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"(..)
O papel do Projeto CTA é orientar para que o recurso
financeiro seja destinado ao lugar certo, diretamente nos projetos
sustentáveis, sem ter que passar pelo caixa único do
governo. Estamos reinvindicando que os impostos pagos pelos
cidadãos sejam administrados pelos cidadãos,
através dos projetos em commodities ambientais, reconhecidos
pelos foruns BECE regionais, e consolidados em foruns estaduais e
nacional (federal).(..)"
"(..)
Quando o Projeto CTA defende a água como commodity ambiental,
está defendendo o direito de todos (em especial dos
excluídos) de terem as mesmas chances de apoio financeiros nas
suas atividades produtivas, e proporcionar as condições
mínimas de dignidade de vida: alimento, transporte,
vestuário, infra-estrutura, sáude, escola, saneamento
básico, informação, cultura e
entretenimento.(..) "
Um
diálogo sobre o Movimento de Cidadania pelas Águas
03.06.2002
- entre Amyra El Khalili, coordenadora do Projeto CTA-SINDECON e
Rede Internacional de Comunicação CTA-JMA e Maria do
Carmo Zinato, uma das várias articuladoras deste Movimento
AMYRA:
É importante traçar a missão do Movimento
de Cidadania pelas Águas, porque ele não é mais
parte nem patrocinado pelo Governo. É necessário
desvicular a relação Movimento/Governo,
Movimento/Partido político, Movimento/Entidade de Classe, ou
qualquer outra "entidade" que limite a abrangência
deste Movimento.
MARIA:
Por isso a idéia da Rede Cidadania e Água, que
estamos construindo em nossas conversas. Empresas, ONGs e pessoas
podem formar uma malha/rede que não deixe mais o Movimento
passar por um período de "baixa", que sempre haja
atividades, diálogo, cooperação pelas
águas. A Rede Cidadania e Agua será mais visível,
com endereços, de maneira que se um fraquejar os outros
continuam respondendo e os que procurarem apoio sempre vão
encontrar. Perenidade. Continuidade.
AMYRA:
Este é o primeiro passo, o mais difícil, e precisa
ter diretrizes bem definidas. O governo não poderá ter
exclusividade na sustentabilidade do Movimento de Cidadania pelas
Águas, e o Movimento deverá ter um bom projeto de apoio
financeiro que tenha um pouco de dinheiro de cada setor para
não ser escravo do agente financiador. Uma cesta de produtos
pequenos, mas consistentes para evitar projetos grandes e inchados
(ficam caros e qualquer um derruba). Esta é a
preocupação do projeto CTA, evitar a
concentração de poder do patrocinador, seja ele quem
for, e diluir o risco de manipulação por parte do
agente financiador.
MARIA:
Nem o governo, nem outra entidade qualquer. Todos com quem
converso sobre o Movimento, concordam que o Movimento não
pertence a qualquer entidade. Agora, por exemplo, estamos recebendo um
apoio fundamental da ABRH que nos empresta um endereço,
estamos estudando como vamos nos apoiar mutuamente, mas o Movimento
não é da ABRH, como não é do CREA,
não é da OAB ou do Centro de Voluntariado e muitos
outros. Todos esses têm se "movimentado" pelas
águas e, nesse sentido, merecem o crédito de que
compõem ou engrossam ou são o Movimento. Mas não
há posse envolvida nessa relação.
AMYRA:
Quando o Projeto CTA defende a água como commodity
ambiental, está defendendo o direito de todos (em especial dos
excluídos) de terem as mesmas chances de apoio financeiros nas
suas atividades produtivas, e proporcionar as condições
mínimas de dignidade de vida: alimento, transporte,
vestuário, infra-estrutura, sáude, escola, saneamento
básico, informação, cultura e entretenimento.
O
papel do Projeto CTA é orientar para que o recurso financeiro
seja destinado ao lugar certo, diretamente nos projetos
sustentáveis, sem ter que passar pelo caixa único do
governo. Estamos reinvindicando que os impostos pagos pelos
cidadãos sejam administrados pelos cidadãos,
através dos projetos em commodities ambientais, reconhecidos
pelos foruns BECE regionais, e consolidados em foruns estaduais e
nacional (federal).
A
sustentabilidade e democratização das Águas
é que farão a sustentabilidade e
democratização do capital, uma vez que a água
é a "commodity ambiental' do século XXI, moeda
forte, e com lastro para as negociações e
financiamentos das dívidas e invetimentos em projetos que
realmente contemplem a produção de bens de consumo:
agricultura, indústria e comércio.
MARIA:
Essas são as características específicas do
Projeto CTA-SIDECON, a maneira como se "move" pelas
águas. Sei que usa cursos como instrumento de repasse dessas
informações e muitos saem desses cursos mobilizados. Ou
seja, o Projeto está em sintonia com os princípios do
Movimento no sentido de que estimula as pessoas a assumirem uma
postura crítica e pró-ativa pelas águas. Seu
público é muito heterogêneo também:
economistas, presidentes de associações e cooperativas,
ONGs, professores, e outros multiplicadores ou lideranças. Por
isso vocês têm a COMUNIDADE como um dos parceiros do Projeto.
AMYRA:
O Projeto CTA-SINDECON tem como meta fortalecer os grupos,
movimentos, redes que defendem este partimônio econômico
(a água), através de apoio em projetos financeiros que
possam dar garantias de que este "insumo vital" para os
setores produtivos seja preservado, distribuído com equidade,
justiça e participação das comunidades no
planejamento macroecômico do Estado através de
núcleos regionais, desenvolvendo projetos
microeconômicos, respeitando as diferenças, culturais,
sociais, geográficas, religiosos, fatores de
colonização, entre outras de cada região.
As
commodities ambientais serão produzidas ao redor das
águas, que as terão como seu principal indicador
econômico (e como segundo indicador a energia), buscando
substituir os tracionais índices por novos paradigmas de
mensuração, buscando alcançar dados
confiáveis e números reais a partir do compromisso das
comunidades para com seus excluídos e com o meio ambiente.
Desta forma ao debater a proposta BECE através da Parceria
Comunidade-Comunicação-CTA entendemos que estaremos
contribuindo para a redução do risco Brasil, o que
consequentemente trará novos investimentos para o país,
investimentos de longo prazo e leais com o crescimento
econômico, eliminando assim o espaço alargado de
manipulação dos agentes especuladores - que procuram
ancorar suas operações financeiras unicamente em
investimentos de curtísimo prazo, através das agiotagem
institucional e legalizada.
MARIA:
O apoio que o Projeto CTA poderá dar ao Movimento,
será concretizado através de projetos dos membros da
Rede Cidadania e Água. Esses membros têm projetos, lidam
com água de modo geral e têm mobilização
de comunidades como um elemento do grande projeto ou mesmo projetos
de mobilização mesmo, em si. Esses projetos precisam de
apoios, conforme você diz acima. Não apenas uma fonte.
Vários projetos no lugar de um grande e de alto risco.
Aqui
entra um figura que ainda não tinha te falado: a secretaria
executiva que estamos imaginando para o Movimento. Achamos que uma
secretaria executiva vai ser composta de duas ou três pessoas
que executem o que os membros da Rede Cidadania e Água acharem
que o Movimento deve fazer. Certamente, uma dessas pessoas terá
a função de escrever projetos para que o Movimento
esteja sempre evidência: eventos, publicações,
produção de conceitual, do jornalzinho Cidadania e
Água etc. Mas como o Movimento não tem CNPJ, não
tem personalidade jurídica, os projetos são para os
seus membros, de acordo com a vocação de cada um, em
cooperação com os outros em graus diferentes em cada
projeto... enfim, se houverem muitos projetos, liderados por muitas
organizações, em que água é eixo
temático: o MOVIMENTO ficará mais rápido, mais
harmônico, mais volumoso... um movimento de muitas águas.
AMYRA:
A Rede de Comunicação CTA-JMA, por sua vez, se
comunica, e está "apenas" disseminando a
informação, porque seria impossível intermediar
todas as discussões, e nem temos a pretenção de
fazê-lo, mas sim de girar a roda. A Rede CTA-JMA é uma
"alavanca" - que destrava quando algo emperra. A Rede
CTA-JMA tem como missão debater a questão dos
"direitos humanos versus meio ambiente frente ao meio ambiente
versus mercado financeiro" - fomentando o novo mercado de
commodities ambientais.
As
commodities ambientais têm seu eixo na água. Fomenta
discussões em torno da gestão das águas, como
instrumento econômico para combater a pobreza, a exclusão
social, promover o crescimento econômico sustentável,
com equilíbrio entre as forças de mercados - de um lado
o terceiro setor, de outro a iniciativa privada, sempre colocando o
governo do seu "devido lugar" - no centro, como agente
fomentador, e realizando de fato seu papel governamental, tendo
sempre suas diretrizes governamentais da base.
Nem
sempre aquele que recebe a informação sobre
água, pensa em água. Em muitos casos, pensa em
economia, pensa em história, pensa em filosofia, etc...
Daí a importância de trabalhar com signos,
arquétipos e uma visão sistêmica de teia. Quem
não sente falta de água, não sabe o que é
pensar em água e só dará valor para a água
quando dela precisar. Claro que estamos falando da massa e não
dos técnicos e amantes protetores das águas. Cada
grupo tem um motivo e uma característica diferente.
MARIA:
Os que produzem os estímulos na Rede CTA-JMA, aqueles que
compõem o cluster água, são - por
opção - dedicados à água. Cada um tem uma
característica, um público, um jeito. O AguaOnline
é uma revista que trata de vários assuntos com
ênfase em saneamento, qualidade de vida... A Rede das
Águas é um boletim sobre o Fórum Nacional de
Comitês de Bacia e outros comitês de bacia. A
Aliança Gênero e Água, o nome já diz. O
Fonte d'Água, traduz informações para o
brasileiros acessarem. Enfim, cada um com sua vocação
bem definida.
Queremos
introduzir o Movimento como um desses emissores de
informações nesse Cluster Agua, e sua
característica será gerar e circular
informações sobre experiências de
mobilização social, reflexões sobre conceitos de
cidadania... Hoje, apesar de o Movimento pertencer ao cluster,
é inoperante. Mas há tanta gente que está
fazendo coisas bonitas e eficazes com comunidades pelas águas
que acreditamos que basta começarmos a ajudar a escrever esse
material que outros desejarão também ser divulgados,
estar registrados na história do Movimento. E, repito, o
Movimento é inclusivo. O objetivo é água e
não poder. O nosso sonho é voltar a pescar nos rios,
tomar banho em qualquer cachoeira, ver criança feliz brincando
com água, como quando éramos crianças, 30 anos
atrás. Lembra-se? 30 anos para destruir... já nos
desafiaram no Fórum Mundial das Águas de 2000 a
recuperar em 25 anos, até 2025... Belo desafio! E os Amigos do
Ribeirao Capivari - ARCA vão conseguir: espertos! Articularam,
negociaram, marcaram presença e lá vai: vão ter
tratamento de esgoto em menos de 5 anos! É de tirar o
chapéu e arregaçar as mangas!
Obrigada,
Amyra, por nos premiar com a experiência da Dança das
Águas pelas PAZ! Outros também devem estar preparando
suas histórias para podermos fazer nossa coletânea.
Parece que já temos um patrocinador... conto depois quando for
certeza! Uma organização interamericana...
Abraços
a todos. Se tiverem comentários, perguntas ou críticas
a essa nossa conversa, por favor, nos escrevam. Esta lista é
para isso mesmo: construir o Movimento da melhor forma, pensando em
todos os poréns e considerando todos os potenciais apoios.
Maria
do Carmo Zinato - mariacz@ces.fau.edu
Fonte
d'Água: http://www.ces.fau.edu/info/listinfo.html
Iniciativa
Pantanal Eveglades: http://epi.ces.fau.edu
Movimento
de Cidadania pelas Águas: http://groups.yahoo.com/group/cidadaniaeagua/
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