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Desastre ambiental pode ter causado extinçao de espécie

Há vários anos biólogos trabalhavam em projeto para recuperar surubim da Paraíba

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA - O desastre ambiental provocado pelo vazamento de produtos químicos da Indústria Cataguazes de Papel, de Minas, nos Rios Pomba e Paraíba do Sul, pode ter causado a extinçao de uma espécie ameaçada que biólogos tentatentavam recuperar com projetos ambientais na regiao: o surubim do Paraíba.

De acordo com o biólogo Guilherme de Souza, um dos diretores do Projeto Piabanha, o surubim é uma espécie que só existia na bacia hidrográfica do Paraíba do Sul, que abrange o Rio Pomba. "Ele só existe catalogado em reservas e no museu nacional. Nos últimos tres anos, conseguimos capturar apenas tres. É um peixe endemico da bacia que, antes do acidente, já estava seriamente ameaçado", explica.

O geógrafo e ambientalista Felipe Daudt, que também é diretor do projeto, conta que, nos últimos quatro anos, foram lançados cerca de 1,5 milhao de peixes, de diversas espécies, nos dois rios, dos quais 14 mil estavam marcados para estudo.

"O vazamento criminoso de produtos tóxicos matou tudo. Nao sobrou nenhum microorganismo. Era a regiao de mais importante biodiversidade do Paraíba do Sul", afirma o geógrafo. Segundo ele, das 169 espécies catalogadas na bacia hidrográfica, 60 já foram identificadas como afetadas pelo desastre ecológico.

O Projeto Piabanha - que abrange uma área de 230 quilômetros, de Além Paraíba (MG) até a foz do Paraíba do Sul - tem convenios com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e a Universidade de Mogi das Cruzes. Vinte pessoas trabalham no projeto, das quais apenas cinco sao remuneradas, por falta de verbas.

Aliados - Um dos objetivos é conscientizar pescadores sobre a importância da preservaçao e da pesca artesanal. Eles sao os maiores aliados dos especialistas na tentativa de reintroduzir espécies nos rios e preservar o meio ambiente. O pescador Lucinel Figueiredo Cardoso, por exemplo, mantém um açude em sua colônia, na Fazenda Romao, especificamente para a reproduçao de peixes, como o robalo. "Um trabalho de quatro anos foi jogado no lixo", lamentou Daudt. "Tomara que agora o Projeto Piabanha consiga verbas suficientes para bancar os pescadores." (F.W.)

 

 

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