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Falta
de milho preocupa produtores
Recife,
20 de Fevereiro - O risco de desabastecimento de milho
está deixando a avicultura de Pernambuco a perigo e os
avicultores esperam que o governo federal garanta, claramente, a
liberação para importação de milho
transgênico da Argentina. Desde as celeumas jurídicas
que impediram o desembarque do milho no Porto do Recife, no ano 2000,
os avicultores vinham mantendo o plantel avícola comprando
milho, produzido na região Centro Oeste do Brasil, nos
leilões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), pelo
mesmo preço do milho argentino. Mas, segundo o vice-presidente
de ovos da Associação Avícola de Pernambuco
(Avipe), Antônio Correa, não há mais estoque de
milho da Conab, para 2003 e o de 2002, já acabou no ano
passado.
A
última remessa de 14,5 mil toneladas de milho leiloado pela
Conab, que chegou ao Porto do Recife, na sexta-feira passada, é
insuficiente para garantir o abastecimento até o final do
mês. O volume representa menos da metade do consumo mensal do
setor avícola no Estado, que chega a 50 mil toneladas. A
promessa do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
Roberto Rodrigues, no encontro com os avicultores do Nordeste, no
último dia 31, em Brasília, de leiloar 150 mil
toneladas de milho para o Norte, o Nordeste, Minas Gerais e o
Espírito Santo, ainda está sem previsão de ser
cumprida.
Até
agora nem o edital de compra do milho pelo governo federal foi
publicado. Não sabemos quando o leilão vai
acontecer´, reclama Correa, ainda lamentando as perdas de R$ 100
milhões em produtos avícolas em 2002, com a queda da
atividade em 32% no Estado. Segundo ele, os avicultores estão
pagando caro para manter a produção de frangos e ovos
no Estado e perdendo em competitividade.
Enquanto
a saca de 60 quilos de milho importado da Argentina pode chegar ao
Porto do Recife por R$ 26,00 ou R$ 27,00, os pequenos avicultores,
que não dispõem de logística própria para
importar o insumo, estão comprando no Centro Oeste ou na
região de Barreiras, na Bahia, por até R$ 38,00.
Suicídio
econômico
Para
os grandes avicultores, que têm melhores
condições de transporte, a diferença não
é muita e eles pagam entre R$ 34,00 e R$ 35,00 pela saca.
´Isso é um suicídio econômico a médio
prazo e nos deixa sem condições de competir com a
produção do Sul do País, onde a saca de milho
custa R$ 20,00´, diz Antônio Correa.
A
solução para a crise que, segundo dados da Avipe,
chegou a desempregar 18 mil trabalhadores só em Pernambuco, no
ano passado, está na liberação das
importações de milho transgênico da Argentina. A
posição da Avipe é apoiada pelo governo de
Pernambuco.
O
secretário de Produção Rural e Reforma
Agrária de Pernambuco, Gabriel Maciel, diz que o tipo
importado é o Bt, uma bactéria largamente utilizada
para controle biológico de pragas específicas da
cultura. ´A ração animal produzida com esse milho
tem a mesma composição físico-química do
convencional, não causa nenhum efeito colateral no produto
final para o consumidor´, explicou Maciel, que defendeu a
liberação ontem, na reunião do Fórum
Nacional de Secretários de Agricultura (FNSA), em
Brasília, com a participação do ministro Roberto
Rodrigues. Segundo Maciel, o governo promete uma solução
para os transgênicos em 30 dias.
(Gazeta
Mercantil) (Etiene Ramos )

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