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The
one process ongoing in the 1990's that will take millions of years
to correct is the lost of genetic and species diversity by the
destruction of natural habitats. This is the folly that our
descendants are least likely to forgive us. E. O. Wilson (1992) |
Atividades
humanas já causaram a destruição de mais do que
um terço das florestas mundiais e da maioria dos campos. A
espécie humana se apropria de cerca de 40% da energia solar
capturada no processo fotossintetizante das plantas. Nas poucas
plantas e animais que se têm conhecimento, as taxas de
extinção superam 10 a 100 vezes os valores de
extinções de fundo (extinções de cunho natural).
BIODIVERSIDADE:
PROSPECÇÃO E PRESERVAÇÃO
Biodiversidade
refere a variedade e variabilidade existente em diversas categorias
como genes, espécies e ecossistemas. Diversidade
genética refere-se a variabilidade dentro da espécie,
podendo ser medida através da variação
genética em determinada população. Diversidade
de espécies refere-se a riqueza de espécies encontrada
em escala local, regional ou global. Diversidade taxonômica
refere-se a variedade de organis-mos de um nivel taxonômico
acima de espécie (gênero, família, ordem etc.) em
determinada região. Diversidade de interações
refere-se a grupos de diversas espécies que coexistem
interagindo troficamente ou através de outros processos
bióticos como a polinização e a
competição. Diversidade de ecossistemas se refere a
comunidade de organismos e ambiente físico interagindo como
uma unidade ecológica. Nestes dois últimos níveis
(interações e ecossistemas), preservação
não significa manter somente uma assembléia de
espécies, mas também padrões e processos nas
mais diversas escalas (Jonhson, 1995).
Como
o conceito de biodiversidade é abrangente e deveras complexo,
prioridades devem ser utilizadas para que as iniciativas e fundos
aplicados não se diluam, bem como seus resultados.
Países industrializados, na sua maioria pobres em
espécies e habitats naturais, defendem que a importância
global da biodiversidade faz desta um patrimônio da humanidade,
onde todas as nações dividiriam responsabilidades e
seus possíveis proventos. Em países em desenvolvimento,
na maioria ricos em biodiversidade, governantes usualmente encontram
nas espécies, habitats e ecossistemas para
obtenção de recursos para o desenvolvimento
econômico direto destes (Johnson, 1995).
Apesar
da biodiversidade lato sensu poder ser mantida in situ ou ex-situ
(coleções, herbários, zoológicos etc.),
é somente através da preservação de
áreas naturais que estes recursos se salvaguadarão nos
mais amplos aspectos, sejam eles naturais (riqueza de espécies,
heterogeneidade ambiental e gênica) ou aplicados
(alimentação, fármacos e lazer).
Embora
a ciência desde Aristóteles tenha fragmentado
fenômenos complexos, tratando-os isoladamente, atualmente
devemos caminhar no sentido inverso, aglutinando as diversas
áreas do conhecimento. Biodiversidade refere-se a genes,
espécies, populações, comunidades e
ecossistemas, sendo importante um esforço coordenado na
caracterização destes diferentes âmbitos.
Nosso
país figura preeminente em todas as listagens de
identificação de hot-spots de biodiversidade. As
Angiospermas, principal grupo de plantas terrestres e a base
majoritária das teias tróficas terrestres, apresentam a
maior riqueza de espécies do mundo em nosso país.
Comparativamente, o Brasil (55.000 espécies) tem mais
espécies do que Indonésia (20.000 espécies,
Malásia (15.000 espécies) e Madagascar (10.000
espécies) em conjunto (McNeely et al., 1990). Além da
biodiversidade de espécies, os aspectos genéticos e
ambientais são sem dúvida destaques de nosso
país, que apresenta inúmeros centros de diversidade dos
mais diversos grupos e uma imensa heterogeneidade de ambientes.

CRESCIMENTO
POPULACIONAL E A PERDA DE BIODIVERSIDADE
A
população humana recentemente ultrapassou o marco de 6
bilhões de habitantes, tendo dobrado nos últimos 40
anos. Suprir a crescente demanda alimentar sem destruir novas
áreas naturais tem sido um dos maiores desafios da atualidade.
Muito embora o aumento na produtividade não signifique o fim
da desnutrição, este constitui um fator que contribui
para uma melhoria do futuro da maioria da vasta
população mundial.
É
amplamente aceito que os sistemas agrícolas dos países
em desenvolvimento terão que atender a crescente demanda
industrial e agrícola do consumo da população.
É estimado que para o arroz, um aumento de 70% da
produtividade seja necessário até o ano de 2025 para
suprir sua crescente demanda. Tal aumento é tão
insustentável como serão os resultados da severa
depleção dos recursos naturais mundiais, principalmente
nas regiões tropical e subtropical, que concentram cerca de
80% da biodiversidade global (Taylor & Fauquet, 2000).
Nos
últimos trinta anos, as práticas da
Revolução Verde têm alcançado um grande
aumento nas colheitas de grãos. Nesta estratégia, uma
combinação de reprodução vegetal,
aplicações agroquímicas e irrigação
são utilizadas para maximizar as colheitas. Tais
práticas já obtiveram aumentos de cerca de 130% nas
colheitas em países subdesenvolvidos desde 1970. Graças
a estas práticas, a Índia foi capaz de aumentar sua
autosuficiência alimentar, diminuindo as
importações e limitando a destruição de
habitats naturais (Taylor & Fauquet, 2000).
Cientistas,
agrônomos e políticos esperaram por muito tempo uma
nova revolução na agricultura que, ao mesmo tempo,
obtivesse incremento na produtividade, mínimo impacto
ambiental e estivesse acessível a pequenos produtores. Para
muitos, a Biotecnologia cumpre com estes objetivos. A
transferência de genes entre espécies é, sem
dúvid,a um dos mais inovadores aspectos desta tecnologia, pois
permite o rompimento da barreira entre espécies, sendo este
limitado apenas pelo tempo, nossa imaginação e
implicações éticas e de biossegurança.
Biotecnologia portanto, representa um imenso potencial de
ação para o bem-estar da humanidade, desde que os
riscos desta nova tecnologia sejam mensurados e controlados.
PLANTAS
TRANSGÊNICAS: SOLUÇÕES E PROBLEMAS
Plantas
transgênicas representaram um aumento da sua resistência
a pragas e doenças, uma elevação nas suas
qualidades nutricionais, e se espalharam tão rapidamente que
correspondem hoje a 72% do plantio dos EUA e Canadá. Esta
primeira geração de transgênicos, desenvolvida
para atender os requisitos de países desenvolvidos, vem sendo
introduzida em países em desenvolvimento como Argentina,
China, México e África do Sul.
Um
dos principais problemas desta nova tecnologia consiste na
regulação de seus usos potenciais, a
quantificação de riscos e as predições
dos efeitos do aumento das liberações de plantio sobre
a biodiversidade, a estrutura da comunidade e os processos
evolutivos. Além disso, monitorar liberações
autorizadas é de suma importância na
geração e acúmulo de informações
(Rogers & Parkes, 1995).
O
desenvolvimento da Engenharia Genética e suas respectivas
aplicações vem representando um novo agente de risco
à biodiversidade, sendo importante a
regulamentação e o controle destes avanços em
prol da preservação da biodiversidade lato sensu. A
precaução quanto a possível
depauperação da biodiversidade mostra-se ainda mais
importante em países de megadiversidade, dentre os quais o
Brasil é expoente.
A
avaliação de risco da liberação de
Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) tem sido feita de maneira
cautelosa pela Comissão Nacional de Biossegurança
(CTNBio), seguindo procedimentos que visam evitar ou minimizar
conseqüências adversas dos OGMs e seus derivados ao homem
e ambiente (Mendonça-Hagler, 2001).
Comparações
dos OGMs com organismos parentais não-modificados,
análise profunda dos impactos do OGM sobre
populações, comunidades e ecossistemas em nível
local e regional, modelagem matemática e uso de marcadores
moleculares para detecção de possíveis
hibridizações, são estratégias utilizadas
para minimização dos riscos, mas análises
continuadas das áreas agrícolas que contenham tais
culturas são fundamentais para que os impactos a médio
e longo prazo sejam rapidamente identificados e mitigados.
Os
principais impactos associados a liberação de OGMs no
ambiente incluem: fluxo gênico, aumento de competitividade,
impactos em organismos não-alvo, desenvolvimento de
resistência, erosão genética e impactos
ecossistêmicos (Rogers & Parkers, 1995).
FLUXO
GÊNICO:
A
compatibilidade sexual é encontrada entre muitas
espécies vegetais com elevado grau de parentesco. Entre estas
espécies, genes introduzidos por engenharia genética em
determinado cultivar, poderiam ser transmitidos através de
cruzamentos sucessivos, gerando um aumento da poluição
genética. A probabilidade de fluxo gênico depende de
muitos fatores, como a dinâmica das populações
envolvidas, os mecanismos de polinização e
dispersão das sementes e o ambiente da liberação.
A imposição de mecanismos de isolamento, espaciais ou
temporais é fundamental, sendo, porém, importante o
monitoramento de possíveis situações de escape.
Aumento
da competitividade:
A
introdução de transgenes em cultivares podem causar
mudanças fenotípicas que aumentem o potencial
competitivo destas espécies. O fluxo gênico, com
passagem horizontal do trasgene a plantas daninhas, pode consistir em
um exemplo de criação de novas pragas com
resistência múltipla a herbicidas.

IMPACTOS
EM ORGANISMOS NÃO ALVO:
Plantas
transgênicas com genes de resistência a insetos podem
causar impactos diretos (ex: deposição de pólen
contaminado em plantas naturais com depleção de seus
fitófagos) ou indiretos (ex: diminuição de
parasitóides ou outros agentes de controle biológico
das pragas) em populações em insetos não-alvo.
Desenvolvimento
de resistência na população-alvo:
O
amplo uso e a expressão contínua de genes de
resistência a insetos podem aumentar a pressão seletiva
exercida por este fator, favorecendo a proliferação de
insetos que apresentem resistência a estas toxinas. O manejo
dos plantios das variedades transgênicas e a
criação de refúgios com organismos parientais
não-modificados podem ser mecanismos de manejo integrado com
evitação da proliferação de insetos resistentes.
Erosão
genética:
A
minimização dos cultivares em prol da alta
produtividade de uma ou poucas variedades pode acabar com a
diminuição das variedades naturais, fruto de milhares
de anos de evolução, depalperando-se assim a
biodiversidade genética destas espécies. Diminuindo-se
a variabilidade genética, variações ambientais
geradas a médio e longo prazo podem trazer prejuízos
às culturas, que, tendo menor variabilidade,
mostrar-se-ão mais suscetíveis a estas.
EFEITOS
ECOSSISTÊMICOS:
Interações
ecológicas do OGM com as demais espécies da comunidade
devem ser estudadas previamente e monitoradas, uma vez que este pode
alterar a dinâmica destas, sua densidade e mesmo ocasionar
extinções locais. Infelizmente, a falta de conhecimento
básico sobre a ecologia das espécies tropicais
dificulta a modelagem ecossistêmica, mas os riscos existentes
sobre a composição de espécies, os processos
estruturadores da comunidade (predação,
competição, mutualismo etc) e as
macrofunções do ecossistema (produtividade
primária, decomposição etc.) são contínuos.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Os
avanços biotecnológicos surgem em velocidade
estonteante, mas não podemos perdê-los de vista para que
erros já cometidos em outros momentos da nossa história
não se repitam. Por outro lado, não podemos criar
dicotomias antagonizando discursos de resistência e apologia
aos OGMs. As vantagens socio-econômicas desta nova tecnologia
devem ser usufruidas, mas com muito receio, principalmente no que
tange a conservação da biodiversidade, que pode ser
inclusive favorecida pelo uso coerente de OGMs, com conseqüente
aumento da produtividade e desaceleração dos
índices de deflorestamento.
A
avaliação minuciosa e o monitoramento dos OGMs
são prioridade, para que a diminuição da
biodiversidade constatada e preconizada por Wilson (1992) ocorra
conjuntamente com a evolução científica, e para
que no momento em que vivemos, os paradigmas socioeconômicos
neomercantilistas sejam substituídos por um novo paradigma que
agrega valor à biodiversidade lato sensu e à qualidade
de vida.
Bibliografia
JOHNSON,
N. J. 1995. Biodiversity in the balance: approaches to setting
geographic conservation priorities. Corporate Press. Maryland.
McNeely,
J.A., Harrison, J. e Dingwall, P. . 1990. Conserving the World's
Biological Diversity. World Resources Institute, IUCN, World Bank,
WWF, Conservation International. Washington D.C. and Gland, Switzerland.
Mendonça-Hagler,
L.C.S.2001. Biodiversidade e Biossegurança. Biotecnologia
Ciência & Desenvolvimento, 18. 16-22.
Mittermeier,
R.A. 1988. Primate diversity and the tropical forest: Case studies
from Brazil, Madagascar and the importance of the megadiversity
countries. In: E.O. Wilson and F.M. Peter (eds), Biodiversity.
145-154. Washington D.C.
Rogers,
H.J. e Parkes, H.C. . 1995. Transgenic plants and the environment.
Journal of Experimental Botany, 46 (286). 467-488.
Taylor,
N. J. e Fauquet, C. M. , 2000. Can the great potentials of
biotechnology be directed towards ensuring food security and economic
development in the developing world? In: Forum for Applied Research
and Public Policy. http://forum.ra.utk.edu
Dr.
Rubens Oda é Mestre em Ecologia pelo Departamento de
Ecologia/IB - UFRJ
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Composição
da CTNBio é reformulada
O
Governo Federal baixou a PORTARIA MCT Nº 137, de 02.04.2003
estabelecendo a nova composição da CTNBio, sendo que o
Dr. Erney Camargo foi escolhido para presidir a Comissão.
Conheça
a nova equipe da CTNBio:
-
WALDEMIRO
GREMSKI para compor, na qualidade de membro titular, representante
do Ministério da Educação, a Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio.
- MÁRIO
PORTUGAL PEDERNEIRAS para compor, na qualidade de membro suplente,
representante do Ministério da Educação, a
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio.
- JOSÉ
ALBERTO HERMÓGENES DE SOUZA para compor, na qualidade de
membro titular, representante do Ministério da Saúde, a
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio.
- AKIRA
HOMA para compor, na qualidade de membro suplente, representante do
Ministério da Saúde, a Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança - CTNBio.
- RUBENS
ONOFRE NODARI para compor, na qualidade de membro titular,
representante do Ministério do Meio Ambiente, na
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio.
- LÍDIO
CORADIN para compor, na qualidade de membro suplente, representante
do Ministério do Meio Ambiente, a Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio.
- MARION
FERREIRA GOMES para compor, na qualidade de membro suplente,
representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, na Área Animal, na Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio.
- BENEDICTO
FONSECA FILHO para compor, na qualidade de membro titular,
representante do Ministério das Relações
Exteriores, a Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança - CTNBio.
- ERNEY
FELICIO PLASSMANN CAMARGO para compor, na qualidade de membro
titular, represente do Ministério da Ciência e
Tecnologia, a Comissão Técnica de Biossegurança
- CTNBio.
- OSIRIS
DE AZEVEDO LOPES, neto para compor, na qualidade de membro suplente,
represente do Ministério da Ciência e Tecnologia, a
Comissão Técnica de Biossegurança - CTNBio.
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