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MINISTRA DO MEIO AMBIENTE RECEBE PROJETOS DE SOBREVIVENCIA SUSTENTÁVEL

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, recebeu nesta segunda-feira (20), em seu gabinete em Brasília (DF), o presidente do Cebds - Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, Fernando Almeida, que apresentou duas propostas para o novo governo. O projeto de "sobrevivencia sustentável", que tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram em municípios de todo o país. "Gerar renda para que as famílias possam viver de maneira sustentável, com o seu próprio esforço", destacou Almeida.

O presidente também prôpos trazer para o Brasil um projeto que já está atuando no mundo inteiro, chamado "Estudos dos Ecossistemas do Milenio". O projeto visa trabalhar com o ecossistema específico de cada país e montar estratégias para que continuem atendendo a populaçao em bens de serviços. A idéia é focalizar o Pantanal e estudar meio de preservaçao das águas e da manutençao da temperatura.

(Agencia Brasil)

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Desenvolvimento Sustentável

A preocupaçao da comunidade internacional com os limites do desenvolvimento do planeta datam da década de 60, quando começaram as discussoes sobre os riscos da degradaçao do meio ambiente. Tais discussoes ganharam tanta intensidade que levaram a ONU a promover uma Conferencia sobre o Meio Ambiente em Estocolmo (1972).

No mesmo ano, Dennis Meadows e os pesquisadores do "Clube de Roma" publicaram o estudo Limites do Crescimento. O estudo concluía que, mantidos os níveis de industrializaçao, poluiçao, produçao de alimentos e exploraçao dos recursos naturais, o limite de desenvolvimento do planeta seria atingido, no máximo, em 100 anos, provocando uma repentina diminuiçao da populaçao mundial e da capacidade industrial.

O estudo recorria ao neo-malthusianismo como soluçao para a iminente "catástrofe". As reaçoes vieram de intelectuais do Primeiro Mundo (para quem a tese de Meadows representaria o fim do crescimento da sociedade industrial) e dos países subdesenvolvidos (já que os países desenvolvidos queriam "fechar a porta" do desenvolvimento aos países pobres, com uma justificativa ecológica).

Em 1973, o canadense Maurice Strong lançou o conceito de ecodesenvolvimento, cujos princípios foram formulados por Ignacy Sachs. Os caminhos do desenvolvimento seriam seis: satisfaçao das necessidades básicas; solidariedade com as geraçoes futuras; participaçao da populaçao envolvida; preservaçao dos recursos naturais e do meio ambiente; elaboraçao de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a outras culturas; programas de educaçao. Esta teoria referia-se principalmente rs regioes subdesenvolvidas, envolvendo uma crítica r sociedade industrial. Foram os debates em torno do ecodesenvolvimento que abriram espaço ao conceito de desenvolvimento sustentável.

Outra contribuiçao r discussao veio com a Declaraçao de Cocoyok, das Naçoes Unidas. A declaraçao afirmava que a causa da explosao demográfica era a pobreza, que também gerava a destruiçao desenfreada dos recursos naturais. Os países industrializados contribuíam para esse quadro com altos índices de consumo. Para a ONU, nao há apenas um limite mínimo de recursos para proporcionar bem-estar ao indivíduo; há também um máximo.

A ONU voltou a participar na elaboraçao de um outro relatório, o Dag-Hammarskjöld, preparado pela fundaçao de mesmo nome, em 1975, com colaboraçao de políticos e pesquisadores de 48 países. O Relatório Dag-Hammarskjöld completa o de Cocoyok, afirmando que as potencias coloniais concentraram as melhores terras das colônias nas maos de uma minoria, forçando a populaçao pobre a usar outros solos, promovendo a devastaçao ambiental. Os dois relatórios tem em comum a exigencia de mudanças nas estruturas de propriedade do campo e a rejeiçao pelos governos dos países industrializados.

No ano de 1987, a Comissao Mundial da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), presidida por Gro Harlem Brundtland e Mansour Khalid, apresentou um documento chamado Our Common Future, mais conhecido por relatório Brundtland. O relatório diz que "Desenvolvimento sustentável é desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras geraçoes satisfazerem suas próprias necessidades". O relatório nao apresenta as críticas r sociedade industrial que caracterizaram os documentos anteriores; demanda crescimento tanto em países industrializados como em subdesenvolvidos, inclusive ligando a superaçao da pobreza nestes últimos ao crescimento contínuo dos primeiros. Assim, foi bem aceito pela comunidade internacional.

A Conferencia das Naçoes Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, mostrou um crescimento do interesse mundial pelo futuro do planeta; muitos países deixaram de ignorar as relaçoes entre desenvolvimento sócio- econômico e modificaçoes no meio ambiente. Entretanto, as discussoes foram ofuscadas pela delegaçao dos Estados Unidos, que forçou a retirada dos cronogramas para a eliminaçao da emissao de CO2 (que constavam do acordo sobre o clima) e nao assinou a convençao sobre a biodiversidade.

O termo desenvolvimento sustentável define as práticas de desenvolvimento que atendem rs necessidades presentes sem comprometer as condiçoes de sustentabilidade das geraçoes futuras. Seus princípios consideram:

Os princípios do desenvolvimento sustentável sao baseados nas necessidades, sobretudo as necessidades essenciais e, prioritariamente, aquelas das populaçoes mais pobres; e limitaçoes que a tecnologia e a organizaçao social impoem ao meio ambiente, restringindo a capacidade de atender rs necessidades presentes e futuras.

Em sentido amplo, a estratégia de desenvolvimento sustentável visa a promover a harmonia entre os seres humanos e entre esses e a natureza. Para tanto, sao necessários:

- sistema político com efetiva participaçao dos cidadaos no processo de decisao;
- sistema econômico competente para gerar excedentes e conhecimentos técnicos em bases confiável e constante;
- sistema social capaz de resolver as diferenças causadas por um desenvolvimento desigual;
- sistema de produçao que preserve a base ecológica do desenvolvimento;
- sistema tecnológico que busque novas soluçoes;
- sistema internacional com padroes sustentáveis de comércio e financiamento;
- sistema administrativo flexível e capaz de autocorrigir-se.

O desenvolvimento sustentável nao trata somente da reduçao do impacto da atividade econômica no meio ambiente, mas principalmente das consequencias dessa relaçao na qualidade de vida e no bem-estar da sociedade, tanto presente quanto futura.

Segundo o Relatório da Comissao Brundtland, elaborado em 1987, uma série de medidas devem ser tomadas pelos países para promover o desenvolvimento sustentável. Entre elas:

- limitaçao do crescimento populacional;
- garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo;
- preservaçao da biodiversidade e dos ecossistemas;
- diminuiçao do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis;
- aumento da produçao industrial nos países nao-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas;
- controle da urbanizaçao desordenada e integraçao entre campo e cidades menores;
- atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia).

Em âmbito internacional, as metas propostas sao:

- adoçao da estratégia de desenvolvimento sustentável pelas organizaçoes de desenvolvimento (órgaos e instituiçoes internacionais de financiamento);
- proteçao dos ecossistemas supra-nacionais como a Antártica, oceanos, etc, pela comunidade internacional;
- banimento das guerras;
- implantaçao de um programa de desenvolvimento sustentável pela Organizaçao das Naçoes Unidas (ONU).

O conceito de desenvolvimento sustentável deve ser assimilado pelas lideranças de uma empresa como uma nova forma de produzir sem degradar o meio ambiente, estendendo essa cultura a todos os níveis da organizaçao, para que seja formalizado um processo de identificaçao do impacto da produçao da empresa no meio ambiente e resulte na execuçao de um projeto que alie produçao e preservaçao ambiental, com uso de tecnologia adaptada a esse preceito. Entre as empresas que aplicaram um projeto de desenvolvimento sustentável sao citadas 3M, McDonalds, Dow, DuPont, Pepsi, Coca-Cola e Anheuser-Busch.

Algumas outras medidas para a implantaçao de um programa minimamente adequado de desenvolvimento sustentável sao:

- uso de novos materiais na construçao;
- reestruturaçao da distribuiçao de zonas residenciais e industriais;
- aproveitamento e consumo de fontes alternativas de energia, como a solar, a eólica e a geotérmica;
- reciclagem de materiais reaproveitáveis;
- consumo racional de água e de alimentos;
- reduçao do uso de produtos químicos prejudiciais r saúde na produçao de alimentos.

O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradaçao ambiental e a poluiçao aumentam dia-a-dia. Diante desta constataçao, surge a idéia do Desenvolvimento Sustentável (DS), buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservaçao ambiental e, ainda, ao fim da pobreza no mundo.

As pessoas que trabalharam na Agenda 21 escreveram a seguinte frase: "A humanidade de hoje tem a habilidade de desenvolver-se de uma forma sustentável, entretanto é preciso garantir as necessidades do presente sem comprometer as habilidades das futuras geraçoes em encontrar suas próprias necessidades". Essa frase toda pode ser resumida em poucas e simples palavras: desenvolver em harmonia com as limitaçoes ecológicas do planeta, ou seja, sem destruir o ambiente, para que as geraçoes futuras tenham a chance de existir e viver bem, de acordo com as suas necessidades (melhoria da qualidade de vida e das condiçoes de sobrevivencia). Será que é possível conciliar tanto progresso e tecnologia com um ambiente saudável?

Acredita-se que isso tudo seja possível, e é exatamente o que propoem os estudiosos em Desenvolvimento Sustentável (DS), que pode ser definido como: "equilíbrio entre tecnologia e ambiente, relevando-se os diversos grupos sociais de uma naçao e também dos diferentes países na busca da equidade e justiça social".

Para alcançarmos o DS, a proteçao do ambiente tem que ser entendida como parte integrante do processo de desenvolvimento e nao pode ser considerada isoladamente; é aqui que entra uma questao sobre a qual talvez voce nunca tenha pensado: qual a diferença entre crescimento e desenvolvimento? A diferença é que o crescimento nao conduz automaticamente r igualdade nem r justiça sociais, pois nao leva em consideraçao nenhum outro aspecto da qualidade de vida a nao ser o acúmulo de riquezas, que se faz nas maos apenas de alguns indivíduos da populaçao. O desenvolvimento, por sua vez, preocupa-se com a geraçao de riquezas sim, mas tem o objetivo de distribuí-las, de melhorar a qualidade de vida de toda a populaçao, levando em consideraçao, portanto, a qualidade ambiental do planeta.

O DS tem seis aspectos prioritários que devem ser entendidos como metas:

- a satisfaçao das necessidades básicas da populaçao (educaçao, alimentaçao, saúde, lazer, etc);
- a solidariedade para com as geraçoes futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenham chance de viver);
- a participaçao da populaçao envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal);
- a preservaçao dos recursos naturais (água, oxigenio, etc);
- a elaboraçao de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (erradicaçao da miséria, do preconceito e do massacre de populaçoes oprimidas, como por exemplo os índios);
- a efetivaçao dos programas educativos.

Na tentativa de chegar ao DS, sabemos que a Educaçao Ambiental é parte vital e indispensável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir pelo menos uma de suas metas: a participaçao da populaçao.

 

 

 

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