Aquecimento
global altera evolução de animais
RAFAEL
GARCIA rgarcia@edglobo.com.br
Um grupo de
pesquisadores canadenses conseguiu pela primeira vez detectar
mudanças evolutivas induzidas pelo aquecimento global em uma
espécie animal. Cientistas da Universidade de Alberta que
estudaram esquilos da região de Yukon, no sudeste do
país, constataram que os roedores estão se reproduzindo
18 dias mais cedo, e que esse comportamento tem base genética.
Segundo Stan
Boutin, biólogo que liderou a pesquisa, as fêmeas do
animal alteraram a data de procriação porque o
aquecimento global adianta a chegada do calor à região.
Os esquilos que nascem logo no início do verão têm
mais chances de sobreviver porque chegam maiores e mais fortes no
período de outono, quando a comida começa a escassear.
Um estudo
assinado por Boutin e sua equipe foi divulgado via internet nesta
terça-feira e será publicado pela revista
científica "Proceedings of the Royal Society of London
B" em março. O trabalho é resultado do
monitoramento de mais de 5 mil fêmeas, observadas por um
período de 10 anos.
Para provar
que as mudanças observadas não eram apenas fruto da
capacidade individual de adaptação, os pesquisadores
usaram a genética quantitativa, método usado por
agricultores para avaliar a qualidade das safras. A conclusão
foi de que cerca de 25% da alteração tinha origem
genética.
"O
período de procriação nessa
população de esquilos avançou como resultado
tanto de mudanças 'dentro' das gerações como de
mudanças 'entre' as gerações", diz Boutin.
"Foi uma resposta à rápida mudança de
ambiente."
O estudo dos
canadenses está de acordo com evidências de que a
população, localização e comportamento de
diversos seres vivos está mudando por causa do aquecimento
global.
Os cientistas
se concentram agora em localizar os genes específicos
responsáveis pela contagem biológica do relógio
reprodutivo desses
Fonte
