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Entrevista
Parecer
técnico precisa ser acatado por todos, diz presidente da CTNBio
Posição
vai contra intenção de ministério de tornar
comissão órgão consultivo
A
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio) deve manter seu caráter deliberativo nas
decisões sobre a liberação de transgênicos.
Essa é a opinião do recém-empossado presidente
do órgão, Erney Camargo. "Se o parecer da
comissão disser que o produto é seguro, ou não
é seguro, este tem de ser o parecer no qual todos os outros
organismos baseiam suas ações", disse, em
entrevista ao Estado.
Essa
posição vai contra a intenção do
Ministério da Ciência e Tecnologia de transformar a
CTNBio em órgão meramente consultivo, ao
contrário do que determina a Lei de Biossegurança.
Camargo deixa claro, porém, que a CTNBio só julga a
segurança dos produtos. A decisão de liberá-los
para venda sempre foi dos ministérios.
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Estado
- Qual é, ou deve ser, a competência da CTNBio? |
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Erney
Camargo - A CTNBio é uma comissão técnica
por definição. Dá pareceres técnicos
sobre biossegurança de transgênicos, e ponto. O grande
dilema é se os pareceres devem ser vinculantes ou não.
Minha opinião é que, em termos de biossegurança,
eles devem ser vinculantes. Mas a competência da CTNBio acaba
aí. A comissão não opina sobre o impacto
econômico ou social do transgênico, ou sobre as
implicações que pode ter sobre o mercado externo ou a
folha de pagamentos. Nossa competência é sobre
biossegurança, para o homem, os animais e o meio ambiente. |
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Estado
- Essa competência está sendo respeitada? |
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Camargo
- Sim. Uma comissão interministerial foi montada para
discutir esse assunto, mas ainda não se pronunciou definitivamente. |
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Estado
- E o processo judicial contra o parecer da soja transgênica? |
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Camargo
- O Judiciário é um poder separado. Não
temos nenhum controle sobre isso. O importante é que o
ambiente de discussão é fraterno. Há alguns
anos, era guerra mesmo: tinha o bem de um lado e o mal de outro.
Não estou sentindo esse clima mais. O que existe são
opiniões diferentes sobre um assunto, que está sendo
discutido em busca de uma saída correta. Não há hostilidade. |
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Estado
- Há possibilidade de a CTNBio rever o parecer sobre a soja? |
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Camargo
- Não. Você pode, claro, mudar qualquer parecer
técnico se as condições mudam. A talidomida era
usada como calmante para grávidas até que se descobriu
que causava malformações congênitas. Então,
foi imediatamente retirada do mercado. Esse é sempre um
risco, de que num momento você descubra que o produto tem algum
efeito indesejável. |
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Estado
- Há algum dado novo sobre a soja? |
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Camargo
- Nada de concreto foi trazido à CNTBio. |
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Estado
- Como lidar com essa imprevisibilidade? |
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Camargo
- Isso vale para qualquer tecnologia. Até para a
aspirina. Depois de muitos anos de uso como analgésico,
descobrimos por exemplo que ela evita a coagulação de
plaquetas no interior dos vasos sanguíneos e ajuda a evitar
enfartes. Mas esse efeito benéfico pode levar a hemorragias
que, combinadas com outros anticoagulantes, tem efeito até
mortal. Só que o risco não é tão grande a
ponto de retirá-la do mercado. |
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Estado
- Há pressões sobre a CTNBio para ser mais cautelosa
com relação à aprovação de outros transgênicos? |
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Camargo
- Não há nenhum tipo de pressão ou lobby.
Os produtos que forem apresentados serão avaliados
tecnicamente, sem qualquer problema. |
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Estado
- Que orientação o sr. oferece aos consumidores? |
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Camargo
- O consumidor pode ficar tranqüilo de que o que dissermos
ser seguro, no melhor do nosso conhecimento, é seguro. Se a
pessoa deve ou não consumir depende de fatores pessoais,
sociais e culturais. Dizemos só se é seguro ou
não. (H.E.) |
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