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Edição
especial sobre Água - Entrevista com Marcelo Baglione
Marcelo
Baglione é carioca, publicitário, escritor e
cronista ambiental, e já vem atuando há alguns anos em
vários portais da web, apresentando importantes pautas do
jornalismo ambiental. Nesta entrevista ao Planeta Orgânico,
Marcelo propõe uma "reforma azul", lembrando nossa
responsabilidade como "molas propulsoras" desta mudança.
Atuando
constantemente no Internet/JB www.jb.com.br,
em breve Marcelo Baglione estará escrevendo numa nova
publicação ecológica, ainda no final de
março, aguardem!
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PO-
O que a sociedade brasileira pode e deve fazer para garantir a
manutenção da qualidade da água? |
MB-
Sentir-se cidadão, brasileiro, dono desta terra e, portanto, co-responsável
pela gestão e o manejo consciente e solidario de nossos
recurso hídricos. Acho que precisamos ter uma
relação equilibrada com a água, da mesma forma
que passamos a ter com a energia elétrica. A sociedade deve
lutar pelas águas da mesma forma que um trabalhador reivindica
salários e condições sociais mais justas. Tudo
isso é uma questão de educação; deve
começar nas escolas e principalmente no seio próprias famílias.
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PO-
Técnicos da ONU vem alertando para o grave problema da
escassez da água, que deverá se acentuar nas
próximas décadas. O Brasil tem as maiores reservas
mundiais de água doce. Que atitudes o governo brasileiro
deveria tomar para garantir este patrimônio precioso? |
MB-
No atual estágio da política brasileira, temo muito
pela atitude e posturas de nossos desgovernos, em vários
níveis. Vejo os atuais políticos como fruto do
clientelismo colonial quinhentista que só gera
ações anti-solidárias; portanto, absolutamente
contra os cidadãos desta riquíssima terra. Raros devem
ser os homens públicos que tem uma percepção
macro polítca para compreenderem o quanto nossas reservas
hídricas serão importantes num perspectiva
planetária dentro em breve. Em parte devemos esperar do
governo, mas em grande parte devemos ser as molas propulsoras desta
"reforma azul! de conscientização
hídrica no Brasil".
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PO-
Dizem que a água é a "commodity" deste
milênio.Você concorda? Por que? |
Commodity
simplesmente, não! "Commodity Ambiental", como
concebeu a mentora desta idéia, a economista Amyra El Khalili,
coordenadora de Rede Internacional de Comunicação
CTA-JMA. A água, o sangue de Gaia, o ouro azul que mamãe
Oxum tornou mais abundante no Brasil do que o petróleo no
Oriente Médio, não pode ser tratada como uma simples
mercadoria e depois prostituída, através dos
cafetões da velha ordem, através de uma atitude
econômica perversa que não vê nada além de
lucros. Para estes, o princípio de humanidade passou
longe...Chega de miséria socioambiental! Antes de tudo, este
milênio será um ciclo do reerguimento do feminino (da
anima) numa escala global. Lutar pela água e por um mundo
ecologicamente sustentável e fazer nossa humanidade se
reencontrar com o feminino, seja individual ou coletivamente.
Commodity ambiental de uma lado, sim, mas com uma
reestruturação coletiva dos princípios
cosmo-ontobiosféricos, também.
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PO-
Grandes empresas como a Nestlé estão comprando
água em todo o mundo.Como você vê esta
"privatização" da água? |
MB-
Quem ler o "Dossiê Nestlé A Teoria da
Conspiração Movimento Cidadania pelas
Águas", certamente ficará bastante preocupado com
duas coisas: a água em si, e a nossa cidadania
biosférica. Nunca é demais perguntar: onde a tua
soberania foi parar? Onde foram parar os direitos sobre as riquezas
do Brasil e dos cidadãos de São Lourenço que
foram lesados nesta história pela multinacional Nestlé,
que explora as águas desta região? Minha certeza,
é a minha esperança: estamos ingressando num ciclo
mundial onde não haverá mais espaços para um
"John Davison Rockefeller das águas". A
questão é grave, pois toca no princípio de
soberania e cidadania biosféricas; além disso,
também somos os detentores das maiores reservas de água
mineral. Somos filhos de índios, portanto, devemos apelar para
nossas raízes arquetípicas: nesta história,
sejamos fortes como um cacique, mas sábios e profundos como
pajés.
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O
que é o Aqüífero Guarani ? |
De
uns tempos para cá, andei me informando sobre esse tema e
fiquei profundamente comovido com tal riqueza. O Aqüífero
Guarani é a maior reserva subterrânea de água
doce do mundo. Está localizado no Cone Sul e abrange os
territórios da Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, sendo
que 71% da superfície deste aqüífero abarca oito
estados brasileiros. Como se não bastasse o nosso
inigualável patrimônio biogenético, ainda fomos
agraciados pela Mãe-Terra com um potencial hídrico
invejável, do qual o Gigante do Guarani é mais um
destaque. Sugiro a todos a leitura de uma matéria que fiz para
o Informática/JB, onde disponibilizei vários links
sobre o assunto: um tema que realça, e muito, a
importância geopolítica desta região para os anos
vindouros. Pense nisso, pois é uma noção
fundamental de conscientização ecológica
transfronteiriça, um passo essencial, portanto, para a
fundamentação de uma cidadania, global, biosférica.
Link:
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cadernos/
internet/2002/03/06/jorinf20020306007.htm
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PO-
Fale sobre o Programa de Educação Ambiental para a
Baía de Guanabara e a proposta dos Protetores da Vida. |
MB
- Em 2001, durante o primeiro e segundo semestres, tive a
oportunidade trabalhar como coordenador de comunicação
e conteúdo deste expressivo programa de educação
ambiental. Executado no Estado do Rio de Janeiro pela Ong CIMA
Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente , o
projeto Protetores da Vida Baía de Guanabra www.protetoresdavida.org.br
é uma semente inédita de conscientização,
luta e recuperação deste rico e importante
símbolo histórico e ambiental de todos os brasileiros.
Sua marca: o trabalho e toda a problemática socioambiental que
assolam a Baía foram efetuados não de uma forma
isolada, mas em torno da Bacia Hidrográfica da Baía de
Guanabara. Logo, foi essencial para o desenvolvimento e o
conseqüente processo de conscientização ambiental
das populações que atuaram neste projeto, a
compreensão sobre o conceito de bacia hidrográfica, um
princípio fundamental para a defesa da vida e da qualidade de
nossas águas.
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