Páginas:

Não deixe de conferir as edições anteriores
1°Edição | 2°Edição | 3°Edição | 4°Edição | 5°Edição | 6°Edição | 7°Edição | 8°Edição

História das doenças e contenção de riscos

        A história das doenças contextualiza movimentos epidemiológicos importantes relacionados às grandes epidemias, entre elas, uma das mais impactantes, a epidemia de peste, destaca-se como capítulo especial pela grande duração e pelo poder de dizimar populações. Sabemos que desde a an-tiguidade o uso da palavra peste destinava-se as doenças que apresentavam uma mortalidade elevada.

        A Idade Média européia conviveu com a calamidade da propagação da Pes-te Negra, propagação que estava diretamente associada à expansão da Europa para fora do continente, em especial, através dos projetos de conquista realiza-dos pelas Cruzadas e pelo interesse comercial, causando importantes desloca-mentos de pessoas e introdução de mercadorias no Velho Continente. As fre-qüentes viagens ao Oriente Médio levaram para a Europa o bacilo da peste no corpo dos europeus, levaram também o hospedeiro do vetor da doença, transpor-tado nas embarcações e caravanas, ou seja, este era uma nova espécie de rato, que hospedava a pulga que transmitia a doença ao homem. A introdução do cha-mado "rato negro" na Europa contou com umincentivo, no território europeu, esta espécie de rato contaminou outras espécies que lhe eram parentes.

        A devastação causada pela Peste Negra, mais tarde denominada de Peste Bubônica, apresen-tou-se tão implacável, que mesmo os médicos a consideravam uma manifestação da cólera divina so-bre os homens. Do século VII ao século XV cresceu a devoção em alguns santos (São Sebastião, São Roque, Saint Nicolas de Tolentin) como busca de proteção contra o flagelo.
        Os vários tratados escritos sobre a doença dedicaram grande atenção à questão do contágio, sendo esta uma preocupação pontual dos governos e dos médicos. Conter ou controlar o contágio era fundamental. Com base nesta preocupação, o médico francês Charles Delorme, primeiro médico do rei Luís XIII, inventou em 1619, durante o curso de uma grande epidemia de peste de assolava Paris, uma roupa capaz de minimizar o risco do contágio para o médico. Tal "vestimenta era composta de uma camisola que se prendia às calças, que por sua vez eram cobertas por botas de couro de cano longo. Uma longa túnica fechada até os punhos, de um tecido feito de couro de cabra, conhecido co-mo "maroquin du levant", com aparência de pano emborrachado, encontrava as mãos que eram cober-tas por luvas de couro de punhos altos. A cabeça estava protegida por um capuz, onde estavam colo-cados olhos de cristal e um longo nariz, espaço que era preenchido com perfumes e ervas aro-máticas. A vestimenta era bastante hermética, seu tecido era espesso para evitar as picadas de pulgas. As roupas eram, impregnadas de perfume que chegavam até o nariz do capuz com a finali-dade de filtrar o bacilo pestoso que estava no ar, visando dessa maneira minimizar os riscos das in-fecções pulmonares. Estes médicos, assim vestidos, carregavam um bastão branco de um metro para castigar os pacientes resistentes à visita. As pessoas que rejeitavam a presença do médico poderiam ser amarradas ao pelourinho por três horas, e, em caso de reincidência, os doentes pode-riam ser submetidos a outras punições físicas impiedosamente. Estas medidas severas faziam parte da estratégia para fazer valer as ordenações de saúde para conter a doença" *.
        A adoção das vestes de proteção à Peste, permitiu o avanço do tratamento e a sensível diminu-ição do contágio entre os médicos. Creditamos a este momento da história das doenças, as primeiras ações preventivas de contenção de risco, o que se constitui hoje uma das áreas fundamentais da ciência emergente da Biossegurança.

*Mc Neill, Willian H. Le temps de la peste. Essai sur les
épidémies dans l´histoire. Hachette, 1978.

O selo de qualidade da Biossegurança

        O Bioselo foi lançado este ano pela Associação Nacional de Biossegurança (ANBio) como mais uma proposta para fortalecer as ações em biossegurança no Brasil. Ele representa o Certificado de Qualidade ANBio - primeira sociedade científica da América Latina credenciada pela American Biological Safety Association (ABSA) - para produtos e serviços que estejam dentro das normas nacionais e internacionais de biossegurança.
        Conferido pelo corpo de consultores da ANBio no Brasil e no mundo, o Bioselo valorizará produtos, instituições e empresas, bem como será uma garantia de qualidade em biossegurança para clientes e usuários.

        COMO OBTER
        Para solicitar o Bioselo a empresa ou instituição deverá prencher formulário disponível na Home-page da ANBio (www.anbio.org.br), com dados técnicos sobre o produto ou serviço, como nome, es-pecificação, características, aplIcação, compradores principais e tempo de fornecimento do produto por comprador. Deverá ainda fornecer folhetos ou catálogos com dados técnicos do produto a ser cer-tificado, ou detalhar o serviço que será oferecido.
        A certificação ANBio (Bioselo) será realizada em três etapas: a primeira é uma análise docu-mental das especificações e características técnicas do produto ou serviço, a cargo de especialista contratado pela ANBio; a segunda se dará através de uma consulta realizada no mercado sobre de-sempenho ou performance técnica do produto/serviço; finalmente, o Certificado ANBio (Bioselo) será conferido em três níveis - ouro, prata ou cobre -, segundo a pontuação, entre 5.0 e 10.0, alcançada.
        A divulgação do certificado pela empresa ou instituição deverá referir, obrigatoriamente, o produto ou serviço certificado, bem como o padrão concedido (ouro, prata ou cobre).
        Os detentores do BIOselo poderão divulgar seus produtos e serviços no Jornal da ANBio.

        As empresas ou instituições que possuem o certificado ISO deverão informar a data e tipo de ISO concedido. Informações adicionais ou maiores esclarecimentos devem ser solicitados no ende-reço - jornal@anbio.org.br - Ou pelos telefones (21) 220-8678/8327/0288. Fax - (21) 215-8580.

 <<< 6 Página anterior

Próxima página 8 >>>