|
Boletim
Informativo do Centro Mundial de Conhecimento Agrícola.
Notícias
Biotech - Abril de 2003
Um
resumo dos principais avanços da biotecnologia na agricultura
de países em desenvolvimento, elaborado pelo Centro Mundial de
Conhecimento da Biotecnologia Agrícola, Serviço
Internacional para Aquisição de Aplicações
da Biotecnologia Agrícola (ISAAA), e AgBiotechNet.
Edição
de 4 de Abril
USDA:
Mais plantios de transgênicos em 2003 - Biotecnologia e
Agricultura Sustentável
Austrália
aprova a canola GM e árvores GM (baixo teor de lignina)
Público
ainda recebe notícias da ciência genética com reservas:
A
visão do público na UE sobre novo livro que trata de transgênicos
Agricultores
de Muoroto adotam o Diploma de Biossegurança
Avaliação
do fluxo de genes em unidades produtoras de transgênicos
USDA:
Mais plantios de transgênicos em 2003
NASS,
o Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas do
Departamento de Agricultura dos EUA, prevê que que os
agricultores aumentarão seus plantios de variedades
biotecnológicas em 2003. Dados na publicação
Prospective Plantings do NASS mostram que cerca de 38 porcento dos 32
milhões de hectares plantados com milho este ano serão
aprimorados pela biotecnologia, o que representa um aumento
aproximado de 4 porcento em relação a 2002.
Agricultores indicaram sua intenção de plantar mais
milho resistente a insetos (Bt). No caso da soja, estima-se que
variedades transgênicas representarão 80 porcento da
safra, um aumento de 5 porcento em relação a 2002.
Prevê-se
uma queda de 1 porcento no plantio de algodão resistente a
insetos ou resistente a herbicidas em 2003.
O
relatório completo está disponível em:
http://www.usda.gov/nass/PUBS/TODAYRPT/pspl0303.pdf
Austrália
aprova Canola GM
Agricultores
australianos em breve plantarão a canola geneticamente
modificada (GM). O órgão regulador da tecnologia
genética na Austrália autorizou o plantio em escala comercial.
As
autoridades australianas publicaram, para o debate entre a sociedade
civil, o plano de gerenciamento de risco para a
aprovação da distribuição do produto pela
Bayer Cropscience, e deu o prazo de oito semanas para o processo.
Porém, a Dra. Sue Meek, diretora do órgão,
já afirmou que "a canola GM não apresenta riscos
maiores que a canola convencional para a saúde humana ou para
a segurança do meio ambiente."
A
Federação de Agricultores de Victoria expressou
confiança de que a canola GM será produzida este ano.
O
relatório completo está em: http://www.abc.net.au/news/newsitems/s822127.htm
Público
ainda encara a biotecnologia com reservas
O
canal de TV Discovery recentemente patrocinou a primeira pesquisa
para avaliar atitudes em relação às
questões de DNA e genética em todo o mundo. A pesquisa
visava demonstrar como o público em geral encara a
genética em suas vidas, e o quanto conhecem sobre o progresso
atual da biotecnologia. A pesquisa foi realizada em oito
países: Reino Unido, Dinamarca, Polônia, México,
Brasil, Taiwan, Turquia e Estados Unidos.
A
pesquisa revelou os seguintes dados:
-
Somente
8% dos entrevistados responderam que entendem o desenvolvimento da
ciência genética com clareza. Porém, muitas
pessoas partilham do otimismo dos cientistas no sentido de que a
genética decidirá o futuro da raça humana. O
maior apoio foi constatado no Brasil, e a maior oposição
foi verificada no Reino Unido e Estados Unidos. A opinião
pública está de acordo que os avanços na
genética trarão curas para a maioria das doenças.
- No
Reino Unido e Polônia 65% dos entrevistados concordaram que a
pesquisa genética humana é perigosa porque mexe com a
natureza. Na Dinamarca, 52% discordaram.
- Na
Polônia, 72% dos entrevistados sentem que as leis e
regulamentações para a engenharia genética
estão atrasadas em relação aos avanços
científicos. Porém, no Reino Unido os entrevistados
mostraram maior preocupação com o controle.
- No
geral, 83% são contra a clonagem de um membro da
família que tenha falecido. A oposição foi maior
na Dinamarca, com 97%. Também no geral, 82% acreditam que
já foi realizada uma clonagem humana, e 71% estão a
favor de uma proibição do governo para a clonagem humana.
- A
maioria (83%) sente que a tecnologia genética não deva
ser usada para satisfazer um desejo cultural ou estético, mas
sim exclusivamente sob condições médicas, quando
há uma ameaça à qualidade de vida ou à
própria vida em si.
- Na
Turquia, 80% apreciariam o direito de diagnosticar embriões
humanos que possam ser portadores de doenças hereditárias.
- Em
Taiwan, 39% dos entrevistados persistiriam em tratamentos com
terapia genética (pela alteração e
substituição de genes), embora isso apresente riscos,
mas 60% dos mexicanos interromperiam seu tratamento.
- No
geral, 58% dos entrevistados não estão dispostos a
comer alimentos geneticamente modificados (GM), e 55% acreditam que
é seguro enviar alimentos GM a países em necessidade.
Também, 66% apoiam o desenvolvimento de produtos GM, se isso
resultar em medicamentos mais baratos.
Para
maiores detalhes, visite:
http://highmarkfunds.stockpoint.com/highmarkfunds/newspaper.asp?Mode=genetics&Story=20030331/090p4727.xml.
A
visão do público na UE sobre a biotecnologia agrícola
As
percepções de consumidores sobre a biotecnologia
são influenciadas por uma série de fatores, tais como
preocupação com o meio ambiente, política
externa dos EUA e diferentes opiniões setoriais. A fim de se
chegar a uma visão mais ampla da opinião pública
sobre a pesquisa com biotecnologia na agricultura, a KRC Research foi
contratada pela ABE (Biotecnologia na Agricultura da Europa) para
compilar dados representativos de diversos estudos recentes.
Esta
revisão, intitulada "Opiniões européias
sobre a biotecnologia na agricultura: uma visão geral da
opinião pública" (European Views on Agricultural
Biotechnology: An Overview of Public Opinion), procura refletir a
atual perspectiva pública sobre pontos vitais no debate
referente à biotecnologia na agricultura. As pesquisas
revisadas neste estudo são: The Grocer (2002), ABE (2001 and
2002), MORI (2002), The Consumer's Association (2002), Agricultural
Biotechnology Council (2001), IfD Allensbach (2001), NOP (2001),
Eurobarometer (2000), e do Departamento de Estado dos EUA (1999).
Alguns
dos pontos principais da revisão:
O
relatório completo pode ser acessado em:
http://abeurope.dynamicweb.dk/images/files/Public_opinion_overview_on_biotechnology.pdf.
Agricultores
de Muoroto adotam a Biotecnologia
A
cooperativa agrícola Muoroto, baseada em Dagoreti, Kikuyu,
recentemente adotou a biotecnologia, e hoje está convencida de
seus benefícios. O Instituto de Pesquisas Agrícolas do
Quênia (KARI, no original), e o Centro de
Informações sobre Biotecnologia do Quênia
também patrocinaram um seminário para os agricultores
cooperativados, para uma apresentação básica da
biotecnologia e suas oportunidades de aplicação no Quênia.
O
seminário de treinamento permitiu que os agricultores se
familiarizassem com aplicações da biotecnologia
vegetal, como a cultura de tecidos, clonagem de árvores e
seleção por marcador molecular, além de uma
descrição das instituições envolvidas em
atividades biotecnológicas.
Um
workshop itinerante também foi realizado, incluindo visitas
às seguintes áreas: Projeto de Biotecnologia com
Árvores, na Central do Departamento Florestal, na floresta de
Karura; Centro Nacional de Pesquisa em Horticultura (KARI) em Thika,
e diferentes bananais em Maragua, parte do Centro de
Informações sobre Biotecnologia do Quênia.
Para
mais informações sobre o KARI:
http://www.hridir.org/countries/kenya/PROVCOUN/kenya_agricultural_research_institute_kari/
Avaliação
de fluxo genético em plantas GM
O
potencial risco de fluxo de genes deve ser avaliado caso a caso, e
recomenda-se cautela antes de chegar a conclusões
generalizadas. O fluxo de genes e o ingresso sempre ocorrem até
um certo ponto. Jaquima Messequer, do Centre de Cabrils, Barcelona,
chegou a esta conclusão em sua revisão dos principais
estudos sobre a avaliação do fluxo genético.
Messequer
observa que, em certos produtos específicos,
estratégias de contenção podem reduzir muito o
risco de fluxo genético através da
polinização cruzada. Porém seria difícil
controlar o aparecimento de voluntários transgênicos
devido às sementes derrubadas, levadas pelo vento ou plantadas
acidentalmente durante a colheita, e práticas convencionais de
gerenciamento. Porém, ela acrescenta que, durante o tempo em
que plantas transgênicas foram liberadas no meio ambiente,
não foram encontradas provas conclusivas de que esse fato
representasse um risco maior ao meio ambiente do que plantas
convencionais, não transgênicas.
A
cientista enfatiza que "transformação
genética é uma ferramenta poderosa, cuja
eficiência não pode ser anulada pelo potencial risco de
fluxo genético". Por isso a necessidade de se conservar o
meio ambiente, o que também se aplica a práticas
agrícolas tradicionais. Ela conclui dizendo que "o
conhecimento adquirido em décadas recentes deve ser aplicado
tanto às culturas transgênicas como às
tradicionais, para fomentar o aumento da produção de
alimentos, mas sempre levando em conta a necessidade de se preservar
o meio ambiente."
O
artigo de Messequer "Avaliação de fluxo de genes
em plantas transgênicas aparece em "Plant Cell, Tissue and
Organ Culture" (73: 201-212, 2003).
Email
da autora: joaquima.messeguer@irta.es
Biotecnologia
agrícola e agricultura sustentável
A
agricultura sustentável requer uma estratégia
fundamentalmente diferente para o plantio de alimentos e
criação de animais, em relação ao
método convencional da agropecuária que hoje incorpora
a engenharia genética em suas práticas. Esta é a
opinião de Thomas Lyson, Universidade Cornell, em Ithaca, N.Y.
As
biotecnologias agrícolas, conforme ele explica, estão
presas a um paradigma científico com raízes na biologia
experimental. Por outro lado, a agricultura sustentável
está ligada a um paradigma biológico (ou
ecológico). Ele esclarece que tanto a biotecnologia como a
agricultura sustentável estão associadas a
específicos paradigmas sociais científicos, mas a
sustentabilidade é delineada sob um prisma enfocado na
comunidade, com a busca de soluções para problemas.
Consideradas essas diferenças, "veremos o desenvolvimento
de dois sistemas bem distintos de produção de alimentos."
Lyson
reconhece que as indústrias e serviços de
biotecnologia deverão ser ferramentas poderosas da economia,
mas ele avisa a países em desenvolvimento que é
necessário conhecer as mudanças que acompanham a
introdução destas atividades em seus países. Uma
preocupação em particular é a necessidade de se
respeitar não apenas as dimensões ambientais mas
também as comunitárias, ambas presentes na agricultura sustentável.
Lyson
apresenta estes pontos no estudo "Advanced agricultural
biotechnologies and sustainable agriculture" publicado em Trends
in Biotechnology (Vol. 20, No. 5, 2002).
Visite
http://tibtech.trends.com
para mais informações.
Árvores
GM (com baixo teor de lignina)
O
desenvolvimento de árvores de rápido crescimento e
baixo teor de lignina através da engenharia genética
pode representar uma solução ideal para o processo caro
e de alto consumo de energia da transformação de
madeira em papel.
As
indústrias de polpa e papel gastam mais de US$ 6
bilhões ao ano para separar a celulose do papel da lignina.
Portanto, madeira com menos lignina e mais celulose representaria um
enorme ganho para a indústria de papel.
Pesquisadores
liderados pelo Dr. Vincent Chiang, na Universidade Estadual da
Carolina do Norte (NCSU), podem tornar isto possível.
Através da modificação genética, a equipe
reduziu o conteúdo de choupos entre 45 a 50 porcento. A
pesquisa demonstrou não apenas uma redução do
teor de lignina, mas também um aumento no conteúdo de
celulose dos choupos transgênicos. Uma vantagem adicional
evidenciada na pesquisa foi o crescimento mais rápido das árvores.
A
habilidade de se criar plantações de alta
produtividade com estas características desejadas
permitirá aos plantadores "produzir madeira de modo mais
eficiente e em menores áreas, para que as florestas naturais
sejam menos afetadas, com maior preservação de
hábitats e sua estética, e maior uso para a recreação."
A
pesquisa é descrita no trabalho "Combinatorial
modification of multiple lignin traits in trees through multigene
co-transformation", publicado on-line por Proceedings of the
National Academy of Science de 31 de Março.
Um
artigo da NCSU também está disponível em:
http://www.ncsu.edu/news/press_releases/03_04/99.htm
Anúncios:
Nova
literatura sobre alimentos GM
A
Agência de Padrões de Alimentos (FSA) do Reino Unido
acaba de publicar seu novo trabalho sobre alimentos GM intitulado
"Alimentos GM: Iniciando o Debate" (GM food - opening up
the debate). A publicação de 20 páginas oferece
informações básicas sobre a
modificação genética, métodos de
avaliação de alimentos, rotulagem, plantio, venda e
consumo de produtos biotecnológicos. Para fazer o download do
material, acesse:
http://www.food.gov.uk/multimedia/pdfs/gmbooklet.pdf.
Diploma
em Biossegurança
A
Organização de Desenvolvimento Industrial das
Nações Unidas e a Universidade de Concepción no
Chile anunciaram a criação de um curso para
diplomação em Biossegurança. O curso oferece
crédito acadêmico internacional, e é baseado em
técnicas de aprendizado remoto. Para maiores detalhes, visite:
http://binas.unido.org/UDEC_biosafety.

|
©2001
ANBio - Associação Nacional de Biossegurança.
All
rights reserved. |
|