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Uma fábrica de remédios
Ovos de galinhas geneticamente modificadas vão combater o câncer

   O Instituto Roslin, em Edimburgo, Escócia, criador do primeiro mamífero clonado do mundo - a ovelha Dolly -, estabeleceu uma parceria com a companhia de biotecnologia americana Viragen para desenvolver galinhas geneticamente modificadas, que produzem ovos contendo novas drogas para o tratamento de doenças sérias, incluindo o câncer. "O esforço de colaboração tem sido superado a fim de permitir a produção de uma grande variedade de drogas, em maior volume e com custo reduzido, quando comparado com os métodos convencionais de fabricação", disse Gerald Smith, presidente da Viragen.
   Modificar os genes de pássaros é tecnicamente desafiador. Porém, há dois anos a equipe de Edimburgo descobriu como inserir novos genes nos embriões de galinhas, a fim de criar aves geneticamente modificadas. Os animais criados por eles até agora não produzem nada de útil. Entretanto, a próxima geração irá carregar os genes necessários para produzir proteínas anti-câncer. Os primeiros genes a serem entregues ao Instituto Roslin pela Viragen serão usados para produzir um anticorpo para o melanoma, um tipo de câncer de pele. O objetivo final da pesquisa é utilizar os métodos de clonagem usados para desenvolver a Dolly, também para clonar galinhas geneticamente modificadas que produzem fármacos.
   A equipe do Roslin enfrenta uma competição acirrada das rivais americanas e européias. A AviGenics, de Athens, Geórgia, a GeneWorks, de Ann Arbor, Michigan, e a TransXenoGen, da Inglaterra, estão envolvidas em pesquisa semelhante. A GeneWorks afirma possuir entre 50 e 60 galinhas geneticamente modificadas. Algumas carregam um gene que as possibilita produzir em seus ovos o "human growth factor" (fator de crescimento humano). A TransXenoGen, especializada na produção de galinhas com proteínas terapêuticas para humanos, está trabalhando em projeto semelhante. A AviGenics diz já possuir galinhas capazes de produzir alpha-interferon, uma proteína anti-cancerígena, na clara dos ovos. Em setembro, a empresa recebeu um prêmio de US$ 2 milhões do Departamento de Comércio americano pela propriedade do desenvolvimento de tecnologia nuclear e pela criação da primeira ave clonada no mundo.
Cabras
   A americana Genzyme Transgenics, de Framingham, Massachusetts tomou uma direção diferente na produção de proteína potencialmente útil. Seu foco de pesquisa está dirigido à cabras geneticamente modificadas. Seus cientistas demonstraram com sucesso a expressão de 65 proteínas diferentes no leite das cabras geneticamente modificadas. A droga potencial mais avançada é a antithrombin III humana (rhATIII). Esta proteína do plasma oferece anti coagulantes para pacientes cardíacos, submetidos à cirurgia cardíaca. Em 1998, três cabras clonadas nasceram no Genzyne Transgenics, todas transgênicas para "antithrombin III." Esta é a primeira droga transgênica candidata a completar com sucesso duas avaliações clínicas da Fase III, como parte do processo de aprovação da FDA, segundo a Genzyme Transgenics.

Custos

   O custo de produção de proteína através do sistema de galinhas e cabras geneticamente modificadas demonstra ser menor que o do sistema que utiliza cultura de células normais. Drogas potenciais podem ser produzidas por menos que US$ 0.25 /grama, usando-se o sistema de galinhas geneticamente modificadas e de US$ 2 a US$ 20/grama usando-se o de cabras. O uso de animais geneticamente modificados tem custo mais reduzido do que o método convencional de cultura de células.

Biossegurança e agricultura
Prof.Orlando Zancanaro
Comição de biossegurança - USP

 
Descarte de resíduos perigosos

   Produtos e resíduos perigosos são aqueles que apresentam riscos à saúde e ao meio ambiente devido suas características de toxicidade, reatividade, inflamabilidade, corrosividade ou mutagenicidade. Pertencem a classe B, segundo a resolução no 5 do Conama, de 5 de agosto de 1993 e classe I segundo a NBR 10004 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). É preciso saber que:
a) Todo aquele que adquire, transporta, armazena, manipula ou descarta esse tipo de material, é responsável por ele em todo o seu ciclo de vida e pode ser responsabilizado criminalmente por qualquer dano ocorrido devido ao produto ou seu resíduo, mesmo após a eliminação, se esta foi efetuada de maneira incorreta.
b) É vedado o descarte dos químicos perigosos junto a qualquer outra classe de resíduos, ou seja, infectante (classe A-hospitalar), Radiativo (classe C) , lixo comum (classe D) ou ainda, enviá-lo ao esgoto, a não ser que este esteja ligado a uma planta de tratamento de efluentes industriais, devidamente cadastrada no órgão ambiental.
c) A identificação e a sinalização específica é fundamental para o gerenciamento adequado e redução dos riscos inerentes a essa classe de substâncias.
d) As misturas ou não identificação de substâncias perigosas e seus resíduos, complicam, encarecem ou podem mesmo inviabilizar a disposição final, pois necessitam de análise e separação por tipo de material.
e) Os procedimentos corretos em relação aos materiais perigosos dependem de conhecimento, dedicação e cooperação de todos os envolvidos e de incentivo e investimento por parte da direção da instituição.
f) É significativo o número anual de vítimas de produtos perigosos mal gerenciados. A escolha do procedimento mais adequado para eliminação de substâncias perigosas deve levar em consideração a viabilidade em função dos riscos à saúde dos operadores, da preservação ambiental da região e do custo da operação, que pode ser tão simples quanto uma neutralização ácido/base ou tão complexa como a incineração dos PCBs (bifenílicos policlorados), cujos gases emitidos são muito tóxicos, necessitando de apassivação que eleva substancialmente o custo da operação.
   A incineração e a deposição em aterro classe I e II respondem pela maioria da eliminação dos resíduos classe B, entretanto, existem materiais como os fluorados, os metais pesados em concentrações elevadas, os mutagênicos, os explosivos, as misturas não identificadas etc, para os quais praticamente ainda não existe solução dentro de um custo razoável. Nestes casos, torna-se viável até a adoção de procedimentos alternativos como a substituição por material menos perigoso, reutilização, recuperação, utilização como matéria-prima em outro processo, enclausuramento monitorado etc. Finalizando e justificando alguns argumentos expostos em relação aos riscos relativos às substâncias classificadas como perigosas, convém destacar que certos organo-clorados ou alguns metais pesados, ao serem absorvidos por determinados organismos aquáticos, provocam alterações bioquímicas tão significantes ao ponto de levar aquela espécie à extinção ou ainda provocar graves danos à saúde dos respectivos predadores ou consumidores.

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