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"(..)
A poluição que assola nossos corpos hídricos
é fato: antes caudalosos rios, abundantes de peixes e,
às vezes, até navegável; hoje, verdadeiros
esgotos a céu aberto, levando, como se não bastasse,
não apenas nossos dejetos, mas também toda nossa
cultura de produção de resíduos sólidos.
Rios que se transformaram também em esteiras - como no modo de
produção Fordista - (..)"
ÁGUA,
recurso natural, uma visão humanista
Por Ana
Valéria Felix Lamonica*
O tema
não é, e não pode, de forma alguma, ser
subdimensionado. Muito pelo contrário. Há de ser o
tempo de mudanças efetivas, individuais, de como devemos
tratar o tema água. Água não é
sinônimo de abundância, quanto menos de renovável
- por imposição humana. Se, de um lado cobramos
ações governamentais, de outro devemos cobrar
ações particulares, que não estão
diretamente ligadas ao poder público. A pertinência do
tema, passa pela real dimensão de cidadania, que não
está incorporada em nossos discursos diários e que
passam longe de nossas preocupações.
A idéia
de recurso natural, inclua-se a água, é uma
construção, exclusivamente humana, que vê a
natureza como um bem à disposição do homem, para
o seu usufruto. Fruto, ainda, de uma ótica da ética
cartesiana, onde o homem é senhor e mestre do mundo, logo,
há a apropriação do mundo, não porque ele
é belo, mas porque ele é útil.
Se, no
momento, aparenta não haver problemas, pois somos ricos por
natureza - leia-se em bacias hidrográficas - , temos que
contemplar um futuro muito próximo, onde nossos problemas
tomarão novos rumos, diante do desafio diário da
sobrevivência. Pagaremos caro, por um bem que, aparentemente,
parece abundante. A cobrança pelo uso da água, já
é uma realidade. E a escassez outra. A poluição
que assola nossos corpos hídricos é fato: antes
caudalosos rios, abundantes de peixes e, às vezes, até
navegável; hoje, verdadeiros esgotos a céu aberto,
levando, como se não bastasse, não apenas nossos
dejetos, mas também toda nossa cultura de
produção de resíduos sólidos. Rios que se
transformaram também em esteiras - como no modo de
produção Fordista - de lixos de tudo quanto é
espécie. Leva, e não sabemos pra onde..... Ou deposita
em outro tributário da bacia hidrográfica, ou em nossos
mares de águas não mais somente salgadas, mas
também ricos em várias outras substâncias
químicas... Observem que a preocupação é,
não somente na quantidade da água, mas também na
qualidade da água que está disponível para a
população. Há muito tempo, já bebemos
esgoto tratado. Mas estamos em situação crítica,
para as próprias estações de tratamento.
O modelo
econômico, que não poupa pedra sobre pedra, não
deixará nossos netos contemplarem o mundo que nos foi
presenteado. Devemos tomar esta consciência, como um novo
padrão, diferente do que nos é imposto.
Água.....
muito mais do que uma química de Hidrogênio e
Oxigênio - discurso dos céticos - mas é o sangue
necessário, que corre nas veias de nossa Terra, por entre as
artérias de sulcos escavados pela própria água;
que é um retrato da própria vida, que se renova em cada
ciclo de chuva e sol, onde saciamos, freneticamente, nossos anseios
ressecados pela aridez dos corações humanos...
Ana
Valéria Felix Lamonica* Professora, Geógrafa,
Especialista em Planejamento Ambiental e Educação
Ambiental. Diretora do INPDA - Instituto Nacional de Pesquisa e
Desenvolvimento Ambiental e do IBVA - Instituto Brasileiro de
Voluntários Ambientais Coordenadora da Rede Ambiental/RJ - www.redeambientalrj.kit.net
E-mails: avlamonica@bol.com.br
e anavlamonica@msn.com
Representante
do Jornal do Meio Ambiente: www.jornaldomeioambiente.com.br
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