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Environment
Justice x Finance |
"(..)
Por acréscimo, além da sistemática
desqualificação do produtor rural e da tentativa de
torná-lo ator secundário nas discussões sobre
meio ambiente, há nítida prevalência e
divulgação do conceito de preservação,
sobre o de conservação ambiental. Lembremos que
preservação sugere
santuarização, enquanto
conservação aponta para o uso adequado e racional dos
recursos naturais.(..)"
Geopolítica
e Manipulação no Meio Ambiente
Por
Valfrido Medeiros Chaves*
Não
há dúvidas de que o uso tanto intensivo quanto
inadequado dos recursos naturais nos processos produtivos levam
séria ameaça às condições
necessárias para que nosso planeta continue recepcionando a
vida sobre ele.
As
grandes Nações Hegemônicas, ensandecidas em seu
alto consumismo, exaurem seus próprios recursos naturais,
saturam o mundo de dejetos e poluem escandalosamente nossa atmosfera.
O sistema financeiro internacional pressiona as Nações
Periféricas também para o uso intensivo de seus
recursos naturais, muitas vezes de modo inadequado, para a
obtenção de saldos financeiros para o pagamento de
dívidas e juros escorchantes - feitos de encomenda para
países de risco, como o nosso. Consequentemente, o
uso das reservas naturais das Nações pobres não
resultam em qualidade de vida para seus povo.
Neste
momento, tais Nações Hegemônicas assistem a
exaustão de suas próprias reservas naturais pelo
ensandecido consumismo que praticam, com a tranqüilidade de quem
já encontraram solução para tal impasse: o
domínio sobre os abundantes recursos naturais de
Nações como a nossa. Para tanto, com as migalhas que
caem da mesa de seu vasto banquete, alimentado por secular
predação de Nações e povos, financiam
organizações e campanhas direcionadas para a defesa de
seus interesses estratégicos: engessamento de nossa economia e
gestão transacional sobre as reservas naturais das
Nações submetidas.
Para
a consecução de tais objetivos hegemônicos, dois
passos são dados, na difusão e manipulação
da temática ambiental:
1-
Divulgar ao máximo nossas falhas e possíveis
círculos viciosos, na relação da sociedade
brasileira com o seu entorno natural;
2-
Descaracterizar ou não divulgar nossas conquistas e
avanços na busca da conciliação entre a
produção e a conservação ambiental, como
no Pantanal e Amazônia, através da prática do
manejo florestal, ou dos recursos naturais.
3-
Ignorar a noção de que os recursos naturais possam ser
potencializados (adensar e melhorar a qualidade de florestas, por exemplo).
Tais
passos fazem parte da manipulação da opinião
pública para nela se estabelecer o consenso de que o
brasileiro seja um meliante ambiental, o que tornaria bem vindas
aquelas teses de gestão transnacional sobre nossas majestosas
reservas naturais.
Por
acréscimo, além da sistemática
desqualificação do produtor rural e da tentativa de
torná-lo ator secundário nas discussões sobre
meio ambiente, há nítida prevalência e
divulgação do conceito de preservação,
sobre o de conservação ambiental. Lembremos que
preservação sugere
santuarização, enquanto
conservação aponta para o uso adequado e racional dos
recursos naturais. Consequentemente, Você não vê a
divulgação, em revistas e encontros temáticos,
de nossos avanços e conquistas na direção do
desenvolvimento sustentável. Por outro lado, propostas tais
como formação de Reservas Biológicas e Reservas
são prontamente aceitas e assumidas pelas
Organizações transnacionais e financiadas pelas
sociedades cujas reservas naturais estão se esgotando.
Há nítida tentativa de estabelecer a ideologia segundo
a qual o homem que produz seja, por definição,
incompatível com a manutenção da qualidade
ambiental.
Daí
a noção de que, para preservar, seja preciso expulsar
o homem que fecunda a terra. Na ânsia de promover a luta de
classes, vemos ainda alguns setores da militância esquerdista
de nosso meio, se transformarem em instrumento de
manipulação daqueles interesses anti-nacionais, aos
quais interessa o engessamento de nossa economia rural e a
caracterização do brasileiro como meliante ambiental.
Na dialética desses senhores, sempre, ecologia se transforma
em Ecomalediência., o nome do Cavalo de Tróia que nos
bate à porta. Não vê quem não quer.
Ñdaipore ñemunguetá pukú ! (Em
guarani: Sem conversa fiada!)
Valfrido
Medeiros Chaves é pantaneiro de seis
gerações. Orgulha-se da herança ambiental que
recebeu dos antepassados e quer repassa-la para o futuro. Produtor
rural e Psicanalista, entende que a autoestima do povo também
precisa ser vista com carinho. Email: <egasques@terra.com.br>
