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Paraíba
do Sul tem outras 50 empresas poluidoras
SAO JOAO DA
BARRA - Além da Indústria de Papel Cataguazes, em
Minas, responsável pelo acidente que já é
considerado por especialistas o maior desastre ambiental em rios de
água doce do País, há pelo menos outras 50
empresas poluidoras no Paraíba do Sul, de acordo com
levantamento encomendado pela Organizaçao Nao-Governamental
(ONG) Grito das Águas.
O deputado
federal Fernando Gabeira (PT), que está acompanhando a
tragédia desde quarta-feira nos oito municípios
afetados do Estado do Rio, afirmou que vai criar uma comissao na
Câmara para vistoriar as empresas, entre elas a Paraibuna
Metais, em Juiz de Fora, acusada de despejar metais pesados no rio.
"Vamos
percorrer os 50 pontos críticos e, se for o caso, pedir a
interdiçao das indústrias. Dá para fazer quase
uma CPI (Comissao Parlamentar de Inquérito) do
Paraíba", disse ele.
O
superintendente do Ibama no Rio, Carlos Henrique Abreu Mendes, disse
ontem que nao é funçao do instituto fiscalizar as
empresas. "Quem controla a poluiçao sao os órgaos
estaduais. O Ibama fiscaliza a pesca oceânica",
esquivou-se.
Gabeira disse
que entrou em contato com os órgaos ambientais de Minas para
tentar saber se a indústria Cataguazes usava o sistema
"craft" de branqueamento da polpa de papel, uma
química que mistura organoclorados e dioxina - produto
cancerígeno, segundo o deputado.
"Se isso
for confirmado, o uso da água terá de ser interditado
por muito tempo, mas informaçao que temos até o momento
é de que a empresa usava métodos precários de
produçao", disse Gabeira. "O mais importante agora
é restabelecer o abastecimento para as mais de 700 mil pessoas
que estao sem água." Ele disse que entrou em contato com
a Agencia Nacional de Águas para providenciar a abertura de
comportas em Minas para aumentar a pressao do Paraíba e
facilitar o escoamento dos produtos tóxicos no mar. No
entanto, esse trabalho de limpeza do rio precisa ser coordenado com
um cálculo de maré, que pode estar alta e impedir a
saída dos sedimentos. (F.W.)
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