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Vivemos um momento histórico grandioso
neste final de século, graças à Biotecnologia.
Voltan-do um pouco na história, podemos relembrar algumas das
descobertas mais importantes que permiti-ram este avanço
extraordinário, após um longo período onde a
ciência acreditava que, devido a sua complexidade, as
proteínas deveriam ser as moléculas responsáveis
pelas nossas informações ge-néticas. Os
experimentos de Watson e Crick, em 1953, comprovaram que o DNA era a
molécula cha-ve de todo organismo vivo. Quando o modelo de
Watson e Crick foi lançado, ficou claro para o mundo que a
elite científica da época estava errada, pois o modelo
de hélice dupla do DNA era simplesmente fantástico, sua
estrutura era auto-explicativa, permitindo facilmente demonstrar como
a informação ge-nética seria transmitida aos descendentes.
Após duas décadas desta
revolução científica, foram descobertas as
enzimas de restrição e modificação.
Podemos encontrar no mercado mais de quinhentos tipos das primeiras e
em torno de cinqüenta das segundas. O que representa um grande
arsenal que a ciência dispõe e que veio permitir a
manipulação dos genomas, ou seja, o início da
engenharia genética. Nessa época começaram as
clonagens, utilizando as bactérias como hospedeiras e como
biofábricas para a produção de proteínas
de extrema importância para os seres humanos, como a insulina e
o hormônio de crescimento. No final da década de
oitenta, surgiram os projetos genomas, que foram o marco do
início de uma nova era, a era da Bioinformática. O
desenvolvimento desta tecnologia, paralelamente ao das técnicas
de genética molecular, permitiu que fosse anunciada a
"quase" conclusão do projeto genoma humano (HGP).
Hoje, estamos diante do resultado desta iniciativa, que envolveu mais
de 100 grupos de pesquisa espalhados pelo mundo, unidos com uma
só finalidade, a de sequenciar toda o nosso patrimônio genético.
Os dados obtidos nestes projetos abrem novos
caminhos para o desenvolvimento da medicina do futuro, seja na
pesquisa de medicamentos mais adaptados a cada caso, a cada
indivíduo ou também na terapia gênica. A terapia
gênica está sendo estudada e aprimorada por vários
pesquisadores para ser aplicada a várias doencas
genético-bioquímicas em modelos animais, como a fibrose
cística, distrofia muscular, anemia falciforme, entre outras.
A Biotecnologia faz do homem um novo Prometeu.
Só que aquele titã roubou o conhecimento de Zeus para
dar aos homens e, no nosso caso, somos nós que geramos e
usufruimos deste conhecimento. Já fomos um Prometeu narciso e
vários desastres ocorreram. Estas novas ciências
nasceram para tentar eliminar os riscos de novas catástrofes.
Chegamos a um amadurecimento, temos maior conhecimento das
conseqüências e assim reduzimos a chance de recebermos a
mesma punição do titã, ou seja, ser acorrentado
no alto de uma montanha e ter o seu fígado fisgado por uma
águia pela eternidade. A Biotecnologia nos permitiu de gerar
uma grande quantidade de informações e hoje somos
capazes de fazer intervenções genéticas radicais
em seres humanos, plantas e animais. É um instrumento poderoso
que gerou várias novas ciências como a Bioética,
o Biodireito e a Biossegurança.
Nesta coluna, não iremos discutir estas
novas ciências, porque elas serão abordadas em outras
seções deste jornal, mas vamos tratar da ciência
que a gerou. Para alcançar o nosso objetivo, pretendemos
convidar a nata da ciência nacional para escrever artigos neste
espaço. Temos excelentes pesquisadores e será uma
tarefa fácil de cumprir. Fomentaremos para que o artigo tenha
um formato híbrido, onde a linha de pesquisa será
apresentada em uma revisão ampla, mostrando os resultados de
equipe de uma maneira a não inviabilizá-los para
publicações posteriores em revistas indexadas,
além de opiniões pessoais dos pesquisadores sobre
Biossegurança e as medidas que seus laboratórios adotam.
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