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Orlando Zancanaro Júnior
zancarj@usp.br

Os maiores riscos de acidentes envolvendo substâncias químicas em Instituições de Ensino e Pesquisa estão relacionados ao gerenciamento incorreto dos químicos classificados como perigosos, e por isso abordaremos neste e em alguns dos próximos números essa questão, indicando alguns procedimentos simples, viáveis e de baixo custo, mas de grande importância para diminuir os citados riscos, e assim colaborar no cumprimento das funções fundamentais das Universidades e Institutos de Pesquisa na preservação ambiental e proteção da saúde pública.

O setor produtivo tem-se preocupado muito com o gerenciamento correto desses materiais porque a legislação e a fiscalização tem-lhes sido implacável e também porque o público consumidor está de olho e recusa produtos cujo processo produtivo tenha sido sujo ou ecologicamente incorreto. As Uni-versidades e Institutos de Pesquisa estão deixando de lado uma certa imunidade que parecem possuir, revendo o conceito de que são pequenos geradores(porém de algumas substâncias perigosíssimas!!!), e também se adequando a essa nova realidade, ou seja, a gestão correta de substâncias químicas classificadas como perigosas, desde a aquisição até a eliminação final. Somente assim, o setor acadêmico e de pesquisa poderá atender seus clientes com a consciência tranqüila e poder continuar avaliando e acusando o setor produtivo quando este for responsável por acidentes químicos com `danos ambientais ou à saúde pública.

Numa hierarquia de prioridades, iniciaremos abordando a questão dos passivos químicos. Podemos definir, em linguagem simples e objetiva, como sendo passivo todo aquele material químico que se encontra estocado nas dependências da Instituição e que não participa das atividades rotineiras de trabalho no local, por um período superior ao considerado normal pelo pessoal técnico responsável, em função das características próprias de cada ambiente de trabalho.

Também de forma simplificada e para efeito didático, torna-se útil agrupar os passivos químicos em:

1) IDENTIFICADOS
2) NÃO IDENTIFICADOS
3) MISTURADOS/CONTAMINADOS

A primeira medida que sugerimos é isolar qualquer tipo de passivo para evitar que sirva de semente para geração de mais passivo, ou seja, para evitar o seguinte comportamento: - O que faço com este resto? - Ah, joga lá junto, naquele canto!!! Além disso, o isolamento do passivo diminui riscos de acidentes já que ali ocorrem as maiores probabilidades de se encontrarem embalagens deterioradas que podem propiciar as temíveis misturas de reagentes incompatíveis e com potenciais de formarem compostos tóxicos, inflamáveis, explosivos, etc. Voltando à classificação proposta, indicamos alguns procedimentos visando economia e segurança:

1) IDENTIFICADOS:

a) Procurar esgotar as possibilidades de aplicação dos 3 Rs (recuperar, reutilizar, reciclar);
b) Disponibilizar a outros laboratórios, dentro e fora da Instituição;
c) Disponibilizar em bolsas de resíduos para doação, permuta etc. (estão sendo criadas várias, industriais e acadêmicas.)

2) NÃO IDENTIFICADOS:

a) Tentar identificá-lo e transformá-lo em tipo 1;
b) Em função da quantidade, aparência, estado de conservação, tipo de embalagem, etc., tentar os caminho b e c do tipo 1.

3) MISTURADOS/CONTAMINADOS:

a) Misturas ou contaminações passíveis de separação, descontaminação ou aplicação dos 3 Rs. Exemplos:

a1- Misturas de ácidos inorgânicos podem ser utilizadas para neutralizações de bases para descarte e vice-versa.
a2 - Misturas de solventes podem ser fracionados por destilação e voltar para laboratórios ou mesmo para diminuir o custo de incineração.
a3 - Solventes contaminados com metais pesados podem ser recuperados por destilação ou precipitação do íon metálico.
a4 - Misturas de bases alcalinas com materiais orgânicos gordurosos, sais minerais etc, podem ser utilizadas para manufatura de sabões.

b) Misturas ou contaminações inviáveis para separação ou aplicação dos 3 rs.

Esgotadas as possibi-lidades sugeridas nos ítens citados para os tipos 1, 2 e 3 de passivo químico e mesmo outras não citadas neste artigo, produto do conhecimento específico de cada um de nós (cuja troca de experiências é extremamente importante), o material pode ser considerado como resíduo químico (não tem mais qualquer valor agregado) e deve ser incinerado ou enviado para disposição final num aterro químico industrial. Como o procedimento legal exigido para incineração ou deposição em aterro químico é, em muitos casos, complicado, demorado e caro, é aconselhável o acondicionamento (emergencial, como me-dida de segurança provisória) do material em recipientes adequados(normalmente polie-tileno de alta densidade, até 30 litros) e a estocagem desses contêineres em local de baixa circulação, temperatura amena e ventilado (porões). A utilização de apassivadores químicos (como areia seca, areia seca e cal, vermiculite - mais cara, etc.) para acomodar as embalagens originais do material químico a ser segregado aumentam a segurança, por absorverem choques e também por neutralizarem (ainda que parcialmente) possíveis vazamentos. Finalmente, devemos rotular esses recipientes com o maior número de informações e cuidar pela impermeabilização do rótulo. Quando todas as condições e normas para eliminação definitiva forem conseguidas, esse material poderá ser enviado como se encontra ou retirado e reembalado em condições mais econômicas (eliminação da areia, por exemplo). Esse conjunto de procedimentos aumenta a segurança e previne desperdícios, de forma relativamente simples, viável e econômica.

O Prof. Orlando Zancanaro faz parte da Comissão de Biossegurança da USP

Armazenamento inadequado de passivo

Passivo acondicionado visando segurança química

Universidade de Cambrigde confere medalha à ANBio

A dra. C. Cockcroft, cientista do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Cam-bridge, visitou vários institutos de pesquisa e empresas de biotecnologia em vários países da América Latina. Seu objetivo é conhecer o atual desenvolvimento das pesquisas na área de biotecnologia agrícola, as necessidades de cada país e como os avanços biotecnoógicos podem auxiliar os países do mundo agrícola a se desenvolver. Du-rante sua visita ao Brasil, premiou a ANBio com a coroa comemorativa do Winston Churchill, pela sua colaboração excepcional para o seu projeto.

Coroa Comemorativa Winston Churchill



Este é mais um reconhecimento de nosso trabalho pela comunidade internacional


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