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VALOR ECONOMICO
Meio
ambiente
Governos
querem preservar os 300 empregos que a empresa poluidora gera
Cataguases
nao será paralisada
Ivana
Moreira, De Belo Horizonte
Apesar do
vazamento de 1,2 bilhao de metros cúbicos de uma mistura
tóxica da indústria de papel Cataguases, os governos
federal e de Minas querem manter a empresa em operaçao. "
O que vazou nao sao resíduos da produçao atual " ,
disse ontem o governador de Minas, Aécio Neves. Ele acha que a
atividade atual da empresa nao apresenta risco de contaminaçao
e quer salvar os 300 empregos que a indústria gera.
O assunto
será discutido hoje com a ministra do Meio Ambiente, Marina
Silva, que visitará a indústria com o governador. "
Se ela (a Cataguases ) nao apresentar riscos de qualquer crime
ambiental, vamos examinar a possibilidade da continuidade de seus
trabalhos " , afirmou Aécio.
A barragem do
reservatório de resíduos tóxicos da
indústria rompeu-se na manha do sábado, provocando a
contaminaçao dos rios Pomba e Paraíba do Sul. De acordo
com o governo de Minas, a mistura química do
reservatório é subproduto da atividade indústrial
executada pelo grupo Matarazzo, antigo dono da fábrica. Com a
falencia, do grupo, a indústria de papel de Cataguazes foi
assumida pelos funcionários e posteriormente vendida para empresários.
Uma multa de
R$ 50 milhoes já foi aplicada pelo Batalhao Florestal da
Polícia Militar do Rio. No início da noite de ontem, um
mandato de prisao preventiva foi expedida contra os empresários
Félix Santana e Joao Gregório do Bem, atuais donos da
indústria, pela 1s Vara da Justiça Federal de Campos. A
decisao foi tomada com base no inquérito aberto pela
Polícia Federal de Campos, um dos municípios
prejudicados pela contaminaçao dos rios.
Uma
força-tarefa com especialistas de diferentes órgao de
Minas e do Rio trabalham no local desde o dia do acidente. A
principal preocupaçao é evitar o vazamento de um
segundo reservatório de resíduos químicos.
Técnicos da indústria de papel e celulose Cenibra
colaboram com o trabalho.
O desastre
ambiental colocou ontem o governador de Minas em confronto
público com a governadora do Rio, Rosinha Matheus . " Nao
vou permitir que uma questao tao grave, que tem trazido tanto
desespero, uma tragédia de tantas proporçoes que atinge
tanta gente, seja transformado em palanque político " ,
declarou Aécio, numa resposta rs críticas de Rosinha,
que esteve ontem no município mineiro de Cataguases.
Rosinha acusou
o governo de Minas de falta de agilidade na soluçao do
problema e cobrou soluçoes emergenciais. " Os
municípios do Rio é que estao prejudicados " ,
reclamou. Cataguases fica próxima da divisa entre os dois
Estados. Cinco cidades fluminenses, que sao abastecidas por
águas captadas da regiao contaminada, estao com o fornecimento
suspenso.
" O
governo do Estado fez de forma exemplar o que precisava ser feito,
está tomando todas as providencias necessárias a uma
tragédia dessas dimensoes " , retrucou Aécio. Ele
argumentou que os melhores especialistas no assunto estao analisando
a situaçao para apontar a melhor soluçao. Segundo ele,
a proposta apresentada pelo governo do Rio, para construir uma
barragem no córrego Cágada, é tecnicamente imprópria.
A expectativa
do governo mineiro é de que hoje já seja possível
iniciar o tratamento das águas do Rio Pomba. Enquanto o
abastecimento de água nao puder ser restabelecido, a Companhia
de Saneamento Básico de Minas Gerais (Copasa) continuará
enviando caminhoes-pipas para os municípios fluminenses atingidos.
O governador
informou ainda que já conversou com a ministra Marina Silva
sobre a possibilidade de ressarcimento de prejuízos causados
aos produtores ribeirinhos que perderam lavouras e animais e aos
pescadores que ficarao sem sustento por um tempo por causa do
desastre ambiental. A direçao do Ministério da
Agricultura no Rio reuniu-se ontem para planejar açoes de
cadastramento dos agricultores e pecuaristas.
A
Polícia Militar de Minas informou ontem que nao foi encontrada
licença ambiental nas duas vistorias na indústria, em
julho de 2002 e em fevereiro de 2003. As vistorias foram feitas a
pedido do Ibama, que havia recebido denúncias. A PM mineira
mostrou documentos para provar que comunicou a situaçao ao Ibama.
Ontem, duas
equipes do Instituto de Criminalística de Minas estiveram em
Cataguases para fazer o recolhimento de materiais. Segundo o diretor
do instituto, Marcos Soares, qualquer multa só deverá
ser aplicada após a conclusao do laudo técnico. O
governo mineiro questiona o direito do Rio de aplicar a multa
já que a indústria está instalada em Minas.
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