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ESTADO DE S PAULO
A semana em
que os rios morreram
Mancha negra
de produtos tóxicos já chega a 50 quilômetros de
extensao
FELIPE
WERNECK
SAO JOAO DA
BARRA Depois de praticamente acabar com a fauna dos Rios Pomba
e Paraíba do Sul, a mancha negra de produtos tóxicos
que vazou há oito dias da Indústria de Papel
Cataguases, em Minas, já tinha avançado ontem ao longo
de 50 quilômetros de extensao e até 10 de profundidade
na costa do Rio, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O vento
leste deslocava a mancha da foz do Paraíba, em Sao Joao da
Barra, município que teve 32 km de praias poluídas,
até o Cabo de Sao Tomé, em Campos, e 20 km mar adentro.
Caso o vento mudasse de direçao, a poluiçao poderia
chegar ao Espírito Santo.
Autoridades
admitem que ainda nao há como estimar as conseqüencias
ambientais do acidente, o pior da história do País.
Mais de 40 municípios mineiros e fluminenses foram afetados e
o corte de abastecimento de água no Rio atinge mais de 700 mil
pessoas desde segunda-feira. Pelo menos 55 mil estudantes estao sem
aulas nas escolas estaduais.
A
poluiçao acabou com a pesca em água doce e afetou a
agricultura, o comércio e o turismo. Peixes de diferentes
espécies, jacarés, garças, capivaras, gavioes,
bois, bezerros e cavalos morreram contaminados. O presidente do
Sindicato Rural de Sao Joao da Barra, Getúlio Alvarenga, dono
de 400 cabeças de gado, disse que criadores estao construindo
cercas para evitar que bois permaneçam na margem do rio.
Conhecida como
Cidade das Águas, Santo Antônio de Pádua é
o segundo produtor de tomate do Rio e tem praticamente toda sua
economia ligada ao Pomba. A plantaçao de tomate, que seria
colhida no próximo mes, foi perdida porque nao há
água para irrigaçao. O prefeito, Luiz Fernando Padilha
(PSB), foi quem comunicou rs autoridades do Estado a presença
da mancha devastadora. Nao fomos avisados por ninguém do
governo de Minas que havia um vazamento. Quando percebemos o
problema, nosso rio já estava morto.
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