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A falta de
informação do público leigo nas áreas de
vanguarda da ciência é evidente. A rapidez como a
ciência tem evoluído nas últimas décadas
não tem permitido que o público se inteire e entenda os
avanços científicos que são transformados em
produtos encontrados no mercado. A biotecnologia é
exceção neste sentido. Uma pesquisa realizada
recentemente nos Estados Unidos revelou isto de forma contundente. Em
um questionário realizado com o público leigo foi
solicitado que o entrevistado dissesse se a afirmativa Tomates
transgênicos possuem genes enquanto os
não-trangênicos não os possuem. Para a espanto do
pesquisadores, mais de 70% dos entrevistados indicaram que a
afirmativa estava correta. Só com a popularização
da ciência o público poderá entender,
familiarizar e aceitar os avanços científicos de forma
natural. Considerando que a população é
heterogênea e composta de pelo menos três sub-grupos:
conservadores, progressistas, e aqueles que adotam progressivamente
as novas tecnologias, é de se esperar que as tecnologias mais
polêmicas possuam sempre os céticos que não
acreditam nos seus benefícios. Destarte, somente a
publicação dos resultados da pesquisa em um
vernáculo que os leigos possam entender poderá
contribuir para a popularização da ciência. O
novo e o incompreendido geram receio, pois desafiam ao homem
transitar por avenidas antes desconhecidas.
Existem outros
motivos que devem estimular aos cientistas a divulgação
das informações técnico-científicas
geradas. Um dos primeiros aspectos a ser valorizado é que
divulgação é a socialização
conhecimento. O segundo aspecto é que há necessidade de
que o conhecimento seja registrado para sua perpetuação
e a construção do conhecimento humano.
O terceiro
ponto é que escrever é uma habilidade desenvolvida como
qualquer outra. Ou seja, quanto mais se escreve mais habituados se
torna com esta prática.
A
divulgação técnico-científica pode ser
realizada em periódicos científicos, livros e
também em meios de comunicação cujo
público alvo seja o leigo ou cidadão comum. A seguir
faremos considerações a respeito de cada um destes
veículos de divulgação.
Divulgação
de Trabalhos Científicos Artigos Científicos
Os artigos
científicos objetivam atingir aos estudantes, professores e
pesquisadores de uma maneira geral. A maioria dos cientistas possui
estímulo suficiente e publicam nesta categoria.
A capacidade
de síntese dos procedimentos realizados e dos resultados e
conclusões obtidos é um dos maiores desafios que os
cientistas enfrentam para de forma concisa e fidedigna relatar seus trabalhos.
Publicação
de livros
Os livros
são importantes veículos de divulgação do
conhecimento científico. Os livros são amplamente
utilizados no meio acadêmico e também como fonte de
consulta por profissionais que estão no mercado de trabalho. O
público leigo também lança mão destes
recursos para se atualizarem.
Jornais e Revistas
O
público leigo em geral obtém a maior parte das novas
informações em revistas de ampla
circulação, jornais e mesmo nas reportagens veiculadas
na televisão. Artigos publicados nestes meios de
comunicação são pouco valorizados pelos sistemas
de promoção implantados nos institutos de pesquisa e
por isto os cientistas têm dado pequena ênfase a esta
forma de divulgação. Artigos científicos
escritos para o meio científico são normalmente
pontuados em processos de progressão na carreira profissional.
Os artigos de divulgação veiculados nos meios não
científicos são, em geral, menos valorizados para a
promoção profissional. Entretanto, é importante
que os cientistas dediquem parte de seu tempo a esta forma de
divulgação para que a população disponha
de uma fonte fidedigna de conhecimento. Há grande
carência de artigos redigidos por cientistas para o
público leigo.
Popularizando
o Conhecimento Científico
Na era
digital, ouve-se dizer, de várias maneiras, que a palavra
está morrendo. Nunca se escreveu e leu tanto. Também
não há indicações de recessão na
indústria de textos para consumo público. As editoras
de livros se multiplicam e, se os jornais vendem proporcionalmente
menos em parte do mundo, isto se deve a táticas editoriais que
não correspondem à demanda de conceitos: a
civilização da imagem coloca a população
diante da necessidade de conceituar o que é exposto, porque
digitalizar a informação analógica recebida
é próprio da inteligência humana.
A
produção de textos pressupõe
restrições do código lingüístico. A
redução do número de palavras, expressões
e de regras operacionais postas em jogo não apenas facilita o
trabalho, mas também permite o controle de qualidade. A
divulgação não escapa de tais
restrições, para romances, odes ou martelos agalopados.
A divulgação dos novos conhecimentos científicos
não é, porém, um gênero literário a
mais. Enquanto, na literatura, a forma é compreendida como
portadora, em si, de informação estética, na
divulgação científica a ênfase desloca-se
para os conteúdos, para o que é informado. Os textos
científicos se propõem processar
informação em escala industrial e para consumo imediato.
O texto
precisa ser submetido constantemente à crítica, para
remover o entulho e dar vida às palavras. O texto informativo
deve conter conceitos, o que significa suprimir usos
lingüístico pobres de valores referenciais. Sua
descrição não se pode limitar ao fornecimento de
fórmulas rígidas, porque elas não dão
conta da variedade de situações encontradas no mundo
objetivo e tendem a envelhecer rapidamente.
A linguagem
formal é mais durável e tende a preservar usos
lingüísticos do passado. Imposta pelo sistema escolar,
é uma espécie de segundo idioma que aprendemos e que
pode servir como índice de ascensão social. A linguagem
coloquial é espontânea, de raiz materna, reflete a
realidade comunitária, regional e imediata; alguns de seus
cometimentos são passageiros, outros terminam por se
formalizar, incorporando-se à literatura e à escola.
Do ponto de
vista da eficiência da comunicação, o registro
coloquial seria sempre preferível. É mais
acessível para as pessoas de pouca escolaridade e, mesmo para
as que estudaram ou lidam constantemente com a linguagem formal,
permite mais rápida fruição e maior expressividade.
A
divulgação dos fatos científicos deve ser
direcionada não só ao mundo científico, mas
também ao público leigo, aqueles que vão definir
a aceitação e aplicação comercial das
suas descobertas e inventos. Tal público forma conjunto
disperso e não-identificado, cuja caracterização
só é possível por amostragem estatística.
Por isso, os adjetivos testemunhais e as aferições
subjetivas devem ser eliminados. Dados numéricos e resultados
de pesquisa têm alta confiabilidade e devem ser usados nos
textos sempre que possível para suportar um fato.
O sistema de
comunicação de massa utiliza amplamente a
identificação em suas promoções.
Constrói mitos como o da juventude dos anos 60,
invenção de falso passado para os adolescentes de
qualquer época e lugar, num universo de ficção
onde não há envelhecimento, nem luta pela
sobrevivência, nem realidade: só a expressão
simbólica de vaga revolta contra a rotina do mundo dos
adultos. Mas esta é apenas uma atualização do
processo retórico que explica o culto dos heróis ou a
maneira como várias facções conseguem falar e
ser ouvidas, todas, em nome do mesmo povo, defendendo teses contraditórias.
A
divulgação dos conhecimentos científicos em um
linguajar que prenda a atenção e desperte a curiosidade
do público leigo, sem perder a credibilidade é um
desafio que pode ser alcançado por todos aqueles que
estão na vanguarda do desenvolvimento da ciência em
nosso país
Aluízio
Borém é Eng. Agrônomo, M.S. Ph.D., Professor da
Universidade Federal de Viçosa.
Deonísio
Destro é Eng. Agrônomo, M.S. D.S., Professor da
Universidade Estadual de Londrina. |