Rio+10:
Ativistas em busca de tecnologia da informação
Por
James Hall
Johannesburgo,
4/9/2002 - Em uma reunião paralela à Cúpula
Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que termina hoje,
ativistas chegaram à conclusão de que as novas
tecnologias da informação são uma ferramenta
indispensável para as campanhas da sociedade civil. "O
fornecimento de informação é decisivo para
defender direitos humanos, potencializar as mulheres ou para lutar
contra a aids", ressaltou a professora Megan Knight,
especialista em novos meios de comunicação do
departamento de jornalismo da sul-africana Universidade de Rhodes,
patrocinadora da conferência paralela. "Os ativistas por
essas causas e os doadores que os financiam devem dominar as modernas
tecnologias para alcançar os seus objetivos", acrescentou
a presidente da reunião, conhecida como "Autopista
África 2002", uma alusão à metáfora
"autopista da informação", como usualmente
são conhecidas as tecnologias da informação,
especialmente a Internet.
O
objetivo do encontro e de outras atividades paralelas, agrupadas sob
o lema Fechar a Brecha Digital, não se restringiu apenas
à África, mas ao conjunto do mundo em desenvolvimento e
seu dramático atraso no uso dessas tecnologias. "A
Internet e os seus antecessores imediatos, como o fax e o
vídeo, significam poder", destacou Kalifa Gadiaga,
delegada de Mali na Conferência. "A potencial capacidade
econômica das mulheres aumentará na medida em que lhes
mostremos as opções de que dispõem, e, para
isso, são necessários os grandes meios de comunicação".
Os
participantes da reunião reconheceram a escassez de recursos
para ter acesso a essas tecnologias no mundo em desenvolvimento, em
especial devido às outras necessidades imediatas, como a
alimentação, a moradia e o vestuário. A ativista
Karen Torne, da organização não-governamental
sul-africana Mediaworks, assinalou que as tecnologias da
informação também contribuem para satisfazer as
necessidades básicas. "Na luta contra a aids, por
exemplo, precisamos de custosos medicamentos, que freiam o
desenvolvimento dessa enfermidade e a sua transmissão de
mãe para filho. Mas também precisamos de
comunicação adequada com trabalhadores de saúde
e pacientes, para que usem de forma eficaz tais medicamentos", acrescentou.
Rudolph
Maziya, representante na Suazilândia da Aliança de
Iniciativas de Prefeitos para a Ação Local contra a
Aids, comunicou a experiência de um projeto que emprega
tecnologia da informação para contribuir para
várias causas. Ele é prefeito de Lavumisa, cidade
fronteiriça com Moçambique, que apresenta alta
incidência de desemprego, em especial o feminino, e de
infecção pelo HIV. Um grupo de jovens se propôs a
instalar um serviço de conexão à Internet para
os que passam por Lavumisa, uma iniciativa que apresentou
múltiplos benefícios. O serviço oferece emprego
para jovens mulheres, que ficam menos vulneráveis ao
contágio pelo vírus da aids porque possuem renda e
podem dizer "não" à prostituição.
Nos
últimos dez anos, ongs humanitárias e ambientalistas
internacionais têm empregado a Internet para denunciar e
estancar abusos cometidos na África, a partir de
informações proporcionadas mediante o correio
eletrônico por jornalistas e organizações
comunitárias do continente.
Especialistas
presentes sugeriram instalar equipamentos para conexão
à Internet com baterias solares em residências de chefes
tribais, agências de correios ou de governos locais e outros
pontos de encontro para residentes em áreas rurais, onde o
acesso à energia elétrica é deficiente. Uma
delegada ugandesa contou que chefes de família viúvas
devido à aids de seu país conseguiram minicrédito
nos Estados Unidos utilizando-se da Internet. (IPS)
