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Boletim
Informativo do Centro Mundial de Conhecimento Agrícola.
Ediçao
de 25 de Abril de 2003
Controle da
comercializaçao dos alimentos GM
Falhas no
controle da comercializaçao revelam potencial vulnerabilidade,
mas as agencias governamentais tem substancial resistencia e
capacidade de reagir a problemas de respeito rs normas, quando estes
aparecem. O desafio para o sistema de controle é como o mesmo
irá lidar com futuras aplicaçoes da biotecnologia, que
exigirao um controle mais rígido para proteger a saúde
humana e o meio ambiente.
Esta foi a
principal conclusao do relatório do Instituto Pew de Alimentos
e Biotecnologia intitulado "Controle de Comercializaçao
de Alimentos GM: O Sistema Está Preparado?" O
relatório encomendado examinou o controle da
comercializaçao de plantaçoes e alimentos geneticamente
modificados (GM) realizado por tres organizaçoes americanas:
Departamento de Agricultura, Agencia de Proteçao Ambiental e
Administraçao de Alimentos e Medicamentos.
O controle
refere-se r presença de plantaçoes ou alimentos no meio
ambiente, lançados como estudos de
pré-comercializaçao ou de forma já comercial.
O
relatório, preparado por Michael Taylor e Jody Tick do grupo
Recursos para o Futuro, observa que "sistemas de controle terao
que alocar mais recursos ao controle de comercializaçao e
considerar estratégias que atraiam a atençao do
público e dos recursos privados para assegurar que as
exigencias de controle sejam seguidas de modo consistente e acreditável."
O
relatório completo está disponível online no site:
http://pewagbiotech.org/research/postmarket/PostMarket.pdf
Informaçoes
baseadas na ciencia afetam a demanda por alimentos GM
A
informaçao tem um importante papel para moldar a reaçao
do consumidor r biotecnologia na agricultura. Os consumidores reagem
nao apenas ao conteúdo da informaçao, mas também
a fonte. A informaçao científica e comprovável
possui um efeito mais moderado na reaçao do consumidor rs
afirmaçoes anti-GM do que as afirmaçoes pró-GM
das indústrias de biotecnologia.
Estes foram
alguns dos pontos principais do "The Effects of Information on
Consumer Demand for Biotech Foods: Evidence from Experimental
Auctions" lançado pelo Departamento de Agricultura dos EUA.
O
relatório, preparado por uma equipe liderada por Abebauehu
Tegene, observa que o consumidor tem uma propensao menor a pagar por
alimentos quando o rótulo indica que ele foi produzido com a
ajuda da biotecnologia moderna. O estudo experimental mostrou que,
embora sexo, renda e outras características demográficas
tivessem apenas um pequeno impacto na propensao do consumidor em
pagar por alimentos GM, a informaçao de fontes interessadas ou
de fontes independentes teve um forte impacto.
Para obter o
relatório completo, visite
http://www.ers.usda.gov/publications/tb1903/tb1903.pdf
Plantaçoes
GM e nao-GM coexistem na Nova Zelândia
"A
coexistencia entre plantaçoes geneticamente modificadas e
plantaçoes convencionais é possível",
é a afirmaçao constante de dois artigos recentemente
publicados pelo governo da Nova Zelândia. A moçao do
governo para a aprovaçao da coexistencia apoia as
recomendaçoes da Comissao Real para Modificaçoes
Genéticas, que incentivam a coexistencia de todas as formas de
agricultura e diferentes sistemas de produçao em
benefício da Nova Zelândia.
O primeiro
artigo, intitulado "Government Response to the Royal Commission
on Genetic Modification: Report on Managing the Effects of GM
Organisms and Coexistence in Primary Production - Paper
1:Overview", afirma que o conceito geral da coexistencia
já existe na produçao primária da Nova
Zelândia, onde sistemas de controle de pragas convencionais,
orgânicos e integrados se complementam. A aplicaçao de
diferentes métodos de produçao agrícola
também exige a divisao de responsabilidades entre os
diferentes produtores agrícolas.
O primeiro
artigo também ilustra a necessidade de tres elementos
essenciais para se alcançar uma coexistencia eficiente entre
sistemas de produçao GM e nao-GM:
a) Um
enfoque de controle eficiente que proteja o meio ambiente e garanta a
segurança das pessoas e comunidades, impedindo ou controlando
efeitos adversos, e identificando agencias responsáveis pelo
gerenciamento de tais condiçoes adversas.
b) Um
método de acompanhamento caso-a-caso que responda rs
características específicas de cada OGM, e
c) Um
enfoque no conjunto da cadeia de produçao, levando em
consideraçao todas as dúvidas, começando pela
produçao de sementes e acompanhamento local, até o
manuseio pós colheita e distribuiçao.
O segundo
artigo, intitulado "Government Response to the Royal Commission
on Genetic Modification: Report on Managing the Effects of GM
Organisms and Coexistence in Primary Production - Paper 2:
Practicalities of Specific Issues", discute os pontos
práticos, que incluem códigos para plantio de OGMs,
gerenciamento de riscos para apicultores e usuários do
inseticida Bt.
Os artigos
podem ser vistos no site http://www.maf.govt.nz/mafnet/rural-nz/research-and-development/biotechnology/gm-coexistence-decision/.
Kari
lança programa USAID com biotecnologia
O Instituto de
Pesquisa Agrícola do Quenia (KARI) lançou oficialmente
um Programa de Apoio USAID com biotecnologia de cinco anos, numa
cerimônia presidida pelo Ministro da Agricultura do Quenia,
Kipruto Arap Kirwa, em 23 de abril de 2003.
O USAID
prometeu um apoio de 25% ao programa de biotecnologia do KARI, que
tem um custo total estimado de US$ 12,5 milhoes, durante um
período de cinco anos. O USAID incentiva parcerias entre os
setores público e privado na implementaçao de processos
para melhorar a capacidade de construçao e transferencia de
tecnologia. Isso concentra-se em cinco áreas principais: 1)
desenvolvimento e comercializaçao de batata doce resistente a
vírus; 2) desenvolvimento e comercializaçao de milho
resistente a pragas na armazenagem; 3) desenvolvimento de vacinas
contra doenças do gado; 4) divulgaçao da biotecnologia
e biossegurança entre agricultores, consumidores,
políticos e jornalistas; 5) apoio ao desenvolvimento e
implementaçao de um esquema nacional de biossegurança.
O KARI
atualmente utiliza diversos métodos para responder rs questoes
de produçao agropecuária:
a) Técnicas
de micro-propagaçao na cultura de tecidos de plantas para
produzir materiais para plantadores de banana e floricultores com
grande impacto positivo para proprietários de pequenas
fazendas.
b) O
uso de técnicas de recuperaçao de embrioes para gerar
variedades de trigo "duplo haplóide", reduzindo o
período de desenvolvimento do trigo de 13 anos para 4 anos.
Duas novas variedades de trigo produzidas pelo KARI devem ser
lançadas ainda este ano.
c)
Técnicas de seleçao com marcadores genéticos
foram usadas na criaçao de milho tolerante r seca, e
atualmente estao sendo realizados estudos nacionais.
d)
Batata doce transgenica, resistente a vírus, milho Bt
resistente a insetos e variedades de algodao Bt foram aprovados para
avaliaçao no país. Vacinas GM e testes de
diagnóstico para algumas doenças prioritárias do
gado (peste bovina, Febre do Vale Rift e Pleuropneumonia bovina
contagiosa) também estao sob avaliaçao.
Mais sobre o
KARI no site:
http://www.hridir.org/countries/kenya/PROVCOUN/kenya_agriculturalresearch_institute_kari/index.htm
Comissário
da ONU: A África deve utilizar a biotecnologia
A África
deve tomar medidas urgentes para utilizar as tecnologias modernas,
se quiser lidar de modo eficaz com os vários e frustrantes
desafios que enfrenta. Esta foi a mensagem principal da Quinta
Palestra Anual Peter Doherty, realizada por K.Y. Amoako,
Secretário Executivo da Comissao Econômica da ONU para
África, no Instituto de Pesquisa Internacional de Gado em Adis
Abeba, Etiópia.
Amoako falou
da biotecnologia e da tecnologia de informaçao e
comunicaçao como pontos diretamente relevantes para resolver
os problemas mais críticos da África de um
desenvolvimento sustentável.
Ele reiterou
as recomendaçoes específicas para o governo da
África, delineadas na publicaçao da ECA de 2002
"Harnessing Technologies for Development". Alguns deles:
a)
Promover pesquisa de biotecnologia concentrada na África,
enfatizando "lavouras órfas", principalmente a
cassava, painço, sorgo, batata doce e inhame, e outros cereais
como milho, arroz e trigo;
b)
Desenvolver políticas de biotecnologia específicas para
a África, incluindo todos os nichos da populaçao, como
sociedade civil, setor privado e organizaçoes agrícolas
na formulaçao de planos nacionais;
c) Estabelecer
instituiçoes nacionais de controle para avaliaçao de
riscos e gerenciamento;
d)
Aumentar o investimento na pesquisa de biotecnologia moderna;
e) Promover
parcerias entre o setor público e privado na pesquisa da
biotecnologia avançada;
f)
Reforçar a ligaçao entre a biotecnologia moderna da
lavoura e seu uso na criaçao de plantas adequadas.
Amoako deixou
bem claro que "O desenvolvimento sustentável da
África está em nossas maos coletivas... a África
nao pode perder as oportunidades que a ciencia e a tecnologia estao
lhe oferecendo. Está tudo r nossa frente. A hora de discursos
já passou."
Mais
informaçoes sobre a Comissao Econômica da ONU para
África no site: http://www.uneca.org
Academia
francesa pede pesquisa independente de GM
A Academia
Francesa de Ciencias publicou um relatório dizendo que fundos
públicos para pesquisa de modificaçao genética
é essencial para sua credibilidade. O relatório
argumenta que uma análise de riscos associados a plantas GM
pode diminuir as críticas se for baseada em critérios
estritamente científicos. Além disso, a Academia
acredita que manter o apoio financeiro para a pesquisa pode assegurar
independencia de pressoes econômicas, e é
indispensável para preservar a credibilidade na
avaliaçao de riscos.
O
relatório afirma que "uma alarmante ausencia de pesquisa
na aplicaçao de transformaçao de plantas deixa este
campo de investigaçao totalmente aberto a outros". Isto
pode resultar numa depreciaçao de variedades cultivadas, o que
seria prejudicial para as variedades agrícolas do país.
Outra
determinaçao da Academia é para um projeto piloto em
larga escala para demonstrar a utilidade da engenharia
genética, principalmente em países em desenvolvimento.
Ela também sugere iniciativas para impedir que a propriedade
intelectual iniba usos nao comerciais e para assegurar que institutos
públicos de pesquisa lidem de forma ética com
países em desenvolvimento.
Gene de
sorgo controla a dureza da parede celular da planta
Wilfred
Vermerris, professor assistente, e Siobhan Bout, técnico
pesquisador do Departamento de Agronomia e Engenharia Agrícola
e Biológica da Universidade Purdue, identificaram o gene do
sorgo que controla a dureza da parede celular da planta. Acredita-se
que os resultados do estudo possam melhorar a digestibilidade da
raçao, produzir lavouras mais resistentes e aumentar a
produçao de biocombustíveis.
O gene do
sorgo Brown midbrid (Bmr), possui ácido cafeico
O-metiltransferase (COMT), uma enzima produtora de lignina. Este gene
está envolvido na formaçao de lignina, uma
substância endurecedora da parede celular da planta.
Os
pesquisadores clonaram o Bmr após comparar a composiçao
química das paredes celulares dos mutantes. Também
identificaram a parte do gene sorgo Brown midbrid, que é
diferente nos tres mutantes: bmr12, bmr18 e bmr26.
De acordo com
o estudo, os mutantes de sorgo reduziram quantidades de COMT,
responsável pela quantidade menor de lignina nas folhas dos
mutantes, se comparados as plantaçoes originais. Plantas
mutantes com estas mudanças genéticas possuem um tecido
vascular marrom e nao o tecido normal verde, e sao mais macias.
As
mutaçoes que amaciaram a planta melhoraram a digestibilidade
do alimento, e o gado parece gostar mais do novo gosto. A clonagem
deste gene também pode ajudar na introduçao de
mudanças similares em outras plantaçoes, como
azevém e milho.
Entre em
contato com Wilfred Vermerris da Purdue University em seu email: Vermerris@purdue.edu
para mais detalhes da pesquisa.
Descobertas
sobre tempo de floraçao podem dar mais opçoes a plantaçoes
O desabrochar
de dias longos e dias curtos sao controlados pelos mesmos genes, mas
com regulaçao alterada. Portanto, plantas modificadas podem
ser plantadas em novas áreas e diferentes épocas do ano.
Ko Shimamoto e
seus colegas no Instituto de Ciencias e Tecnologia Nara em Takayama,
Japao, levantaram esta possibilidade em seu trabalho sobre controle
fotoperiódico. Observando as várias aplicaçoes
em potencial para a agricultura, a equipe disse que "a exigencia
da duraçao do dia para qualquer planta pode agora ser
manipulada, e poderemos expandir a latitude das áreas onde
certas plantaçoes serao feitas. Uma aplicaçao
óbvia é a mudança nas exigencias
fotoperiódicas das plantas, que poderao ser plantadas em
diferentes épocas do ano." Nao é um botao de
liga/desliga para dias longos versus dias curtos, mas Shimamoto
acredita que seja posspossível sintonizar a época de floraçao.
O artigo
"Adaptation of Photoperiodic Control Pathways Produces Short-day
Flowering in Rice" por Ryosuke Hayama, Shuji Yokoi, Shojiro
Tamaki, Masahiro Yano e Ko Shimamoto foi publicado na Nature 422, 719-722.
Mande um
e-mail para o autor no endereço: simamoto@bs.aist-nara.ac.jp.
Manitol
dá ao trigo GM resistencia a seca e ao sal
Modificar
geneticamente o trigo para extrair o manitol, um álcool de
açúcar, pode torná-lo mais resistente r seca e
ao sal, e ao mesmo tempo, aumentar a colheita.
Arron C.
Guenzi e colaboradores na Universidade do Estado de Oklahoma
extraíram o gene mannitol-1-fosfato dehidrogenase (mtlD) da
Escherichia coli no trigo. Tecidos ou plantas contendo o novo gene
conseguiram suportar a água e o estresse da seca bem melhor
que as plantas originais.
Guenzi e seus
colaboradores observam que a técnica envolve a adiçao
de genes para sintetizar o produto que ocorre naturalmente. O gene
ocorre naturalmente em várias plantas alimentícias, e
é geralmente usado como aditivo em vários alimentos processados.
O artigo
"Tolerance of Mannitol-Accumulating Transgenic Wheat to Water
Stress and Salinity" por Tilahun Abebe, Arron C. Guenzi, Bjorn
Martin, e John C. Cushman foi publicado na ediçao de 11 de
abril de 2003, da Plant Physiology (131, 1748-1755).
Entre em
contato com Arron C. Guenz no endereço: acg@okstate.edu
Descoberta
proteína para proteçao contra doenças
Os cientistas
do John Innes Centre, Universidade de Edinburgh, Universidade de
Toronto e a Noble Foundation descobriram uma proteína muito
importante na habilidade da planta desenvolver uma imunidade eficaz
contra uma grande gama de doenças. Acredita-se que este
trabalho possa levar a novas estratégias genéticas para
proteçao contra doenças nas plantaçoes,
diminuindo o uso de pesticidas, mas mantendo uma boa colheita.
De acordo com
um artigo no número de Inverno 2003 da Advances, uma
publicaçao do John Innes Centre e do Laboratório
Sainsbury, a proteína DIRI 1 é essencial ao sistema
interno de aviso contra doenças das plantas. Ela permite que
as células atacadas por doenças transmitam um sinal que
alerte outras partes da planta sobre a presença da
infecçao. A induçao da resistencia r doença
é um elemento importante na estratégia da planta para
se proteger contra o ataque de doenças.
Mais sobre
John Innes no endereço http://www.jic.bbsrc.ac.uk
ANÚNCIOS
Congresso
Europeu de Biotecnologia
O Congresso
Europeu de Biotecnologia vai acontecer de 24 a 29 de agosto no Centro
de Convençoes Basel na Suíça. O Congresso vai
discutir os mais recentes avanços e realizaçoes da
biotecnologia moderna. Ele pretende também preencher as
lacunas e promover o diálogo aberto entre biologia molecular e
a engenharia genética, Academia and Industry, e Biociencia e
Sociedade. Visite o website:
http://www.efbweb.org/topics/ecb11.htm.
Curso de
Treinamento em Harvard
O Belfer
Center for Science and International Affairs, da Universidade de
Harvard, realizará um curso executivo de treinamento
intitulado "Science, Technology and Innovation Policy", de
30 de Novembro a 12 de Dezembro de 2003. O seminário de duas
semanas visa aprimorar a capacidade de decisao de administradores
envolvidos com políticas nacionais de desenvolvimento. A
descriçao completa do curso está em:
http://bcsia.ksg.harvard.edu/research.cfm?program=STPP&project=STG&ln=Executive&pb_id=202&gma=27&gmi=45.

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