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"(..)
A sociedade civil, contudo, avalia que a Conferência vai ser
encerrada com a adoção de um programa que
representará muito pouco para os pobres do mundo e para as
nações em desenvolvimento. O que mais preocupa os
ativistas é a tentativa de diluir as referências à
energia renovável, à água potável e ao
saneamento, comércio e globalização e
subsídios agrícolas.(..)"
"(..)
Em conseqüência, as enfermidades respiratórias
afetam 60% dos habitantes, segundo estatísticas oficiais. As
crianças correm por ruas cobertas de água
empoçada. Quarenta por cento dos habitantes têm moradias
precárias e o restante pequenas casas de adobe. O desemprego
ascende a 40% da força de trabalho, a água, em geral,
é contaminada, e a fome, embora não aguda, existe.(...) "
Rio+10:
Indústria do petróleo triunfa em Johannesburgo
Por
Marwaan Macan-Markar
Johannesburgo,
4/9/2002 - As empresas energéticas, lideradas pelo setor
petrolífero, impuseram-se na Cúpula Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável, ao fazer com que não
fossem estabelecidas metas e prazos quantificáveis para a
implementação de fontes renováveis de energia.
O
documento final da Conferência, a ser divulgado hoje,
não refletirá a iniciativa formulada pelo Brasil de
aumentar para 10%, até 2010, a participação das
fontes limpas na produção mundial de energia. Como
compensação, o artigo 19 do rascunho do plano de
implementação, a ser aprovado, exorta os países
a "incrementar substancialmente a proporção de
energia gerada por fontes renováveis, como a eólica, a
solar, a marinha e a biomassa moderna". O texto que circulava
antes do início da Cúpula fazia referências
específicas a objetivos quantificáveis.
A
maioria dos cientistas atribui o aumento da temperatura do planeta
à liberação na atmosfera de gases estufa, como o
dióxido de carbono, resultante da queima de combustíveis
fósseis, entre os quais os derivados de petróleo, do
gás, do carvão e da lenha. Os ativistas, por sua vez,
questionam os danos provocadas pelas centrais hidrelétricas e
nucleares. Daí os aplausos recebidos pela iniciativa
brasileira, considerada mais progressista que o texto original que
circulava antes do início da Cúpula. Além de
conter uma meta concreta para 2010, a proposta do Brasil
excluía de sua definição de fontes
renováveis de energia os grandes sistemas hidrelétricos
e as biomassas tradicionais, como a lenha. Contudo, a proposta
brasileira não prevaleceu.
"Os
grandes vencedores foram os inimigos do ambiente", disse o
ativista Daniel Mittler, da organização Amigos da
Terra. "A indústria petrolífera conseguiu
concessões para continuar fornecendo combustíveis para
o mundo em desenvolvimento". Para esse ativista,
Austrália, Canadá, Estados Unidos, Japão e mais
11 países integrantes da Opep (Organização de
Países Exportadores de Petróleo) conseguiram impor sua
posição sobre os governos que pretendem aproveitar a
revolução da energia renovável.
Para
a Assembléia de Energia e Clima, coalizão de numerosas
organizações ambientalistas, o acordo alcançado
em Johannesburgo foi um completo desastre. "Ficou claro que a
aliança entre os Estados Unidos e a Opep bloqueia toda
possibilidade de conseguir avanços em matéria de energia".
Os
ambientalistas também questionaram o alinhamento do Grupo dos
77, que reúne 133 países e expressa na comunidade
internacional o mundo em desenvolvimento, às
posições da indústria do petróleo.
Segundo Steve Sawer, da Greenpeace Internacional, os países em
desenvolvimento foram paralisados pela posição
contrária da Venezuela, integrante da Opep, e do Irã. (IPS)
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