posterior. Com base na relação entre plantas resistentes e plantas sensíveis à kanamicina, a linhagem R usada para os cruzamentos possuía mais de quatro sítios tetR. Das 37 diferentes plantas com transformante primário P-TOP-SL que foram cruzadas com a linha R, 21 produziram plantas N_(SL;R), indicando repressão do fenótipo SL no F1. Mas a porcentagem de repressão variou entre cruzamentos individuais, e mudas com o fenótipo SL apareceram em todos os cruzamentos.

As 16 plantas F1 restantes não produziram plantas N_ (SL,R), indicando que nenhuma repressão ocorreu nestas linhagens. As mudas destas plantas que se desenvolveram normalmente eram apenas do genótipo N_(R;R) (Tabela 1). A análise PCR da geração F1 revelou que 40% das mudas que se desenvolveram normalmente da linhagem (SL_R) tinham o genótipo N_(SL;R), enquanto que 60% eram N_(R;R). Nenhum genótipo N_(SL;SL) foi detectado (Tabela 2). Como um gene 1 silencioso ou não funcional pode também explicar o desenvolvimento normal de uma planta com um genótipo (SL;R), as linhas N_(SL;R) foram propagadas após a segregação do fenótipo SL.(Tabela 1). As 21 linhas F1 que produziram a progenia N_(SL;R) foram propagadas através da auto polinização e do retrocruzamento com tabaco W38 não transformado.

Todas as linhas F2, auto polinizadas e retrocruzadas, produziram mudas com fenótipos SL observáveis como resultado da segregação da linhagem SL do gene R (Tabela 1). Esta descoberta é uma indicação de que a repressão do gene 1, e não o silenciamento da linhagem SL, gerou as plantas N_(SL;R) da geração anterior. Mudas com desenvolvimento normal foram mais uma vez analisadas por PCR duplex. Para todas as linhas F2, o genótipo N_(SL;R) estava presente em 29% das amostras, e 71% eram de N_(R;R). Nesta geração, uma linha auto polinizada produziu também plantas N_(SL;SL), que totalizaram cerca de 0,4% das amostras totais. (Tabela 2). Os resultados na Tabela 2 mostram que os retrocruzamentos, como era de se esperar, resultaram em um número bem menor de plantas com o genótipo N_(SL;R), se comparado à geração F1 auto polinizada, devido à segregação da linhagem SL da R. No total, 18 das 21 linhas produziram plantas N_(SL;R) na geração F2, indicando que uma repressão mais consistente do fenótipo SL pode ser alcançada em linhas SL transgênicas estáveis.

O Genótipo N_(SL;SL) Não Está Presente nas Plantas F1. A repressão-depressão da linhagem SL é confirmada também pela análise da segregação do genótipo SL. A freqüência de mudas N_(SL;SL) de desenvolvimento normal é um indicador da funcionalidade da linhagem SL, já que as plantas N_(SL;SL) indicariam perda da função SL. Das 39 plantas SL que foram inicialmente cruzadas com linhas R, nenhuma produziu mudas com apenas o genótipo (SL;SL) em F1 (Tabela 2). Em mudas desta linha com desenvolvimento normal, a linhagem SL pôde, sem exceção, ser detectada apenas em combinação com o gene tetR. Mas em F2, uma linha produziu plantas do genótipo N_(SL;SL), embora provavelmente isso tenha sido causado por um sítio SL segregado e inativo, pois a mesma linha também apresentou sítio SL funcional. De qualquer maneira, nenhuma linha apresentou uma perda completa da função SL.

A Linhagem P-SL Não Intervém na Repressão. Os cruzamentos de controle realizados com plantas P-SL que contêm o promotor de phaseolina sem o elemento de ligação tetO ofereceu evidências adicionais de que o TETR é responsável pela perda do fenótipo SL. Das nove linhas P-SL que foram cruzadas com linhas R, todas produziram os mesmos fenótipos SL que a linhagem P-TOP-SL. Em linhas onde mudas normais apareceram, elas eram do genótipo N_(R;R), com uma exceção. (Tabela 2). A única linha que produziu plantas N_(SL;R) continha vários sítios SL e mostrou um grande número de fenótipos SL menos severos na progenia da geração T0 auto polinizada. É possível que a segregação destes sítios fracos de SL na geração F1 tenha causado o aparecimento do fenótipo normal observado.

Discussão

O número maior de lavouras com características modificadas eventualmente vai exigir sistemas que assegurem que as combinações genéticas nestas plantas sejam mantidas, e não facilmente transferidas para outras espécies ou para plantas nativas relacionadas. Portanto, não causa surpresa o fato de existir um esforço considerável para o desenvolvimento de métodos para a contenção de transgenes ou para a restrição do fluxo de genes em geral. Estas tecnologias podem ser divididas em tecnologias de restrição do uso de genética condicional, onde a contenção geralmente é obtida através da aplicação de um indutor químico (15-20) ou de métodos não condicionais que não exigem intervenção, como a restrição do transgene para a herança materna através do uso da transformação do cloroplasto. (21)

O sistema de repressão-depressão que descrevemos aqui é simples e pode oferecer um mecanismo para controlar a disseminação e o estabelecimento indesejável de traços modificados entre espécies de plantas sexualmente compatíveis, sem a necessidade de intervenção. O método tira vantagem do fato de que a maioria das plantações representa combinações específicas de genes, mantidas durante o cultivo. Combinando genes potencialmente conflitantes, como os transgenes, numa mesma combinação genética que seja nociva na ausência de um R, a combinação de transgenes será rapidamente eliminada de uma população nativa ou não cuidada, sem um sítio R administrado. O uso deste sistema em condições agrícolas típicas, onde a semente é colhida, novas variedades são semeadas e as plantações são alternadas, pode impedir o estabelecimento de traços modificados em populações involuntárias.

O sistema SL reprimível avaliado aqui é eficiente sob condições experimentais. No entanto, é óbvio que para uma aplicação bem sucedida no campo, o sistema deva ser otimizado. Durante a avaliação do sistema, não foi realizada nenhuma pré-seleção dos transformantes primários com relação a parâmetros como fenótipo, número de inserções ou número de sítios SL ou R. Isto, de certa forma, complicou a análise genética, mas por outro lado, ofereceu uma visão melhor das exigências mínimas necessárias para se alcançar a letalidade da semente e sua completa repressão após uma sucessão de cruzamentos. A análise dos dados apresentados aqui leva a várias conclusões sobre como o sistema pode ser otimizado. O parâmetro mais crítico é assegurar uma repressão severa. Num sistema ideal, apenas um sítio R e um sítio SL deveriam estar presentes, e portanto a eficácia do R e a atividade do promotor específico à semente devem ser otimizados, para que, quando combinados, funcionem de modo confiável. Isto pode ser obtido tornando os locais de ligação tetO e/ou o TETR mais eficazes. Por exemplo, a seqüência TOP usada neste estudo, mostrou em outros estudos, um nível basal de atividade baixo (22), e uma repressão mais severa foi obtida com graus mais altos de oligomerização dos locais de ligação R (23). Como o gene 1 é o componente chave para a letalidade, enfatizamos que deve ser usado um promotor específico à semente mais fraco e mais fácil de reprimir para a expressão do gene 1, já que o efeito SL foi tão claramente evidente com o promotor de phaseolina, principalmente em condições de solo.

Finalmente, para uma verdadeira contenção de todos os transgenes, a própria linhagem R, embora não deva oferecer nenhuma vantagem ou desvantagem genética, deve ser controlada também. Isto pode ser obtido usando-se um sistema de repressão dupla e associando-se um componente letal adicional à linhagem R (24). Em tal sistema de repressão dupla, é necessária a inserção específica das linhagens SL e R complementares nos mesmos cromossomas, para evitar a co-segregação do R e para se obter a segregação completa dos componentes SL e R durante os cruzamentos.

Em resumo, mostramos que o gene 1 e o gene 2 da Agrobacterium em combinação com os componentes tetO_tetR, regulando o promotor de phaseolina, podem ser usados para promover e reprimir a letalidade das sementes. Embora o sistema repressor bacteriano Tet tenha funcionado em plantas (7-9), nosso exemplo mostra um sistema repressor específico a tecidos com base no tet R. Será interessante observar se esta abordagem pode ser aplicada a outros promotores de plantas específicos a tecido ou induzíveis. O sistema apresentado aqui pode ser usado como modelo na questão do gerenciamento de transgenes e preservação de combinações genéticas específicas no geral.

Agradecemos ao Dr. C. Gatz por oferecer as linhagens e sementes de tabaco transformadas. As importantes contribuições dos Drs. G. Cardineau e M. Murray são também reconhecidas. Agradecemos também aos Drs. L. Foster e J. Singh pela leitura crítica deste manuscrito. Esta pesquisa foi financiada pela Dow Agrosciences Canadá e Agriculture and Agri-Food Canadá como parceiros do projeto MII.

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