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Ministra diz que irá elevar multa por acidente

Rodrigo Bittar, De Brasília

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou ontem que o governo federal poderá aumentar a multa aplicada r Cataguases Papel Ltda., de Minas Gerais, por causa da contaminaçao por rejeitos químicos da água dos rios Pomba e Paraíba do Sul, este último de jurisdiçao federal. O valor será definido a partir das análises feitas para detalhar os produtos jogados no rio e o impacto ambiental. A empresa já foi multada em R$ 50 milhoes, valor dez vezes superior aos ativos, pelo Batalhao Florestal da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Marina anunciou ainda a regulamentaçao de uma portaria, que permitirá o pagamento de um salário mínimo, por no mínimo tres meses, aos pescadores artesanais prejudicados pela contaminaçao dos rios.

O acidente, acontecido na madrugada de sábado, afetou municípios mineiros e do norte e noroeste fluminense.

O governo ainda nao sabe quanto gastará nesse processo, porque precisa fazer um cadastro, nas prefeituras das localidades afetadas, dos pescadores cuja produçao sofreu impacto.

Além dessa medida compensatória, Marina Silva afirmou que o governo já age para evitar novos desastres. "Já negociei com o ministro da Integraçao Regional, Ciro Gomes, para construirmos uma nova barragem para conter o vazamento de outras substâncias químicas e abrimos as comportas para aumentar a vazao dos rios e tentar diluir o volume dos rejeitos tóxicos liberado pela indústria", acrescentou a ministra.

Ainda ontem, Marina viajou para Minas Gerais onde pretende se reunir com os governadores Aécio Neves (MG) e Rosinha Matheus (Rio de Janeiro) para discutir novas açoes emergenciais.

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Marcus Barros, alertou para a possibilidade de que "chuvas torrenciais" possam destruir a segunda contençao da indústria, o que provocaria o despejamento de outros 700 milhoes de metros cúbicos de produtos químicos para o rio Pomba. No desastre de sábado, foram jogados 1,2 bilhao de metros cúbicos.

Barros ressaltou que o governo federal nao recebe imediatamente as multas aplicadas sobre empresas que causam desastres ecológicos e que devem ser investidos, obrigatoriamente, em atividades de conservaçao ecológica. O presidente do Ibama lembra que alguns milhoes de reais cobrados da Petrobras no ano passado, por exemplo, foram revertidos em "atividades ecológicas".

Outras multas ainda sao questionadas judicialmente. Segundo Barros, em janeiro o Ibama recebeu R$ 18 milhoes dessas autuaçoes.

 

 

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