Pesquisa genética pode ajudar na solução do mistério do antraz
12 de Maio, 2002 6:12 PM hora de Brasília (2112 GMT)



As cartas com antraz que mataram cinco pessoas nos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro são um mistério tão grande para as autoridades federais que, de acordo com um especialista, só mesmo a combinação de uma "nova ciência" e "o bom trabalho dos detetives de antigamente" deverá ser capaz de descobrir o responsável pelos ataques com a bactéria
Em artigo publicado no jornal Science, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Genômica (TIGR), com sede em Rockville, estado norte-americano de Maryland, detalharam sua contribuição para a participação desta "nova ciência" nas investigações, a qual consiste na comparação genética de amostras de antraz. Os cientistas compararam o antraz que matou o editor de fotografia Bob Stevens, na Flórida, com outras da cepa do bacilo conhecida como "Ames". A cepa Ames foi isolada pela primeira vez após a morte de uma vaca no Texas, em 1981. Esta variação seguiu, desde então, para análise em dezenas, ou até mesmo centenas, de institutos de pesquisa nos Estados Unidos e na Europa. "Nos últimos 21 anos, distintos laboratórios desenvolveram mutações na seqüência do DNA", explicou a presidente do TIGR, Claire Fraser. "É nestas regiões que estamos nos centrando, regiões que são diferentes porque nos dão as informações necessárias para tentarmos distinguir um do outro". A identificação de mutações próprias de cada laboratório poderia, posteriormente, levar os investigadores à origem da cepa do antraz que matou Stevens. "O fato crítico sobre o bacilo é que ele mostrou muito pouca variação genética", comentou Ronald Atlas, presidente eleito da Sociedade Norte-americana para Microbiologia. "Isso realmente tem sido o problema em nossas tentativas de mapear o organismo", acrescentou. O TIGR identificou 60 marcadores, ou diferenças genéticas exclusivas entre o antraz que matou Stevens e várias outras amostras da cepa Ames. Destas, segundo Fraser, 11 poderiam ajudar os pesquisadores a discriminar a amostra da Flórida e as demais. É um trabalho que levará bastante tempo, uma vez que nada menos do que cinco milhões de amostras de DNA estão sendo comparadas. Entretanto, mesmo que a ciência consiga descobrir de que laboratório partiu a amostra da Flórida ou de outra carta letal, caberá aos investigadores da polícia apurar quem manipulou a bactéria, que poderia ter sido roubada ao longo das duas últimas décadas.

Fonte: http://www.cnn.com.br/2002/tec/05/12/antraz/index.html


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