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Sociedade
Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq) pede ao
governo política clara em relação aos organismos
transgênicos e à exploração
científica da biodiversidade.
Leia o texto
aprovado pela Assembléia Geral da XXXII Reunião Anual
da SBBq, realizada em Caxambu, MG, em 20/5
A Sociedade
Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular, congregando
cientistas que estudam os mais diversos aspectos das
manifestações de vida, vem a público
especialmente às autoridades governamentais para expor a
situação de constrangimento em que se encontram os
pesquisadores em face da ausência de uma clara política
de Estado em relação aos organismos transgênicos
e à exploração científica de nossa biodiversidade.
Os progressos
da Ciência no século XX mostraram à
exaustão que todos os organismos vivos - bactérias,
protozoários, fungos, plantas e animais - têm marcantes
características comuns que permitem a sustentabilidade da vida.
Este
padrão, que se caracteriza pela existência de enzimas
que promovem as reações básicas, tem a
superintendência do genoma.
As
técnicas modernas permitem que pedaços do genoma de um
organismo ou de uma espécie possam ser transferidos para outro
por via não sexual.
Desta forma,
é possível a uma planta ganhar resistência contra
a agressão de um inseto ou de um herbicida, permitindo o
aumento da produtividade.
A quimosina
recombinante é usada na fabricação de queijos no
mundo todo. Cada vez mais vacinas são produzidas por
organismos geneticamente modificados (OGMs).
Os
diabéticos se beneficiam da insulina fabricada em OGMs sem os
problemas antigos de rejeição a que estavam sujeitos
pelo uso de insulina de porco, bem como beneficiam-se com os
transgênicos os que dependem de hormônio de crescimento
evitando os riscos inerentes aos antigos extratos de hipófise.
Há
algum tempo OGMs vêm sendo utilizados na produção
de alimentos com vantagens evidentes e sem risco até hoje
detectado para a saúde humana ou o meio ambiente.
É
evidente que a introdução de um novo produto ou
medicamento para uso deve ser acompanhada de garantias de que ele
esteja isento de ações colaterais indesejáveis.
Assim como
há protocolos já estabelecidos para a
introdução de fármacos no mercado, também
deve haver para os produtos desenvolvidos com o auxílio das
técnicas do DNA recombinante.
No entanto,
esse tipo de experimentação deve obedecer a protocolos
definidos por métodos científicos rigorosos e não
pode ficar sujeito a opiniões sem fundamento e de cunho emocional.
Há uma
supervalorização de possíveis efeitos
deletérios de alguns OGMs. Embora vários e
respeitáveis fóruns internacionais tenham
reiteradamente se manifestado pela inocuidade dos OGMs, seria
importante que o Brasil tivesse uma política de apoio efetivo
e sistemático às suas organizações
dedicadas a essa área a fim de que tenhamos total controle na
produção de transgênicos, desde a sua
construção até a verificação de
seus possíveis efeitos sobre as pessoas e o meio ambiente.
Em respeito ao
consumidor somos favoráveis à rotulagem do produto
transgênico primário da mesma forma que é
rotulado o medicamento genérico, pois, a cada um cabe decidir
sobre o que adquirir.
Um outro
problema correlato são as leis que estão impedindo ao
cientista brasileiro o acesso à biodiversidade.
São
tantas as exigências e tão draconianas as
punições a que estão sujeitos os que estudam
microrganismos, plantas e animais que tememos pela continuidade dos
estudos de exploração da biodiversidade que poderiam
trazer aos brasileiros incontáveis benefícios.
Todos esses
contratempos e opiniões pouco fundamentadas acabam por
infundir na população suspeição e medo,
levando a uma percepção negativa e obscurantista das
Ciências Biológicas.
Por isso,
enfaticamente solicitamos às autoridades que, com o
auxílio indispensável dos cientistas, estabeleçam
uma política nacional sobre a pesquisa com microrganismos,
plantas e animais transgênicos, bem como com a biodiversidade,
de forma a evitar que a pesquisa biológica no país seja
imobilizada e cuja conseqüência será o
insanável atraso estratégico que poderá custar
caro às futuras gerações.
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