|

Prioridades
do setor biotecnológico chinês:
As
áreas prioritárias de investimento na China são
a biologia básica, a biomedicina, a
bioagricultura,
a tecnologia bioambiental, a biodiversidade e a biossegurança.
As tecnologias chaves são: o genoma funcional, a
proteinologia, os biochips; a engenharia de tecidos, animais e
plantas como biorreatores; vacinas e fármacos geneticamente
engenheirados, os diagnósticos e tratamentos genéticos,
a tecnologia transgênica de animais e plantas, os
biopesticidas, os biofertilizantes e a biossegurança.
Características
da biotecnologia chinesa:
A
China é um dos países com maior
concentração de biodiversidade e recursos
genéticos do planeta, com um vasto território que varia
entre zonas frias, temperadas e tropicais. A variabilidade
topográfica e ambiental propicia grande riqueza
biológica. De acordo com algumas estatísticas
incompletas, a China tem aproximadamente 0,26 milhões de genes
de animais, plantas e microorganismos, incluindo mais de 30.000
espécies de plantas, 200.000 espécies de animais e
30.000 espécies de microoganismos. O continente asiático
é um importante centro de origem e de diversidade
genética da maioria das culturas agrícolas, como o
arroz, a soja, o trigo, vegetais e frutas. A China dispõe hoje
de um banco com cerca de 3.000 famílias chinesas catalogadas e
relacionadas à maioria das doenças.
Atualmente,
a China conta com 200 grandes laboratórios de biotecnologia,
subsidiados pelo governo, com mais de 20.000 pesquisadores. A maioria
de suas universidades possuem departamentos de biotecnologia e de
ciências da vida.
A
Biotecnologia na agricultura chinesa:
A
tecnologia de hibridação de duas espécies de
arroz é amplamente difundida em todo território,
conduzindo a uma variedade internacionalmente utilizada. Obtidas pela
biotecnologia moderna, a China já planta comercialmente seis
plantas transgênicas, tais como o algodão resistente a
pragas, o tomate longa vida, o tomate resistente a vírus, a
pimenta doce resistente a vírus e a petúnia com
coloração alterada. A China tem, em fase de
desenvolvimento, um arroz modificado geneticamente onde 4 genes
são inseridos (resistência a infecção
bacteriana, resistência a insetos e resistência a
herbicidas), o qual pretende começar a comercializar em, no
máximo, dois anos. Além disso, o país possui
produtos de segunda geração, como milho com elevado
teor de lisina, para uso como ração animal. Todos os
produtos, antes de serem liberados para plantio e
comercialização, são avaliados pela
Comissão de Biossegurança da China, vinculada ao
Ministério da Ciência e Tecnologia, conforme a Lei de
Biossegurança do país.
A
China, atualmente, é o segundo país com propriedade
intelectual autônoma no campo da transgenia do algodão
resistente a pragas e na produção comercial deste
produto transgênico (2 milhões de hectares plantados em 2001).
A
China desenvolveu a procriação de vários
animais transgênicos, tais como porcos, carneiros, vacas e
peixes, dentre outros.
No
campo da biofertilização, a China possui uma linha de
produção de 10.000 toneladas de bactérias
transgênicas fixadoras de nitrogênio, utilizadas na
fertilização das principais culturas agrícolas
da China. Cinco preparações microbianas
transgênicas, tais como vacinas animais e 3 biopesticidas em
preparações microbianas com gene trans-Bt, já
estão sendo comercializados na China.
A
Biotecnologia no setor farmacêutico chinês:
Existem
cerca de 150 tipos de produtos biológicos farmacêuticos
em fase de pesquisa clínica. Mais de 20 tipos de produtos
farmacêuticos biológicos obtidos pela engenharia
genética, tais como o interferon, já estão em
comercialização. No ano de 2002, as
vendas
do setor farmacêutico totalizaram mais de 3
bilhões
de dólares, o que representa mais de 100 vezes o montante dos
últimos 14 anos no país.
A
Biotecnologia no meio ambiente e na geração de energia:
O
governo chinês ainda não introduziu a biotecnologia no
processo produtivo do álcool, mas as pesquisas na
produção do bioquerosene já estão
bastante avançadas, bem como a aplicação da
biotecnologia no controle da poluição ambiental, com o
uso de microorganismos geneticamente modificados nos processos de biorremediação.
Impactos
do uso de culturas transgênicas na China:
O
trabalho realizado pela equipe do Dr. Jikun Huang, da Academia de
Ciências da China, concluiu que a adoção da
biotecnologia agrícola na China tem levado a um significativo
impacto positivo, trazendo benefícios econômicos e para
a saúde, sobretudo de pequenos agricultores. A pesquisa
apresentada durante o Simpósio de Biossegurança em
Beijing resulta da análise no período de 3 anos do
impacto do algodão Bt em 283 fazendas nas províncias de
Hebei e Shandong.
A
introdução da transgenia na cultura do algodão
na China se deve a três fatores principais limitantes da
agricultura chinesa:
o
crescente uso de pesticidas devido ao aumento de resistência
na cultura e, conseqüentemente, a elevação do
custo de produção;
o
elevada toxicidade dos pesticidas utilizados, gerando grande
número de casos de intoxicação e até a
morte dos trabalhadores rurais;
o
elevada degradação ambiental, devido ao grande uso de
pesticidas e a erosão dos solos cada vez mais inférteis.
Os
estudos de Huang demonstraram que os agricultores que utilizaram
variedade de algodão Bt tiveram uma produtividade entre 6 a
10% maior do que os cultivos de algodão convencional.
Atualmente, estão sendo desenvolvidas novas variedades de
algodão Bt que darão uma produtividade ainda superior
as que atualmente estão no campo.
No
que diz respeito ao uso de pesticidas, as fazendas de algodão
transgênico estudadas apresentaram uma redução de
24 a 63 Kg por hectare no uso de pesticidas. Embora o custo das
sementes do algodão Bt seja superior ao das sementes
convencionais, o custo total de produção com o cultivo
Bt é significativamente menor (representando um lucro de 170
dólares/hectare, quando comparado com a lavoura convencional)
do que com o algodão convencional, particularmente devido a
redução no uso de defensivos agrícolas e na
redução do tempo de trabalho nessas lavouras.
Dados
semelhantes foram apresentados pelo Dra. Linda Hall, da Universidade
de Alberta, no Canadá, que avaliou em seu estudo os impactos
ambientais da canola resistente a herbicida naquele país. Seus
estudos demonstraram que a introdução da canola
transgênica reduziu em 6.000 toneladas/ano o uso de herbicidas
e propiciou uma menor erosão e uma maior fertilidade do solo.
Foram observados raros efeitos
negativos
devido ao fluxo gênico da variedade de canola
transgênica, sem conseqüências ambientais relevantes
que justificassem não optar pelas culturas transgênicas.
Com
relação ao número de envenenamentos dos
trabalhadores rurais, os estudos do Dr. Huang demonstram que 500
trabalhadores morrem por ano de envenenamento e entre 85 a 95 se
contaminam diariamente com pesticidas na China. O percentual de
trabalhadores envenenados nas lavouras de algodão Bt no ano
2000 foi de zero, enquanto que, nas lavouras convencionais, 30% dos
trabalhadores foram envenenados naquele ano.
Conclusões
e perspectivas da biotecnologia moderna na China:
A
adoção da biotecnologia moderna na China nos
últimos 5 anos tem demonstrado que a biotecnologia tem
ajudado, sobretudo, ao pequeno agricultor, reduzindo os custos de
produção, diminuindo problemas de saúde,
minimizando problemas ambientais derivados do processo
agrícola, elevando a produtividade e aumentando o ganho
econômico global do país.
A
projeção de cenários feita pelos cientistas
chineses aponta para uma situação bastante
favorável da economia chinesa para o ano de 2010, quando a
estimativa de ganho econômico neste setor chegará a 5
bilhões de dólares ao ano, considerando apenas a
prospecção dos ganhos do setor agrícola com as
culturas de algodão e arroz transgênico.
Como
desafios a serem enfrentados, encontram-se a percepção
pública negativa para a plena adoção desta
tecnologia, sobretudo nos países para os quais a China
exporta, e a necessidade de serem aprimorados os procedimentos de
biossegurança, de modo a garantir a preservação
da megabiodiversidade e o desenvolvimento sustentável do país.
Como
prioridades de investimento no setor, a China visará o
melhoramento de microorganismos para maior produtividade
agrícola, o uso de microorganismos geneticamente modificados
para descontaminação ambiental, o desenvolvimento de
culturas transgênicas mais produtivas, de culturas
agrícolas com maior teor nutritivo e o desenvolvimento de
vetores transgênicos para o controle de pragas agrícolas
e doenças humanas, além de, é claro, um forte
investimento na produção dos biofármacos e das
vacinas recombinantes.
|
A
biotecnologia é a grande prioridade mundial da pesquisa e do
desenvolvimento tecnológico deste milênio. A economia
gerada pela biotecnologia é o novo referencial de crescimento
da economia mundial. A economia gerada por produtos geneticamente
modificados no mundo cresceu de 75 milhões de dólares
em 1996 para 95 bilhões de dólares em 2000.
A
China, grande potência mundial em desenvolvimento, com uma
população de 1,3
bilhões
de habitantes, é um dos países com maior crescimento
econômico nos últimos 20 anos. O Governo Chinês
reconhece que Ciência e Tecnologia são a força
motriz que propicia o rápido e sustentável
desenvolvimento econômico e, para tanto, tem se empenhado em
apoiar o desenvolvimento da biotecnologia e sua
industrialização como prioridades para o
desenvolvimento econômico do país.
A
Academia de Ciências da China e a Sociedade Internacional de
Biossegurança organizaram, no período de 10 a 16 de
outubro de 2002 na cidade Beijing, o Simpósio Internacional de
Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados. Durante
o Simpósio, cerca de 300 cientistas e de mais de 30
países apresentaram seus estudos sobre impactos ambientais,
sócio-econômicos e sobre a segurança dos OGMs,
empregados comercialmente no mundo. Neste relatório,
procuraremos resumir parte desta notável experiência que
tivemos a oportunidade de vivenciar como únicos representantes
do Brasil no evento, e também incluir um resumo do elenco das
apresentações realizadas no Simpósio, bem como
da visita a plantios de culturas transgênicas em algumas
províncias chinesas, além da coleta de dados sobre a
experiência dos pequenos agricultores que há 5 anos
realizam o plantio dessas culturas na China.

|
|