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Jornal da ANBio: As safras de engenharia genética podem ajudar os produtores em paises em desenvolvimento? Quais são os benefícios da biotecnologia moderna para os consumidores?

Tecnologicamente sim, definitivamente: oferece a possibilidade de resistência à seca, vitaminas, nutrientes, produtividade. Economicamente e socialmente: sim ou não, dependendo das condições de acesso.

O que você vê como o futuro da biotecnologia na agricultura?

Alteração das características de qualidade na agro-alimentação e produção bio, mais materiais e armazenamento de genes

Quais são os efeitos sócio-econômicos da adoção ou não da engenharia genética nas safras para o país e no mercado internacional?

Para o Brasil, haveria a otimização da produtividade na agricultura, competitividade, possivelmente alguns benefícios ao consumidor, menor dependência de importação de milho; melhoria na posição comercial, dependendo da habilidade para garantir a natureza GM ou não GM nos embarques; isto se torna um problema, especialmente para os embarques para os Estados Unidos, um grande cliente com fortes exigências de identificação; a aprovação oficial se torna essencial porque irá facilitar o estabelecimento de um sistema de controle efetivo para o mercado internacional: posição reforçada de comercialização com companhias multinacionais. Tudo isso geraria um mercado duplo GM e não GM, o que torna mais complexa a análise de preço e as implicações de quantidade. Nos EUA, deveria haver uma pequena diminuição de preço e quantidade para os substitutos dos produtos de soja GM e um pequeno aumento de produtos animais.

Por que existe uma preocupação entre alguns políticos, grupos de interesse e consumidores? Por que acontece especialmente na Europa? Como isso afeta a comercialização no resto do mundo? O que acontece quando se deseja comercializar derivados de comida, alimentação ou safra GM? Como é visto em relação ao dilema da alimentação GM na Organização Mundial do Comércio? (OMC)? Poderia o Protocolo de Cartagena desnecessariamente causar algum dano ao comércio internacional? O que poderia ser feito para prevenir?

Muitas perguntas! A União Européia teve muitas preocupações com a alimentação nos últimos anos, o que gerou a perda de confiança na indústria, no governo, na ciência. Os ativistas verdes se saíram bem na comunicação e mal nas multinacionais.

O impacto da regulamentação da União Européia no comércio não deveria ser tão significativo, porque a soja, o maior commodity comercializado, é mais utilizado na alimentação; os produtos animais não necessitam de rótulo legal; óleo de soja é facilmente substituído.

O que você pensa sobre a propriedade industrial no campo da moderna biotecnologia? Quais são as preocupações relativas aos aspectos comerciais TRIPS dos direitos de propriedade intelectual?

Os genes não deveriam ser patenteados. Por outro lado, é aceitável patentear um método para inserir ou expressar um gene.

Por que há certos grupos preocupados com o controle de poucas companhias multinacionais sobre o desenvolvimento se safras GM? Você acredita que isto vai mudar no futuro? O que você sugere para mudar isto?

Esses grupos suspeitam de que, com o controle das multinacionais da cadeia de alimentação, o mercado se tornará monopolizado ou oligopolizado, com todos os aspectos perversos. Como conseqüência, as multinacionais irão minimizar as medidas de aversão ao risco e não cuidarão dos efeitos ambientais a longo prazo. A maximização da renda e estratégias de captação de valor irão prevenir que os grupos ou países de baixa renda de acessar a tecnologia ou irão contribuir para destruir os padrões sustentáveis da agricultura tradicional e irão aumentar sua dependência do comércio internacional que eles vêm como um jogo de perdedores.

Podem coexistir as produções orgânicas, tradicionais e de engenharia genética?

Sim ou não, dependendo de fatores como: padrões e princípios; safras e terras; índice de penetração da tecnologia gm; rapidez da penetração da tecnologia gm; definição de responsabilidade e esquemas de cobertura.

Você acredita que é imoral cruzar as barreiras da genética entre as espécies?

Não em si; a natureza a faz, nem sempre com efeitos danosos. Além do mais, as "espécies", nem sempre é um conceito ambíguo. Entretanto é claro que a biotecnologia pode criar características bastante poderosas que podem interagir em diversos caminhos. Isso vai muito além da criação clássica e deve ser feito com muita responsabilidade!

Na sua opinião, quais são os lados positivos e negativos da clonagem humana? Quais são os problemas éticos relativos a esse assunto? O que você pensa acerca da pesquisa de célula-tronco, de sobra de embriões, (ou seja, embriões que não podem ser implantados no útero das mulheres)?

O principal ponto positivo é o progresso na medicina em geral; o seu lado negativo é o risco de comércio ilegal, cientistas loucos, eugenia, etc&ldots;

O que você acha do Princípio da Precaução? Você acha que há um problema devido a diferenças nas interpretações?

É um princípio muito importante. Deve estar implantado antes que haja maiores desenvolvimentos em energia e ciência dos materiais. Mas é muito difícil de se definir em termos práticos e de se implantar, podendo ser seqüestrado para utilização de causas estranhas. Deve ser contornado por outros princípios como a proporcionalidade

Você acredita que a biotecnologia agrícola trará algum dano à biodiversidade? A agricultura biotecnológica faz algum mal ao ambiente? E sobre os animais que não são os alvos? O que poderia ser feito para prevenir o dano causado pela tecnologia GM?

Uma maior ameaça à biodiversidade não é a biotecnologia em si, mas a agricultura industrial e intensiva. O desafio é desenvolver uma biotecnologia compatível com a biodiversidade, esquemas de agricultura amenos, e.g. no espórito da reforma CAP da EU. Mas isto não é honesto!

É verdade que as safras resistentes a herbicidas acabem aumentando a quantidade de herbicida que é pulverizada pelos campos? O senhor acredita que o uso cada vez maior de safras transgênicas no mundo irá induzir especialmente o desenvolvimento de resistência a herbicida?

Não deveria, mas poderia ser dessa forma, porque os fazendeiros verão a resistência a herbicida como uma forma de trocar o trabalho por herbicida. Isso será um efeito perverso de agro-biotecnologia. Os fazendeiros precisam ser educados. Benchmark não é a quantidade de herbicida, mas a quantidade de resíduo tóxico; o ideal seria desenvolver uma característica de resistência a herbicida contra herbicidas TUB (taxa ultra baixa) como sulfonylureas.

Você acha que a biotecnologia causa risco aos seres humanos? O que você pensa sobre a plantação orgânica? Muitas pessoas pensam que é mais sadia para o consumo humano e para o ambiente, é verdade?

Ingredientes de plantas com biotecnologia são testadas tão profundamente quanto as "tradicionais". Não se sabe de problemas alérgicos, cancerosos ou outros toxicológicos ligados com ingredientes de biotecnologia; algumas plantas (i.e. soja + gene da noz brasileira) suspeitos de alergia potencial foram retirados. Toda a evidência conhecida sugere que os resíduos de pesticida são um risco muito maior do que os genes atuais e recentes.

Como você compara a avaliação de risco, gerenciamento de risco e decisões na liberação de GM e a comida tradicional derivada? Elas passam pela mesma análise e regras rígidas? Isso é um possível problema?

A análise de risco é igualmente séria para alimentação GM e não GM. A abordagem é, entretanto, fundamentalmente diferente nos Estados Unidos e na União Européia. Entretanto, os Estados Unidos se baseiam na equivalência de substâncias, a União Européia visa o processo na avaliação de risco.

É verdade que não estão sendo usados organismos geneticamente modificados para alimentação ou comida na Europa?

Não.

Você acredita que as pessoas têm conhecimento dos produtos derivados da moderna biotecnologia disponíveis no mercado? Quais são os produtos que as pessoas podem ter usado sem conhecimento ou preocupação? Por que há um medo específico ou campanha induzindo ao medo contra as safras transgênicas?

Nos Estados Unidos, os consumidores não entendem as técnicas de segurança da alimentação. Eles reagem às más notícias e não confiam nem na indústria nem no governo: apenas - quando eles se preocupam - consumidores e grupos ativistas verdes. No entanto, as opiniões e o comportamento de compra não tem nenhuma relação.

Quais são as diferenças na aceitação pública entre países diferentes? Por quê? Quais são as atitudes tomadas no seu país para informar/esclarecer a população sobre suas preocupações relativas à biotecnologia moderna?

Nos Estados Unidos, há uma divergência entre o Norte e o Sul: a opinião do Norte tende a ser mais de preocupação com a segurança e o ambiente do que no Sul.

Numa escala de diminuição de oposição à alimentação GM: França, Alemanha e Espanha.

A Dra. Lúcia de Souza é Ph.D. em Bioquímica na Suíça. Pós-graduada em Marketing no México.

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