Primeiros
focos para testar nova gerência ambiental brasileira
Brasília,
11 de Junho de 2003 - Mal a estação da seca
começou no Centro-Oeste do País e as queimadas
sinalizam preocupações para este ano. Nos primeiros dez
dias de junho foram registrados 2.158 focos de fogo em todo o Brasil.
A quantidade é menor do que a do mesmo período de 2002,
quando foram detectados 3.232 focos, mas superior à de 2001,
quando se registraram 1.652 focos. As maiores
concentrações até agora estão no Mato
Grosso, com o total de 1.744 queimadas ou 80,8% dos registros do
período.
O alto
índice de focos no Mato Grosso nesta época do ano
acontece, principalmente, por causa do calendário estadual de
queimadas, que proíbe a técnica entre 15 de julho e 15
de setembro. O objetivo do governo é evitar que os
agricultores queimem os pastos nos meses de agosto e setembro,
marcados pela redução das chuvas e baixa umidade
relativa do ar, quando a probabilidade de perda de controle do fogo
é maior. Para driblar a legislação, os
produtores queimam antes.
Duas pontas
Mas já
há também focos crescentes em São Paulo,
Maranhão, Minas Gerais e no Tocantins, segundo
informações da Embrapa Monitoramento de Satélite,
com base em dados do satélite NOAA, enviados pelo Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O
secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e
da Amazônia Legal (MMA), Claudio Langone, informa que o governo
pretende atacar o problema em duas pontas. A curto prazo, aposta no
reforço da relação com os governos estaduais
para a conscientização dos agricultores e
fiscalização das áreas. "A
renovação de 100% das direções das
regionais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis também deve dar uma resposta mais
positiva este ano", diz. Outra idéia é estudar
como o crédito pode induzir mudanças de comportamento,
o que foi discutido em uma reunião de técnicos, ontem,
no ministério.
Não
está definido ainda se a estratégia passa por
incentivos às boas práticas, ou por
restrição a quem insistir nas queimadas.
A longo prazo,
o ministério quer implementar novas formas de
exploração nas propriedades e, com isso, reduzir
não somente as queimadas como também o desmatamento.
"Não basta ficar apenas correndo atrás do
prejuízo", admite Langone.
Modelo
agrário
Uma das
diretrizes claras para o MMA é que é preciso alterar o
plano de ocupação de assentamentos rurais, em especial
na região amazônica. "Sabemos que o modelo
agrário implantado na Amazônia é um dos
responsáveis pelo aumento dos focos de fogo e também do
desmatamento", diz Langone. "Se o produtor é
colocado lá sem infra-estrutura e não faz a queimada,
não terá o roçado", completa.
Os registros
de focos de fogo na Amazônia Legal, espaço que
compreende nove estados, deram um salto nos últimos três
anos.
Passaram de
67.461 focos, em 2000, para 100.336 em 2001 e chegaram ao
número de 160.329 no ano passado. Somente este ano, já
foram captados pelos satélites 11.603 focos.
(Gazeta
Mercantil/Caderno A9)(Gisele Teixeira)
