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"(..) Na parte inicial, nos três primeiros capítulos - O Desenvolvimento Sustentável, A Valorização do Ambiente e O Domínio do Mercado - estão explicitadas as duas principais percepções logísticas da questão do desenvolvimento: o ambiente e o mercado. Ela trata de noticiar algumas noções de realidade sobre o ambiente e sobre o mercado, este último, uma forma organizacional que interfere muito diretamente na vida de quase todas as pessoas.(..)"

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Por Carlos Holthausen*

INTRODUÇÃO

Este livro foi pensado e elaborado a partir da Agenda 21 das Nações Unidas. O documento global, assinado por mais de 170 países do mundo inteiro, introduziu entre nós o conceito de desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 não foi, no entanto, capaz de promover alterações significativas no comportamento das autoridades brasileiras e no comportamento da população em geral, visando a consecução de suas metas.

Pouco ou nada se fez quanto a necessidade de alterar o padrões de consumo e produção. A pobreza, a concentração de renda e as desigualdades sociais continuam plenas em nosso convívio. A violência urbana aumentou significativamente, fazendo-nos pensar que existe uma distorção na ótica das políticas públicas usadas no seu combate.

As significativas propostas da Agenda 21 Global sobre o desenvolvimento sustentável produziram, junto à organização social do Terceiro Setor nacional, uma idéia simplista de preservação ambiental a qualquer custo. Um verdadeiro acinte para um país em desenvolvimento como o Brasil.

Isto ocorreu por falta de difusão das propostas da Agenda 21, por parte de segmentos acadêmicos especializados e da mídia, que só promoveram assuntos ligados aos resíduos sólidos e à poluição das águas. Houve, também, um total desinteresse dos setores governamentais em conhecer e implementar a Agenda 21.

Uma das propostas mais claras contidas na Agenda 21 – o comércio internacional – somente neste início de século, no Brasil, passou a ter seu devido valor. A iniciativa privada, envolvida com as dificuldades da competição e dos juros altos, foi dominada pelo receio infundado sobre aumento de custos em função da implementação do desenvolvimento sustentável, deixando de perceber que, na questão ambiental, as despesas são investimentos.

A partir de 1997, com a realização da Rio+5, a Agenda 21 das Nações Unidas passou a alcançar um efeito prático junto à sociedade brasileira organizada. Esse efeito traduziu-se pela elaboração de inúmeras Agendas 21 locais. Foi confeccionada a Agenda 21 Nacional e as Agendas 21 de alguns municípios brasileiros, como a de Vitória, Santos e Florianópolis, entre outros. Nos Estados de Santa Catarina, Pernambuco, Rio de Janeiro, Maranhão e Mato Grosso, a força desta nova postura sócioeconômica da Agenda 21 global continua a se desenvolver com os procedimentos de elaboração e implementação de suas respectivas Agendas 21 estaduais.

Estamos num processo de participação comunitária muito intenso em nosso país, como talvez nunca se tenha visto por aqui. Isto exige uma discussão mais ponderada sobre o que estamos fazendo, com vistas ao desenvolvimento sustentável. Esta proposta de conceituação seria uma nova tentativa de superar a simplicidade da preservação e encaminhar soluções concomitantes ao ambiente e ao desenvolvimento técnico, científico e humano.

A movimentação da sociedade brasileira em torno das necessidades ambientais deve ser objeto de discussão. Esta obra, Desenvolvimento Sustentável, denuncia distorções sobre o valor ambiental, discute o mercado e propõe procedimentos para a sociedade organizada. Preocupa-se com os mecanismos econômicos e sociais em vigor, dos quais dependem o futuro da nação brasileira. Deixa um alerta sobre o posicionamento dos adultos, envolvidos com as questões ambientais, ligados à formação das crianças, que não podem ser objeto de manipulação, quase ideológica, a partir de uma tema tão real e importante como a ecologia da Terra.

Na parte inicial, nos três primeiros capítulos - O Desenvolvimento Sustentável, A Valorização do Ambiente e O Domínio do Mercado - estão explicitadas as duas principais percepções logísticas da questão do desenvolvimento: o ambiente e o mercado. Ela trata de noticiar algumas noções de realidade sobre o ambiente e sobre o mercado, este último, uma forma organizacional que interfere muito diretamente na vida de quase todas as pessoas.

No capítulo seguinte – A Organização Social - estão expostos fundamentos correlativos à formação das organizações da sociedade humana, desde uma perspectiva histórica.

Posteriormente, com A Realidade do Nosso Desenvolvimento e O Formalismo da Cultura Brasileira -, este livro procura alicerçar o caminho de uma nova forma de crescimento dentro de nossa realidade econômica e social, junto com a peculiar maneira de atuar com a lei, nossa vertente cultural.

No último capítulo: Realizando o Desenvolvimento Sustentável, estão as premissas e propostas que visam implementar as mudanças culturais entre nós, alicerçadas nos pontos de discussão abordados anteriormente.

No todo, a intenção que fundamenta esta obra pauta-se no pensamento do sociólogo francês, Edgar Morin, que propõe a interação entre os diversos saberes humanos em contrapartida de conhecimentos isolados, notadamente aqueles que não levam em consideração a complexidade das necessidades humanas.

Este livro faz uma apologia sobre o desenvolvimento sustentável, como conceito e como estratégia de balizamento social e econômico, suportada por uma nova visão antropológica do ambiente e do mercado.

A criação e consolidação do conceito de desenvolvimento sustentável, objeto desta obra, parte do princípio de que todos, igualmente, desejam solucionar outras questões, além da ambiental, tais como a pobreza, a falta de escolaridade do povo e, principalmente, a violência.

Trechos do Livro:

"Isto significa que o desenvolvimento segue seu próprio rumo, independentemente de uma ou outra variável contrária aos seus propósitos. Independentemente até do que se possa imaginar de catastrófico para o destino da humanidade. No seu conjunto - impessoal e desumanizado, se é que Peter Sloterdijk ainda nos permite usar esta última expressão - o desenvolvimento somente desaparecerá se desaparecer o ser humano da Terra.

Então, aceita esta segunda premissa, de que somos indomáveis quanto a procura infinita do desenvolvimento, podemos pensar sobre a questão ambiental. Podemos nos articular simbolicamente com o desenvolvimento sustentável, uma forma que o próprio desenvolvimento está encontrando para continuar com sua marcha rumo às estrelas. Uma marcha que tem presentemente no ambiente seu componente frágil. E só por isso, para servir ao desenvolvimento - quer gostemos ou não - estamos envolvidos com a preservação e com a educação ambiental. A sociedade em desenvolvimento que não assimilar essa razão continuará sendo explorada, e as “Veias Abertas da América Latina” continuarão fluindo para sustentar o crescimento de outros continentes.”

O livro DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, de Carlos Holthausen, lançado no último dia 12 de setembro, em Florianópolis, SC, foi bem recebido pela crítica local.

Carlos Holthausen é economista, escritor e psicanalista. Foi diretor de planejamento da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Santa Catarina; redator da Agenda 21 de Florianópolis; presidente da Câmara de Saneamento Ambiental da Região Metropolitana da Grande Florianópolis e coordenador da Agenda 21 Catarinense. Sua obra de estréia, “Agenda 21 - O Caminho da Dignidade Humana”, está com a 2ª edição esgotada.email: <holthausen@sdm.sc.gov.br>

A editora do “Desenvolvimento Sustentável” é a CONEL/Cuca Fresca e o livro tem 136 páginas. O preço de capa é de R$ 18,00.

Pode ser adquirido via e-mail: contato@livrariacucafresca.com.br ou pelo fone (48)222-9966 e Fax (48)2236582.

 

 

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