COMISSÁRIO BYRNE DIZ QUE PROIBIÇÃO DE OGMs ESTÁ SENDO REVERTIDA 'DE MODO VAGAROSO MAS SEGURO'

European Report, 14 de Outubro de 2002

O Comissário de Proteção à Saúde e ao Consumidor David Byrne afirmou que a UE está revertendo a proibição dos organismos geneticamente modificados (OGM) de modo vagaroso, mas seguro. Falando após os debates sobre segurança alimentar no Conselho Agrícola em Luxemburgo, em 14 de Outubro, o Sr. Byrne deu um tom positivo à total ausência de acordos sobre a legislação que cuida da rotulagem e rastreabilidade de alimentos e rações geneticamente modificados (GM).

"Haverá uma reversão da moratória, o quando ainda não está claro, mas fizemos algum progresso hoje", ele disse. O Ministro francês Hervé Gaymard foi mais preciso e ressaltou que a aprovação da legislação da Comissão para regulamentar o setor não está automaticamente vinculada a uma reversão da proibição de 1999. "Haverá decisões políticas, mas elas só estarão na agenda daqui a nove ou dez meses", ele disse.

Durante o debate do Conselho, Ministros da Agricultura responderam a três perguntas feitas pela presidência dinamarquesa, mas não surgiram espaços para negociações ou acordos. O "dossiê difícil", nas palavras de um oficial da presidência dinamarquesa, está emperrado em três pontos chave: um procedimento de autorização centralizado ou nacional, o limite para a presença de OGMs não autorizados em alimentos e rações, e quando a rotulagem é necessária.

Visão política

A presidente atual, Mariann Fischer Boel, da Dinamarca, disse "que um progresso considerável" foi feito a nível técnico sobre o polêmico dossiê. Ela também reiterou seu compromisso de adiantar a agenda sobre segurança alimentar e espera que um acordo político possa ser alcançado no Conselho Agrícola de Novembro em Bruxelas. O objetivo da presidência de obter um acordo no Conselho Agrícola de Outubro foi motivado pelo fato de que a nova Diretiva de Aprovação Deliberada 2001/18, que regula a liberação de OGMs no meio ambiente, entra em vigor em 17 de Outubro.

Além disso, a UE está sob uma imensa pressão dos EUA para resolver o assunto, e há avisos contínuos sobre um processo na Organização Mundial do Comércio. Mas os Estados Membros não querem tomar uma decisão precipitada, embora uma porta voz da Comissão tenha ressaltado a existência de um "debate muito positivo". "As pessoas perceberam que o assunto deve ser abordado e é hora de tomar decisões concretas", ela disse. Mas o grupo lobista do meio ambiente Greenpeace diz que a Comissão está "enganando" o público, tentando aprovar as autorizações para OGM pela porta dos fundos. Também há alegações de que executivos da UE, principalmente a diretoria geral do comissário Byrne, esteja se curvando às pressões dos EUA.

Procedimento descentralizado de autorização?
Todos confirmam que a maioria dos Estados Membros quer um procedimento centralizado para autorização de OGMs, com a responsabilidade primária a cargo da Autoridade da Segurança Alimentar Européia (EFSA). Mas o Serviço Jurídico do Conselho diz que a unanimidade é a única regra legal aplicável. Reconhecendo que é praticamente impossível fazer com que 15 países concordem com pontos tão polêmicos, a presidência dinamarquesa colocou uma proposta na mesa, pela qual as empresas apresentariam seu pedido inicial às autoridades nacionais. Eles podem enviar para a EFSA para uma avaliação científica, e o dossiê volta ao estado membro, para que seja feita uma recomendação com base em opinião científica. Isto seria então enviado aos outros 14 países e à Comissão. Se um estado membro discordar, a Comissão pode tomar a decisão final. No caso de um procedimento centralizado, o pedido seria enviado diretamente à EFSA, e a Comissão prepararia o veredicto. Um oficial da presidência ressaltou que o processo descentralizado estaria sujeito a limites rígidos de tempo, para torná-lo tão eficiente quanto o processo centralizado.

A presidência dinamarquesa disse que os países não responderam à pergunta, mas quatro países - Espanha, Irlanda, Áustria e Dinamarca - disseram que aceitariam um sistema descentralizado de autorização. Isto está de acordo com as emendas do Parlamento Europeu, adotadas durante a primeira leitura em seção do plenário em Estrasburgo em 03 de Julho.

Debate sobre o limite para OGMs em alimentos e rações.
Um oficial da Comissão confirmou que os Estados Membros estão divididos quanto ao nível da presença acidental de OGMs não autorizados em alimentos. Os países que iniciaram a moratória de facto, como Áustria, Suécia e Itália querem limitar a presença acidental a 0,01 porcento em alimentos e rações.

Isto contradiz totalmente a sugestão da presidência de um limite de um porcento para um período de transição de três anos. França, Reino Unido, Irlanda, Espanha e Finlândia aceitam o compromisso, de acordo com um oficial da presidência. O principal objetivo aqui é permitir a entrada no mercado das 11 autorizações de OGMs bloqueadas. O comitê científico da Comissão deu sua opinião positiva em nove das onze; portanto, devem esperar a autorização para antes do final do ano. Por outro lado, um grupo similar de Estados Membros pode aceitar um limite de um porcento para OGMs autorizados, acima do qual a rotulagem seria obrigatória. Reino Unido, Finlândia, Portugal, Espanha, Holanda e França aceitam esta sugestão.

Preocupação de organizações ambientais
O Greenpeace está muito preocupado com o estado atual do dossiê. Ele diz que a definição de OGMs deveria ser retirada do texto, pois a legislação só deve ser aplicada a produtos feitos com OGMs. O oficial internacional de imprensa do Greenpeace, Lorenzo Consoli diz que a Comissão está tentando contornar o procedimento de autorização bem mais rígido na Diretiva de Aprovação Deliberada. Ele diz que é uma janela para cancelar a responsabilidade das empresas de biotecnologia and se opõe à decisão da comissão de criar um procedimento rígido numa lei, mas contorná-lo totalmente em outro documento. " Com a Diretiva 2001/18, um Estado Membro pode impedir a liberação ou comercialização de ração com OGM, mas a Comissão retém este poder na legislação sobre alimentos e rações GM", ele diz.

Além disso, o Greenpeace acusa a Comissão de preparar secretamente legislação sobre lavouras GM, excluindo qualquer colaboração do Parlamento Europeu e dos Ministros Ambientais. Uma delegação representando mais de 300 organizações ambientais, de agricultores e de consumidores, apresentou uma petição aos Comissários Byrne e Fischler, pedindo que mudem sua política. As organizações temem que, se uma Diretiva sobre Sementes for aprovada como está, permitindo entre 0,3% e 0,7% de OGMs não rotulados nas sementes, isso poderia resultar num aumento de lavouras com OGMs nos campos europeus.

 


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