A história das doenças
contextualiza movimentos epidemiológicos importantes
relacionados às grandes epidemias, entre elas, uma das mais
impactantes, a epidemia de peste, destaca-se como capítulo
especial pela grande duração e pelo poder de dizimar
populações. Sabemos que desde a an-tiguidade o uso da
palavra peste destinava-se as doenças que apresentavam uma
mortalidade elevada.
|
A Idade Média européia conviveu
com a calamidade da propagação da Pes-te Negra,
propagação que estava diretamente associada à
expansão da Europa para fora do continente, em especial,
através dos projetos de conquista realiza-dos pelas Cruzadas e
pelo interesse comercial, causando importantes desloca-mentos de
pessoas e introdução de mercadorias no Velho
Continente. As fre-qüentes viagens ao Oriente Médio
levaram para a Europa o bacilo da peste no corpo dos europeus,
levaram também o hospedeiro do vetor da doença,
transpor-tado nas embarcações e caravanas, ou seja,
este era uma nova espécie de rato, que hospedava a pulga que
transmitia a doença ao homem. A introdução do
cha-mado "rato negro" na Europa contou com umincentivo, no
território europeu, esta espécie de rato contaminou
outras espécies que lhe eram parentes. |
 |
A devastação causada pela Peste
Negra, mais tarde denominada de Peste Bubônica, apresen-tou-se
tão implacável, que mesmo os médicos a
consideravam uma manifestação da cólera divina
so-bre os homens. Do século VII ao século XV cresceu a
devoção em alguns santos (São Sebastião,
São Roque, Saint Nicolas de Tolentin) como busca de
proteção contra o flagelo.
Os vários tratados escritos sobre a
doença dedicaram grande atenção à
questão do contágio, sendo esta uma
preocupação pontual dos governos e dos médicos.
Conter ou controlar o contágio era fundamental. Com base nesta
preocupação, o médico francês Charles
Delorme, primeiro médico do rei Luís XIII, inventou em
1619, durante o curso de uma grande epidemia de peste de assolava
Paris, uma roupa capaz de minimizar o risco do contágio para o
médico. Tal "vestimenta era composta de uma camisola que
se prendia às calças, que por sua vez eram cobertas por
botas de couro de cano longo. Uma longa túnica fechada
até os punhos, de um tecido feito de couro de cabra, conhecido
co-mo "maroquin du levant", com aparência de pano
emborrachado, encontrava as mãos que eram cober-tas por luvas
de couro de punhos altos. A cabeça estava protegida por um
capuz, onde estavam colo-cados olhos de cristal e um longo nariz,
espaço que era preenchido com perfumes e ervas
aro-máticas. A vestimenta era bastante hermética, seu
tecido era espesso para evitar as picadas de pulgas. As roupas eram,
impregnadas de perfume que chegavam até o nariz do capuz com a
finali-dade de filtrar o bacilo pestoso que estava no ar, visando
dessa maneira minimizar os riscos das in-fecções
pulmonares. Estes médicos, assim vestidos, carregavam um
bastão branco de um metro para castigar os pacientes
resistentes à visita. As pessoas que rejeitavam a
presença do médico poderiam ser amarradas ao pelourinho
por três horas, e, em caso de reincidência, os doentes
pode-riam ser submetidos a outras punições
físicas impiedosamente. Estas medidas severas faziam parte da
estratégia para fazer valer as ordenações de
saúde para conter a doença" *.
A adoção das vestes de
proteção à Peste, permitiu o avanço do
tratamento e a sensível diminu-ição do
contágio entre os médicos. Creditamos a este momento da
história das doenças, as primeiras ações
preventivas de contenção de risco, o que se constitui
hoje uma das áreas fundamentais da ciência emergente da Biossegurança.
*Mc
Neill, Willian H. Le temps de la peste. Essai sur les
épidémies
dans l´histoire. Hachette, 1978.
|
 |
O
selo de qualidade da Biossegurança |
O Bioselo foi lançado este ano
pela Associação Nacional de Biossegurança
(ANBio) como mais uma proposta para fortalecer as ações
em biossegurança no Brasil. Ele representa o Certificado de
Qualidade ANBio - primeira sociedade científica da
América Latina credenciada pela American Biological Safety
Association (ABSA) - para produtos e serviços que estejam
dentro das normas nacionais e internacionais de biossegurança.
Conferido pelo corpo de consultores da ANBio no
Brasil e no mundo, o Bioselo valorizará produtos,
instituições e empresas, bem como será uma
garantia de qualidade em biossegurança para clientes e usuários.
COMO OBTER
Para solicitar o Bioselo a empresa ou
instituição deverá prencher formulário
disponível na Home-page da ANBio (www.anbio.org.br),
com dados técnicos sobre o produto ou serviço, como
nome, es-pecificação, características,
aplIcação, compradores principais e tempo de
fornecimento do produto por comprador. Deverá ainda fornecer
folhetos ou catálogos com dados técnicos do produto a
ser cer-tificado, ou detalhar o serviço que será oferecido.
A certificação ANBio (Bioselo)
será realizada em três etapas: a primeira é uma
análise docu-mental das especificações e
características técnicas do produto ou serviço,
a cargo de especialista contratado pela ANBio; a segunda se
dará através de uma consulta realizada no mercado sobre
de-sempenho ou performance técnica do produto/serviço;
finalmente, o Certificado ANBio (Bioselo) será
conferido em três níveis - ouro, prata ou cobre -,
segundo a pontuação, entre 5.0 e 10.0, alcançada.
A divulgação do certificado pela
empresa ou instituição deverá referir,
obrigatoriamente, o produto ou serviço certificado, bem como o
padrão concedido (ouro, prata ou cobre).
Os detentores do BIOselo poderão divulgar
seus produtos e serviços no Jornal da ANBio.
As empresas ou instituições que
possuem o certificado ISO deverão informar a data e tipo de
ISO concedido. Informações adicionais ou maiores
esclarecimentos devem ser solicitados no ende-reço - jornal@anbio.org.br
- Ou pelos telefones (21) 220-8678/8327/0288. Fax - (21) 215-8580. |