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Esta
é uma edição muito especial, pois representa o
ápice de nossas comemorações dos cinqüenta
anos de descoberta do DNA por James Watson e Francis Crick e pontua o
início das atividades do III Congresso Nacional de
Biossegurança. O evento, que começa dia 24 de setembro
em Recife e contará com a participação dos
principais pensadores em biotecnologia e biossegurança.
Introduzindo
questões importantes para o debate sobre o desenvolvimento
dessas novas ciências, nossa editora técnica, Dra. Lucia
de Souza entrevista dois expressivos especialistas que
participarão do III Congresso Nacional de Biossegurança.
O Dr. Douglas Hard, Vice-Presidente de Controle Sanitário e
Aceitação Pública de Illinois, EUA, analisa os
possíveis efeitos sócio-econômicos da
adoção ou não da engenharia genética nas
safras para o país e no mercado internacional, bem como os
riscos e beneces que a biotecnologia poderá vir a oferecer aos
seres humanos. O consultor belga Rodolphe de Borchgrave, especialista
em economia empresarial e a relação entre
desenvolvimento empresarial e tecnologia, utiliza sua
experiência de mais de dez anos participando da
discursões sobre as implicações administrativas
e econômicas da biotecnologia na agricultura, alimentos e
serviços de saúde para analisar as
implicações econômicas, científicas e
éticas do desenvolvimento de tecnologias como a clonagem e a transgenia.
Em
um artigo elucidativo, Dra. Leila Oda analisa a Lei de
Biossegurança (Lei 8974/95), que, baseada em critérios
como o Princípio da Precaução, representa o
primeiro dispositivo legal de controle de riscos da biotecnologia no
meio ambiente brasileiro.
Nossos
outros articulistas, em seus diversos artigos, contribuem para
elucidar as questões hisóricas, políticas,
econômicas, jurídicas, éticas e filosóficas
que as modernas tecnologias de manipulação da vida
suscitam na realidade do mundo contemporâneo. |
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Existe
uma grande discussão no Brasil e exterior a respeito dos
riscos da biotecnologia na agricultura. Mas as razões
apresentadas até hoje não são convincentes,
já que os perigos são apenas imaginários,
sustentados por mitos, boatos e especulações, que
alimentam todos os preconceitos contra o assunto.
Na
verdade, os fatos têm mostrado que a biotecnologia traz
vantagens aos agricultores, ambiente e, conseqüentemente,
à população em geral, já que os produtos
estarão na mesa dos consumidores com menos agroquímicos.
Ilustro essa teoria com um exemplo recente, ocorrido na Europa com o
relatório da deputada belga Kathleen Van Brempt, que recomenda
a revisão da legislação sobre pesticidas. Um dos
principais objetivos do texto é de reduzir os perigos do uso
desses produtos para o ambiente e para saúde pública.
No
caso dos organismos geneticamente modificados, o parlamento
considerou uma alteração nas leis em que reconhece o
potencial de redução da utilização de
pesticidas ou de promoção do uso de tipos de herbicidas
mais benignos pela introdução de variedades vegetais
geneticamente modificadas. Isso mostra que as autoridades
européias confiam nos estudos realizados até hoje que
demonstram que as plantações geneticamente modificadas
são seguras para o consumo humano, utilizando menos
agroquímicos e zelando pela qualidade do ambiente.
Poderia
citar várias pesquisas que apresentaram redução
do uso de agroquímicos nas lavouras quando os agricultores
cultivaram plantas geneticamente modificadas. Um exemplo, é o
trabalho realizado pela equipe do especialista Jikun Huang, da
Academia de Ciências da China, que analisou o impacto do
algodão Bt, no período de três anos, em 283
fazendas nas províncias de Hebei e Shandong.
O
estudo, apresentado no final do ano passado, concluiu que as
fazendas de algodão transgênico pesquisadas apresentaram
uma redução de 24 Kg a 63 Kg por hectare no uso de pesticidas.
Além
disso, o trabalho mostrou que a adoção da
biotecnologia agrícola na China tem levado a significativo
impacto positivo, trazendo benefícios econômicos e para
a saúde, sobretudo de pequenos agricultores. Os estudos
apontaram, ainda, que os agricultores que utilizaram variedade de
algodão Bt tiveram uma produtividade entre 6% a 10% maior do
que os cultivos de algodão convencional. Atualmente
estão sendo desenvolvidas novas variedades de algodão
Bt, que darão uma produtividade ainda superior as que
atualmente estão no campo.
Lembro
que há um consenso internacional na comunidade
científica de que as plantas geneticamente modificadas
desenvolvidas até agora não trazem malefícios
aos consumidores (a exemplo do relatório sobre segurança
alimentar desses produtos da Organização Mundial de
Saúde). Aliás, nunca houve um único caso de
complicações decorrentes do uso de produtos derivados
da biotecnologia. A soja geneticamente modificada, por exemplo, foi
introduzida no mercado norte-americano em 1996, sendo aprovada para o
consumo humano em muitos outros países. O produto foi
exaustivamente testado quanto à sua segurança, e
concluiu-se que é tão seguro e nutritivo quanto o convencional.
Vale
ressaltar que o próprio governo brasileiro, ao editar a
Medida Provisória número 113, de 26 de março de
2003, assinada pelo presidente Lula e por mais nove ministros de
Estado, assumiu oficialmente a segurança da soja
transgênica, pois liberou a comercialização da
safra de soja de 2003 até janeiro de 2004. Uma
situação um pouco estranha, já que não
existe o meio seguro ou a segurança até janeiro de 2004.
Leila
Macedo Oda, doutora em Ciências Biológicas,
Microobiologia e Imunologia, é presidente da
Associação Nacional de Biossegurança |
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