Boletim Informativo do Centro Mundial de Conhecimento Agrícola.

Ediçao de 06 de Junho de 2003

Neste número:
Sociedade Real da Gra Bretanha diz que alimentos GM sao seguros
Nova Zelândia Publica Relatório sobre Biotecnologia
Comissao Européia opta por aumentar investimentos em P&D
Estratégia Genérica para Avaliaçao de Riscos de Plantas GM
OGTR aprova algodao GM experimental na Austrália
Workshops sobre Biossegurança após o ISAAA WSSD na Ásia
Departamento de Agricultura das Filipinas Rejeita Moratória de Milho GM
Associaçao Comercial da Índia Deve Desenvolver Indústria de Biotecnologia
USDA cria método para rastreamento rápido
Relógio Circadiano no Mesmo Tecido da Planta
Plantas GM como Vacinas contra Peste Bovina?
 

Sociedade Real da Gra Bretanha diz que alimentos GM sao seguros

A Sociedade Real da Gra Bretanha diz que nao há evidencias científicas de que alimentos produzidos a partir de plantas geneticamente modificadas sejam menos seguras que aqueles produzidos a partir de plantaçoes convencionais nao GM.

Em dois artigos entregues r GM Science Review, patrocinada pelo governo, a Sociedade Real diz que a qualidade nutritiva dos alimentos GM e seu potencial de causar reaçoes alérgicas nao é diferente daquela de produtos nao GM. Além disso, os riscos r saúde associados r seqüencias virais específicas de DNA em plantas GM sao "desprezíveis", o consumo de DNA de uma ampla variedade de fontes "nao apresenta riscos significativos r saúde humana, e a ingestao adicional de DNA GM nao tem nenhum efeito".

Patrick Bateson, Vice Presidente e Secretário Biológico da Sociedade Real, disse que uma ampla revisao de evidencias sobre plantas GM e saúde humana nao mudou as conclusoes originais da Sociedade Real. "Sem dúvida algumas importantes questoes devem ser respondidas sobre o potencial impacto, bom ou ruim, de plantaçoes GM no meio ambiente. Mas isto deve ser abordado sem a cortina de fumaça ou acusaçoes sem fundamento sobre sua ameaça r saúde humana", afirmou Bateson.

Mais sobre a política da Sociedade Real em http://www.royalsoc.ac.uk

Nova Zelândia Publica Relatório sobre Biotecnologia

A Força Tarefa de Biotecnologia na Nova Zelândia publicou relatório realçando uma estrutura de açao que desafia a indústria, o governo e outros envolvidos a trabalharem juntos na criaçao de um desenvolvimento sustentável no setor de biotecnologia. O relatório, feito a pedido do governo da Nova Zelândia, considera animais de grande porte e biotecnologia agrícola as principais forças do país.

A estrutura mostra a visao para o crescimento da biotecnologia nos próximos 10 anos. O número de empresas com enfoque na biotecnologia aumentaria em cinco vezes, para mais de 200, e o número de organizaçoes de biotecnologia aumentaria em tres vezes, para mais de 1.000. Haveria grandes mudanças nas pessoas, capital, instituiçoes, infra-estrutura, regulamentaçao e participaçao global.

As recomendaçoes incluem a necessidade de se criar massa crítica; a introduçao de um pacote de reformas na regulamentaçao para criar um ambiente propício ao crescimento; e o estabelecimento de uma robusta rede internacional para estimular o fluxo de investimento internacional.
O relatório completo está disponível online no site:
http://www.biospherenz.com/download/biotech_taskforce_report.pdf

Comissao Européia opta por aumentar investimentos em P&D

A Comissao Européia recentemente adotou o documento da Comissao "Investir em Pesquisa: um plano de açao para a Europa", que tem como objetivo aumentar os investimentos em pesquisa na Uniao Européia até 2010, para se igualar aos gastos em pesquisa e desenvolvimento de seus concorrentes. Acredita-se que, se os estados membros da Uniao Européia seguirem os preceitos do documento, o nível de investimentos com pesquisas na Europa cresceria de 1,94% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para 3%, comparando-se assim aos investimentos em P&D dos Estados Unidos e Japao.

O plano de açao também pede a formaçao de "plataformas de tecnologia européia", que seriam grupos de especialistas e envolvidos com as tecnologias chave, tais como genoma, nanotecnologia, tecnologia da informaçao e transporte. Estes grupos devem desenvolver e promover as políticas necessárias para aumentar ainda mais os investimentos na pesquisa. Propostas que reforçam a ligaçao entre indústria e pesquisa pública também estao incluídas no plano. Dois terços do investimento serao financiados pelo setor privado.

Considerando que a açao mais importante para a implementaçao do plano deva vir dos estados membros, a Comissao Européia agradece as medidas do governo da Gra Bretanha para aumentar investimentos privados em P&D. O sistema de créditos de impostos para P&D da Gra Bretanha planeja oferecer isençao de impostos a empresas privadas para incentivar investimentos em pesquisa.

Para mais informaçoes sobre a Comissao Européia, visite o site http://www.europa.eu.int

Estratégia Genérica para Avaliaçao de Riscos de Plantas GM

Novos desafios aguardam a avaliaçao de riscos para futuras plantaçoes geneticamente modificadas (GM); portanto, é necessário propor uma estratégia mais genérica para a avaliaçao de riscos. Para estudar a conseqüencia do fluxo de genes, o que é nocivo deve ser definido e priorizado com exatidao, com enfase na quantificaçao de elementos de exposiçao. Isto exige um esforço coordenado entre as grandes equipes de pesquisa multidisciplinares. Esta é a visao dos pesquisadores da Gra Bretanha Mike Wilkinson, Jeremy Sweet e Guy Poppy.

Num artigo para a Trends in Plant Science, chamado "Avaliaçao de Riscos de Plantas GM: Evitando o Congestionamento?", os pesquisadores observaram que o aumento da diversidade de produtos GM vao criar a necessidade de uma abordagem integrada para a avaliaçao de riscos. Segundo eles, os dados atuais sobre o fluxo de genes nao tem integraçao suficiente ou nao estao numa escala apropriada para prever a probabilidade do movimento transgenico numa regiao geográfica.

Wilkinson e colaboradores recomendam que sejam criados bancos de dados genéricos relacionados aos estágios iniciais da exposiçao de uma árvore e avaliaçao preliminar de danos. Assim, eles dizem que a avaliaçao de riscos seria mais previsível.

Para mais informaçoes, envie e-mail para Mike Wilkinson:
m.j.wilkinson@reading.ac.uk.

OGTR aprova algodao GM experimental na Austrália

O Departamento de Regulamentaçao de Tecnologia de Genes (OGTR) na Austrália deve conceder uma licença r Organizaçao de Pesquisa Científica e Industrial da Uniao (CSIRO) para a liberaçao experimental de algodao geneticamente modificado (GM).

O estudo experimental vai avaliar o desempenho do algodao GM, portador de uma nova proteína inseticida, tóxica rs lagartas lepidópteras. O algodao GM possui também um gene marcador de resistencia a antibióticos. O estudo pretende testar a eficácia da proteína inseticida produzida pelo gene introduzido, e a possibilidade de produzir sementes de algodao para futuras plantaçoes.

Os estudos experimentais serao realizados em tres locais (totalizando 3 hectares) em Shire of Wyndham - East Kimberly, no norte da Austrália ocidental. O plantio será feito durante a temporada 2003 de algodao no norte.

Veja os detalhes no site http://www.ogtr.gov.au.

Workshops sobre Biossegurança após o ISAAA WSSD na Ásia

O ISAAA realizou uma série de quatro workshops nacionais sobre "Biotecnologia Após a Reuniao de Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável: O Caminho Avante". Os workshops contaram com a participaçao de centros de excelencia em cada país: BIOTEC - Centro de Informaçao de Biotecnologia (Tailândia), SEAMEO-BIOTROP (Indonésia), Departamento de Agricultura - Programa de Biotecnologia e SEARCA - Centro de Informaçao de Biotecnologia (Filipinas), e o MARDI/MABIC (Malásia)

Participaram oficiais de governo de alto escalao, membros dos respectivos órgaos de regulamentaçao de biossegurança nacional, oficiais do governo envolvidos em regulamentaçao de biossegurança, indústria e ONGs

Os workshops foram criados para que países do Sudeste da Ásia comecem a trabalhar em seu compromisso com o WSSD de implementar a Agenda 21. Eles deveriam revisar o papel da biotecnologia na Agenda 21 e discutir os desafios para se alcançar os compromissos existentes.

Em geral, os grupos se mostraram satisfeitos com o progresso na frente legislativa em seus respectivos países. Houve uma ampla correspondencia entre padroes de controle disponíveis, e as discussoes se concentraram mais nos desafios da implementaçao que na legislaçao em si. Os grupos dos quatro países identificaram pontos em comum, como a necessidade de melhorar a capacidade de avaliaçao de riscos, e o papel chave da IPR para a transferencia de tecnologia. A necessidade de desenvolver estoques de tecnologia e avaliar as tecnologias em potencial também foram realçadas. Medidas para uma maior participaçao do público exigiu uma atençao em particular, para assegurar a transparencia e facilitar o acesso da sociedade civil r documentaçao. Todos os países expressaram a necessidade de campanhas para conscientizaçao do público, para melhorar a compreensao geral e a aceitaçao pública.

A ISAAA espera que este processo contribua para a criaçao de uma legislaçao nacional sobre biossegurança na Ásia, que seja a) consistente com o Protocolo da Biossegurança, e b) facilite o crescimento e o investimento na biotecnologia doméstica.

Para detalhes sobre os workshops dos países, visite http://www.isaaa.org

Departamento de Agricultura das Filipinas Rejeita Moratória de Milho GM

Apesar de greves de fome de organizaçoes nao governamentais protestando contra a comercializaçao de milho Bt, o Departamento de Agricultura das Filipinas mantém sua decisao de permitir esse plantio. O Secretário do Departamento de Agricultura, Luis Lorenzo Jr. disse rs organizaçoes nao governamentais que nao havia evidencia científica suficiente para garantir a moratória na comercializaçao do milho Bt.

O secretário assistente do Departamento para política e planejamento, Segfred Serrano, disse que a moratória exigiria outro painel de revisao científica e técnica, que teria que mostrar "evidencias esmagadoras" para convencer o governo a revogar a licença que aprovou para o plantio do milho Bt.

Artigos relacionados podem ser baixados no site http://www.searca.org/~bic

Associaçao Comercial da Índia Deve Desenvolver Indústria de Biotecnologia

As Câmaras Associadas de Comércio e Indústria da Índia (ASSOCHAM) finalizaram uma carta patente de 10 pontos para desenvolver a Índia como centro mundial de biotecnologia. K.L. Chugh, presidente da ASSOCHAM, pediu uma estrutura autônoma de gerenciamento, para desenvolver a infra-estrutura e a institucionalizaçao de uma Comissao Controladora de Biotecnologia.

A ASSOCHAM pede que o governo crie um ambiente favorável aos biotecnólogos em instituiçoes públicas, que se tornariam "biotecnopresários", com participaçao acionária em empresas privadas.

Chugh ressaltou também a necessidade de um maior investimento na área de genoma funcional na agricultura e pecuária, para identificar genes importantes para o aprimoramento genético.

A Associaçao falou da necessidade de criaçao de novas instituiçoes de biotecnologia e o aprimoramento dos laboratórios nacionais, para que se tornem os Institutos de Biotecnologia da Índia. Isto ajudaria a acelerar o elo entre a área academica e a indústria.

USDA cria método para rastreamento rápido

Um novo método para identificar plantas homozigóticas vai facilitar muito a criaçao de variedades de feijao resistentes a doenças. É o que diz o Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS) do Departamento Americano de agricultura. Homozigótico descreve plantas cujos descendentes apresentam os mesmos traços de forma consistente.

A ARS relata que produtores de feijoes usam tais plantas como base genética para desenvolver cultivares que resistam a doenças causadas pelo vírus e necrose mosaico. Ambos podem causar perdas de até 60 porcento em feijoais.

Através da seleçao assistida por marcadores (MAS), os pesquisadores podem rapidamente identificar plantas resistentes, com a confirmaçao da presença do gene vírus-resistente bc-1*2* (conhecido como "gene recessivo bc um dois"). Por outro lado, desenvolvedores devem observar sintomas da doença induzidos em estufa. Os MAS nao podem distinguir plantas homozigóticas.

Os cientistas do ARS, George Vandemark e Phil Miklas superaram o problema modificando o uso de uma tecnologia chave no qual o MAS é baseado - reaçao em cadeia polimerase, ou PCR. Seu método PCR modificado demora cerca de 2 horas, enquanto que o processo padrao demora de seis a doze meses.

O artigo completo está na revista Agricultural Research de maio, disponível online no site http://www.ars.usda.gov/is/AR/archive/may03/dna0503.htm

Relógio Circadiano no Mesmo Tecido da Planta

C. Robertson McClung, Professor de Ciencias Biológicas no Dartmouth College, New Hampshire, EUA, e colaboradores, encontraram evidencias de dois relógios circadianos funcionando no mesmo tecido da planta Arabidopsis thaliana, uma flor. Resultados da pesquisa sugerem que as plantas podem integrar informaçoes de pelo menos dois sinais do meio ambiente, luz e temperatura, o que é importante para que ela responda rs mudanças sazonais.

De acordo com os pesquisadores, a presença de "relógios circadianos" ou dois relógios com diferentes sensibilidades a luz e temperatura faz com que a planta entenda os dois sinais do meio ambiente (luz e temperatura). Esta característica também permite rs plantas processar dados e tomar decisoes quanto ao florescimento.

McClung e colaboradores seguiram o ritmo de dois tipos de genes - um tipo codificador da fotossíntese, e outro nao envolvido no processo. Os genes incluídos no estudo sao encontrados no mesofilo, que é a camada esponjosa interna de tecido nas folhas.

Para medir a expressao do gene, McClung e seus alunos manipularam os genes controlados pelo relógio, fazendo com que a enzima luciferase os controlasse, e depois introduziram esse novo gene r planta.

Os pesquisadores ainda descobriram que o gene nao fotossintético, que preferia os sinais de temperatura, mostrou uma reaçao exagerada a rajadas de ar frio, em relaçao ao gene fotossintético, que reagiu mais aos sinais de luz.

O press release está disponível no site http://www.dartmouth.edu/~news/releases/2003/may/050703.html.

Plantas GM como Vacinas contra Peste Bovina?

Uma equipe de pesquisa do Instituto de Ciencias da Índia está explorando o uso de plantas transgenicas para produzir vacinas recombinantes contra o vírus da peste bovina. Este vírus causa uma doença aguda, altamente contagiosa em fissípedes (animais com patas fendidas), principalmente gado e búfalos.

A equipe de pesquisa de M. S. Shaila usou transformaçao mediada de agrobactérias de para criar plantas de tabaco transgenico (Nicotiana tabacum) e amendoim (Arachis hypogea) que expressam a proteína hemagglutinin (H) do vírus da peste bovina. A proteína expressada nas plantas transgenicas causou uma resposta imune.

Os pesquisadores testaram entao o potencial da vacina comestível no gado. O gado testado, alimentado com plantas trangenicas que expressavam a proteína H, desenvolveu uma grande concentraçao de anticorpos específicos. Os anticorpos puderam também neutralizar a infecciosidade do vírus in vitro.

Uma vacina oral recombinante contra a peste bovina expressada em plantas seria um recurso muito valioso, diz a equipe.

Cópias do artigo completo estao no Journal Vaccine http://whttp://www.sciencedirect.com/science/journal/0264410X;
e em Virology
http://www.sciencedirect.com/science/journal/00426822

Outras perguntas podem ser feitas a M.S. Shaila via shaila@mcbl.iisc.ernet.in


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