Fórum
debate crise de água que afeta 1 bilhão de pessoas
O terceiro
Fórum Mundial da Água reúne cerca de 10 mil
delegados de 150 países no Japão para debater
soluções para a crise que atinge mais de 1 bilhão
de pessoas no mundo sem acesso a água limpa.
Inevitavelmente
ofuscada pela crise no Iraque, a conferência vai discutir
durante uma semana temas que, segundo os organizadores, terão
mais impacto sobre a humanidade no século 21 do que os atuais
acontecimentos no Oriente Médio.
Na abertura do
fórum, no domingo, o brasileiro Jerson Kelman, presidente da
Agência Nacional de Água, recebeu o Prêmio Mundial
de Água, juntamente com Mahmud Abu-Zayd, ministro de Recursos
Hídricos e Irrigação do Egito.
O júri
internacional justificou sua escolha dizendo que ambos trabalham na
busca pelo melhor aproveitamento de água, servindo de exemplo
para outros países.
Água
da chuva
O prêmio
foi entregue pelo príncipe Moulay Rachid, herdeiro do trono do Marrocos.
O
príncipe Naruhito, do Japão, abriu o fórum com
um alerta de que o mundo enfrenta uma crise de água, com
escassez, poluição e enchentes por todo o planeta.
Especialistas
da Organização das Nações Unidas (ONU)
disseram a delegados que plantações irrigadas com
água da chuva teriam um papel importante em abrandar a
escassez de água fresca.
O ex-primeiro
ministro japonês Ryutaro Hashimoto disse que é
importante levantar discussões sobre o assunto.
"Já
foi estabelecida uma meta para reduzir pela metade o número
de pessoas sem acesso a água limpa e saneamento básico
até 2015", disse elele à agência de
notícias AFP.
"Agora
é hora de perseguir esses objetivos e fazer com que sejam
cumpridos. É para isso que está sendo realizado o
terceiro Fórum Mundial da Água", acrescentou.
Mas enquanto
existe uma concordância em relação à
necessidade de se fazer alguma coisa, as soluções
estão envoltas em controvérsias, que devem vir à
tona nos próximos dias.
Grupos de
pressão dizem que o fórum é dominado por
empresas privadas que favorecem grandes projetos, como represas e
grandes projetos de desvio de água, em vez de técnicas
mais simples que poderiam ser usadas para conservar água de
maneira mais efetiva para os mais pobres.
Especialistas
da ONU pediram no domingo que outros países sigam o exemplo da
China no uso da água da chuva em plantações.
O país
construiu recentemente tanques para armazenar água da chuva,
que fornecem água potável para cerca de 15
milhões de pessoas.
A
técnica, antiga e simples, estava sendo deixada em segundo
plano em favor de modernas redes de abastecimento.
Em muitas
cidades, os sistemas de drenagem foram criados para remover
água o mais rapidamente possível, desperdiçando
água fresca que poderia ser estocada para o futuro.
Algumas
cidades já estão fazendo um uso mais racional da
água da chuva.
Em
Tóquio, por exemplo, no principal estádio para luta de
sumô, canais levam água da chuva do telhado para tanques
de amazenamento no subsolo, que servem para abastecer os aparelhos de
ar-condicionado que refrescam os espectadores.
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/030317_aguadtl.shtml?source=brasil-htm
