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Clube
da Árvore |
Os
Responsáveis pela Empresa poluidora tem prisao decretada
Donos tem
prisao decretada
Segundo a
Justiça, um sócio fugiu.
A
Justiça Federal decretou ontem a prisao preventiva dos donos
da fábrica de papel Cataguazes, em Minas, Félix Santana
e Joao Gregório do Bem. A delegacia federal de Campos
encaminhou o pedido de prisao ao juiz federal Marcelo Luzio, que o
aceitou, alegando riscos de que os sócios da empresa -
apontada pela Polícia Federal como responsável pelo
desastre ecológico nos rios Pomba e Paraíba do Sul -
possam fugir.
Segundo a
decisao judicial, ''Félix Santana, ao que parece, é
estrangeiro e, até o momento, nao se conseguiu obter nos
registros oficiais nenhum dado a seu respeito''. Sobre Joao
Gregório, a PF tem informaçoes de que ele desapareceu
de Cataguazes ''e que seu carro nao é mais visto'' desde o dia
do vazamento no Rio Pomba.
Segundo o
inquérito policial, houve vazamento de enxofre, entre outros
rejeitos químicos negados pela fábrica. O material
estava há 12 anos guardado num tanque de medidas equivalentes
r área de 20 campos de futebol profissional.
Chuva pode
agravar desastre
Se confirmada
a previsao do Inmet, novo reservatório transbordará e
lama tóxica será levada rio abaixo
Daniela
Dariano - Repórter do JB
Treze
quilômetros de lama tóxica ao redor do córrego
Cágado, que deságua no Rio Pomba, em Minas, estao sendo
removidos rs pressas. Mas o trabalho pode levar dias e a ameaça
de chuva no Estado mineiro, prevista pelo Instituto Nacional de
Meteorologia, pode literalmente levar por água abaixo a
tentativa de conter o desastre causado pelo rompimento, há uma
semana, de um reservatório com 1,2 bilhao de litros de
água contaminada pela indústria de papel Cataguazes.
Segundo a governadora do Rio, Rosinha Matheus, que esteve ontem no
local, se chover, um segundo reservatório - com 700 milhoes de
litros de rejeitos - poderá transbordar e ser levado, com a
lama tóxica, pelos rios Pomba e Paraíba do Sul.
Rosinha esteve
com o governador mineiro, Aécio Neves, e garantiu que 10
caminhoes começaram ontem a retirada dos resíduos
industriais em volta do reservatório rompido.
Ainda há
controvérsias quanto aos produtos que contaminaram os rios
Pomba e Paraíba do Sul. Segundo um sócio da Cataguazes,
Félix Santana, nao havia enxofre no reservatório e os
produtos estavam em concentraçao mínima. O governo de
Minas emitiu parecer informando que o impacto ambiental foi pequeno -
afirmaçao contestada por ambientalistas e autoridades
fluminenses. A Fundaçao Estadual de Meio Ambiente de Minas
reconhece que a água está imprópria para
consumo, mas nao para uso externo. Biólogos e autoridades do
Rio alertam a populaçao para nao fazer qualquer uso da
água. Diversas análises da Fundaçao Estadual de
Engenharia do Meio Ambiente do Rio terao resultado hoje.
O desastre
ambiental que deixou oito municípios fluminenses sem
água mobilizou ontem governos estaduais e o federal. A
ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que cada pescador
das regioes afetadas pela contaminaçao receberá um
salário mínimo, por pelo menos tres meses. O Rio
receberá ainda a ajuda do Ministério da
Integraçao Nacional, por meio do secretário nacional de
Defesa Civil, coronel José Wilson Pereira, que estará
hoje na regiao atingida.
Segundo o
Ibama, o Estado de Minas foi alertado para o risco de acidente em
fevereiro. O relatório dos órgaos ambientais mineiros
recebido pelo Ibama, no entanto, descartou o perigo. Porém, a
Associaçao de Fabricantes de Papel e Celulose (Bracelpa)
afirmou que as barragens mantidas pela Cataguazes Papéis estao
obsoletas.
- As
indústrias de celulose hoje nao armazenam, reaproveitam tudo.
Lagoa de produtos químicos nao existe em fábricas
sérias. Uma indústria nessas condiçoes deve ser
fechada imediatamente - alertou o presidente da Bracelpa, Osmar Elias
Zogbi.
Ministra
promete multa a empresa.
A ministra do
Meio Ambiente, Marina Silva, que vai hoje ao local do desastre
ecológico, em Minas, anunciou que a empresa Cataguazes
será multada pelo Ibama - até agora a empresa recebeu
multas, de R$ 50 milhoes, de órgaos do Rio e de Minas.
- A partir do
momento em que houve contaminaçao de um rio federal, o
Paraíba do Sul, o Ibama irá multar - afirmou a
ministra, que confirmou o risco de rompimento de uma segunda barragem
com material tóxico.
- Falei com o
ministro da Integraçao, Ciro Gomes, e se houver necessidade de
investimentos de emergencia pode ser feita uma barragem em outro
ponto - disse Marina Silva.
Segundo a
Delegacia Regional do Trabalho de Minas Gerais, a empresa apresenta
irregularidades desde 1995. Só nos últimos seis anos a
fábrica de papel passou por 42 açoes fiscais, treze
inspeçoes e recebeu oito notificaçoes - cinco relativas
rs normas de saúde e segurança.
Por isso, o
Ministério do Meio Ambiente defendeu ontem a necessidade de
serem investigadas também as autoridades responsáveis
pelo licenciamento da empresa.
A
indústria mineira foi interditada por tempo indeterminado, mas
pretende ir r Justiça para continuar funcionando e promete
recorrer da multa de R$ 50 milhoes aplicada pelo Batalhao de
Polícia Florestal e de Meio Ambiente do Rio de Janeiro. O
valor é 10 vezes maior que o ativo da empresa.
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