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AGRÔNOMO DESENVOLVE MÉTODO PARA RECICLAR EMBALAGENS DE LUBRIFICANTES

Embalagens plásticas de Polietileno de alta densidade (Pead) descartadas pelos postos de gasolina e que sao depositadas nos lixoes, representando uma grande ameaça ao meio ambiente, podem reduzir o impacto ambiental que causam se forem recicladas em maior volume.

Um dos motivos do baixo índice de reprocessamento, segundo especialistas do setor, está no alto custo exigido para o reaproveitamento do óleo combustível que sobra nos frascos plásticos. Buscando uma soluçao para essa questao o engenheiro agrônomo, Joao Antonio Galbiatti, da Universidade Estadual de Sao Paulo (Unesp), em Jaboticabal, desenvolveu um método de reciclagem para essas embalagens.

O projeto, de tecnologia exclusivamente nacional conforme Galbiatti, baseou-se no desdobramento de processo de recuperaçao e reciclagem de óleos lubrificantes, aditivos, Pead e na captaçao da matéria prima. A nova técnica, informa o engenheiro, substitui com vantagens as já existentes, que nao sao utilizadas com freqüencia em funçao do alto custo de implementaçao.

Galbiatti mantém sob segredo seu método, que ainda aguarda o registro da patente. Ele garante, porém, que a nova técnica é economicamente viável porque emprega produtos já existentes no mercado.

Normalmente os processos da reciclagem de plásticos apresentam certa semelhança. As embalagens sao lavadas em um tanque onde sao separadas as impurezas. Os "batedores"
instalados no tanque, ao agitar a água para o deslocamento dos frascos colocam parte das impurezas em suspensao, contaminando o plástico lavado, o que exige a passagem do produto por uma outra lavadora e uma secadora nas etapas posteriores do processo.

De acordo com Galbiatti, pelo seu processo, a lavagem é realizada em uma soluçao que "arrasta" as impurezas para fora da lavadora, depositando-as num tanque de decantaçao. Desta forma, elimina-se, os equipamentos usados no processo anterior. "Os recicladores de plásticos nao processam os rejeitados, devido r dificuldade de coleta, a presença de contaminantes e no tratamento dos efluentes gerados no processo de reciclagem. Por isso, desenvolvemos uma tecnologia específica, para a soluçao destes problemas", explica o engenheiro.

O projeto, além de proporcionar a geraçao de empregos diretos na mao-de-obra operacional e vagas de gerenciamento industrial e comercial, ameniza o impacto ambiental causado pela contaminaçao do solo, aumento da vida útil de aterros sanitários e lixoes. O plástico moído e transformado em graos pode ser reaproveitado na fabricaçao de conduítes elétricos, mangueiras para a irrigaçao, novamente frascos de óleos lubrificantes e aditivos, caixas para fraçao elétrica, cabides, pregadores, vasos de plantas e suportes de parede.

Galbiatti conta que o processo já é considerado uma tecnologia. A grande dificuldade está no processo de patenteamento, devido r burocracia existente e a dificuldade financeira das empresas. "Na época que o projeto acabou nao houve tanta repercussao como hoje. Até ganhamos o premio de inovaçao tecnológica na mostra da Unesp", comenta. "Inicialmente a Fapesp, financiou o projeto, que custou cerca de R$ 27 mil, em seis meses. Mas quando o processo se finalizou, tivemos que recorrer ao patenteamento", diz o engenheiro. No último balanço comercial feito por Galbiatti, o total de custos ficaria em torno dos R$ 23 mil e o faturamento próximo de R$ 39 mil, com lucro líquido de R$ 16 mil.

Dados do Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais (Sindirrefino) indicam que o país consome por ano 900 milhoes de litros de óleo lubrificante, sendo 60% de óleos automotivos e 40% industriais. No uso, parte do lubrificante é queimada ou incorporada ao produto final, restando como óleo cerca de 250 milhoes e 300 milhoes de litros/ano. Se todo esse volume seguisse para o rerrefino, a situaçao estaria sob controle, mas nao é isso que ocorre na prática: em torno de 100 milhoes de litros/ano tem esse destino. O restante é descartado no solo e na água ou queimado, quase sempre de forma inadequada.

Para Galbiatti, essas práticas, além de desperdiçarem uma importante fonte de recursos, dado ao alto grau de reaproveitamento do Pead, geram um grande impacto ambiental. "Um litro de óleo é capaz de esgotar o oxigenio de 1 milhao de litros de água, formando na superfície uma fina camada que bloqueia a passagem de luz e ar, eliminando qualquer espécie viva no ambiente", diz o professor.

O Sindirrefino contabiliza hoje apenas oito companhias recuperadoras de óleo que atuam exclusivamente nas regioes Sul e Sudeste, notadamente onde se registram os maiores níveis de consumo do produto. As regioes Norte, Nordeste e Centro-Oeste foram abandonadas, sem que nenhum processo de reciclagem seja praticado nessas áreas do país. Nelas, prevalecem o descarte indiscriminado e a queima irregular.
(Agencia Brasil)

 

 

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