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Rio+10: Os ricos devem pagar

Por Marwaan Macan-Markar

Johannesburgo, 4/9/2002 - Um dos pontos altos da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que termina hoje nesta cidade sul-africana, foi a fala do secretário-geral da ONU, dirigida aos chefes de Estado e de governo. Segundo Kofi Annan, essas nações devem liderar a implementação de um plano de ação que alivie a pobreza e proteja o ambiente.

O discurso do secretário foi uma tentativa de devolver credibilidade à maior cúpula já celebrada pela ONU. "As nações mais ricas devem abrir o caminho. Elas têm riqueza e tecnologia, mas contribuem de forma desproporcional para a solução dos problemas ambientais do planeta", disse Annan a quase cem líderes mundiais na última segunda-feira. Ressaltou também a importância das organizações não-governamentais e das empresas para alcançar as metas do desenvolvimento sustentável. "Os grupos da sociedade civil têm um papel essencial como sócios, promotores e fiscalizadores dessa luta.

Quase que com as mesmas palavras, o presidente da África do Sul, Thabo Mebeki, reivindicou mais fatos e menos palavras. "Podemos e devemos atuar unidos para assegurar um processo de desenvolvimento global prático e visível, que conduza à erradicação da pobreza e ao aperfeiçoamento humano. Esta Cúpula deve estabelecer objetivos e metas concretas para a realização desses propósitos".

A sociedade civil, contudo, avalia que a Conferência vai ser encerrada com a adoção de um programa que representará muito pouco para os pobres do mundo e para as nações em desenvolvimento. O que mais preocupa os ativistas é a tentativa de diluir as referências à energia renovável, à água potável e ao saneamento, comércio e globalização e subsídios agrícolas. "Os governantes da Alemanha, França e Grã-Bretanha têm um papel essencial para salvar a Cúpula", disse à IPS o ecologista Gerd Leipold, do Greenpeace Internacional.

Segundo uma pesquisa divulgada durante a Cúpula, o público mundial quer ações concretas em áreas como financiamento do desenvolvimento, comércio justo, globalização não excludente, acesso à água e saneamento, energia e proteção do ambiente. O grupo Gallup, com sede em Londres, e a Environics Internacional, de Toronto, divulgaram, na quarta jornada da Conferência, o resultado de uma pesquisa que mostrou "um clima da opinião pública global muito receptivo às grandes iniciativas para reduzir a pobreza. "Se depender dos cidadãos médios, a Cúpula deveria reivindicar dos governos compromissos obrigatórios e com prazos definidos para resolver os problemas da pobreza e do ambiente", afirma o estudo Voz do Povo. A pesquisa se baseou em entrevistas pessoais e telefônicas com mais de 24 mil pessoas em 31 países, entre julho e agosto deste ano. (IPS)

 

 

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