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Os
resíduos sólidos significam hoje um grande problema
para a saúde pública e para o meio ambiente. Estes
resíduos poluindo rios, praias e, até mesmo,
lençóis freáticos, comprometem a qualidade da
água consumida pelo Homem e também pelos animais. As
enchentes, que assolam principalmente as grandes cidades, encontram
nos resíduos sólidos um forte aliado para continuar
fazendo vítimas e trazendo prejuízos para toda a
sociedade. Equacionar o problema dos resíduos sólidos
é possível, a partir do momento em que haja a
conscientização efetiva da sociedade e do governo para
este problema. Quanto mais tempo sociedade e governo demo-rarem a se
conscientizar de que os resíduos devem ser tratados como um
problema de saúde pública, e de que é menos
oneroso evitar a destruição do meio ambiente do que
remediá-la, piores serão as condições de
vida para toda a população.
Hoje,
no Brasil, a produção diária de resíduos
sólidos é de, aproximadamente, 125 mil toneladas, e
apenas 20% destes tem o seu destino final em aterro sanitário.
A produção per capita é de 1 kg diária,
sendo que, na região sudeste, esta produção
chega a 1,82 kg. Para cada segmento da sociedade, há,
qualitativa e quantitativamente, diferenças de resíduos gerados.
Para
se implantar uma política adequada que venha efetivamente
minimizar os efeitos maléficos dos resíduos para o meio
ambiente e também para a saúde pública, devemos
pensar na implantação de um gerenciamento de
resíduos sólidos. E, para que se tenha um gerenciamento
de resíduos sólidos bem-sucedido, primeiramente temos
de conscientizar toda a sociedade da importância do
gerenciamento, para que ela se torne parte integrante neste processo,
pois os indivíduos dessa sociedade são os produtores de
resíduos, e sem a participação deles não
haverá sucesso no gerenciamento.
A
reciclagem dos resíduos é cada vez mais importante
sobre vários aspectos. Tanto os aterros sanitários como
os lixões têm a sua vida útil, ou seja, um limite
máximo para receber os resíduos. O que se sabe é
que esta vida útil é inversamente proporcional à
quantidade de resíduos que neles são despejados. Um
outro aspecto da importância em se reciclar os resíduos
é o de que 73% de apenas cinco itens (lata de alumínio,
vidro, papel, lata de aço e plástico) que o nosso
país deixa de reciclar, perde-se (joga-se no lixo) uma soma
apro-ximada de R$ 4,6 bilhões por ano.
A
preocupação maior recai sobre os resíduos
sólidos de serviços de saúde, que são os
gerados por qualquer unidade que execute atividades de natureza
médico-assistencial humana ou animal, centros de pesquisa,
desenvolvimento ou experimentação na área de
farmacologia e saúde, medicamentos e imunoterápicos
vencidos, deteriorados ou parcialmente utilizados, necrotérios,
funerárias e serviços de medicina legal, e
também provenientes de barreiras sanitárias. Estes
resíduos são classificados em quatro grupos, a saber:
grupo A resíduos de natureza biológica e os pérfuro-cortantes;
grupo B os de natureza química;
grupo C rejeitos radioativos; e
grupo D são aqueles resíduos que não se
enquadram em nenhum dos grupos acima, ou seja os chamados de
resíduos comuns.
Esta
classificação é importante em todas as etapas
do gerenciamento desses resíduos, pois é a partir dela
que segre-gamos, acondicionamos e identificamos estes resíduos.
Existem
etapas importantes na elaboração do programa de
gerenciamento de resíduos sólidos de serviços de
saúde, como: reconhecer as fontes geradoras dos
resíduos; identifi-car e classificar todos os tipos de
resíduos por fonte geradora ou setores e serviços
envolvidos; rotinizar condutas para se-leção, coleta e
transporte dos resíduos, classificando-os conforme as normas
técnicas que foram estabelecidas e a legisla-ção
vigente, contemplando periculosidade, volume e recicla-gem; definir
atribuições aos diversos serviços e setores
en-volvidos, com a operacionalização do programa em
cada uma das suas diferentes etapas do gerenciamento dos resíduos.
Após
estes estudos preliminares, dever-se-á esclarecer a toda a
comunidade sobre as etapas do gerenciamento interno dos
resíduos, ou seja, a segregação, que é a
separação dos resíduos no momento e local de sua
geração, acondicionando-os imediatamente, de acordo com
a sua espécie e grupo. Em seguida à
segregação vem o acondicionamento desses
resíduos, que é ato contínuo à sua
geração, em reci-pientes que não possibilitem
rupturas e nem vazamentos. Nas etapas da segregação e
do acondicionamento devemos estar atentos para a possibilidade de se
ter o processo de reciclagem para os resíduos pertencentes ao
grupo D. Neste processo é padronizado o uso de sacos
plásticos impermeáveis e transparentes, de cor clara,
excetuando a cor branca. As lixeiras que suportam estes sacos
deverão ser identificadas por expressão e cor, como a
seguir: papéis azul, metais amarela, vidros
verde, plásticos vermelha, resíduos
orgânicos marrom e refugo preta. Para os
resíduos pertencentes aos grupos A, B e C, a cor das lixeiras
e dos sacos plásticos que estarão contidos dentro delas
deverá ser branca-leitosa. Existe a necessidade de se
identificar lixeiras e sacos plásticos, com expressão e
símbolo, para aqueles que contenham resíduos do grupo A
Resíduo Biológico, do grupo B Resíduo
Tóxico e do grupo C Rejeito Radioativo.
A
prática, não recomendada, de descarte de material
pérfuro-cortante diretamente em saco plástico
representa uma das importantes causas de acidentes, com
conseqüências desastrosas, principalmente para os
profissionais responsáveis pelo recolhimento desses
resíduos. Procedimentos como descartes de material pérfuro-cortante
em recipientes apropriados que não possibilitem rupturas e
nem vazamentos diminui os riscos desnecessários de acidentes
com estes resíduos. Respeitar o limite de enchimento destes
recipientes também é uma prática conhecida como segura.
É
importante adotar algumas condições para a coleta e
transporte internos para os resíduos, como: preestabelecer
fluxos exclusivos e definidos em função do volume de
resíduos gerados. Estes fluxos deverão manter
constância de horário, sentido único e fixo,
evitando assim cruzamento com outros, e serem sempre realizados por
equipe própria para este serviço; as lixeiras
deverão possuir tampas acessadas por pedal e identificadas por
cor, expressão e símbolo, lavadas e desinfeccionadas
pelo menos uma vez por semana. É importante saber que
não se deve despejar o conteúdo da lixeira em outro
reci-piente. Os carros de coleta interna de resíduos
deverão ser de uso exclusivo para este fim.
Estudos
demonstraram que alguns patógenos sobrevivem por muito tempo
na massa do lixo. Motivado por estes estudos, e com a finalidade de
eliminar as características de periculosidade dos
resíduos, preservar os resíduos naturais e o
atendimento aos pa-drões de qualidade ambiental e de
saúde pública, é que está indicado o
tratamento dos resíduos pertencentes ao grupo A previamente ao
seu lançamento no solo. Estes tratamentos poderão ser
por calor úmido, calor seco ou microondas.
A
destinação final de todos os resíduos
sólidos, ecologicamente aceita, é em aterro sanitário.
O
processo de tratamento de efluentes industriais gera um
resíduo sólido (lodo), que geralmente é disposto
num aterro industrial, o que pode acarretar ao longo do tempo, danos
ao meio ambiente. A tecnologia de conversão à baixa
temperatura tem sido estudada em escala laboratorial como alternativa
tecnológica para o reaproveitamento do lodo residual gerado,
obtendo a partir dele carvão, óleo e gás, todos combustíveis.
Uma
outra tecnologia que vem sendo estudada é a Pirólise,
que é um processo que tem como principal
aplicação o tratamento e a destinação
final do resíduo sólido, sendo energeticamente
auto-sustentável não necessitando de energia externa. O
processo de pirólise pode ser gene-ricamente definido como
sendo o de decomposição química por calor na
ausência de oxigênio, e que produz mais energia do que
consome. A Pirólise não pode substituir os aterros
sanitários, mas pode diminuir em muito o volume de
resíduos enviados para estes.
Hamilton
Coelho é docente da Fiocruz e do Exército. |