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"(..) Passemos a dividir, contribuir, exercer com amor tudo aquilo que fazemos para que todos nós estejamos unidos em uma só Teia - buscar soluções para os grandes problemas que estão aí, à nossa frente, afligindo e atrasando o caminho da humanidade e coube a nós a nobre missão de encontrar a solução..... O Protocolo de Kyoto e suas nuances, suas prerrogativas e tudo o que está oculto por detrás de um procedimento que compromete e que, ao mesmo tempo assume a culpa, em nada é diferente do nosso comportamento diante do que fizemos às nossas florestas... (...)"

Mudanças Climáticas numa Teia de intensas relações afetivas

Por Maria Helena Batista Murta*

A Educação é o princípio de tudo e o principal elemento de conscientização da sociedade. Sabemos que existe uma lacuna imensa na sociedade mundial sobre esta questão. A Sociedade Civil foi preparada para a educação voltada para o desenvolvimento tecnológico...mas se esqueceu de educar para a vida. Houve uma grande transformação de valores e aqueles com os quais aprendemos a lidar foram deixados de lado, substituídos por máquinas e equipamentos que sequer respondem às perguntas que fazemos a nós mesmos. Tornamo-nos robôs de nós mesmos.

O Homem descobriu como preservar seus conhecimentos tecnológicos e não se preocupou em preservar sua própria semente. Sou advogada, educadora ambiental e tenho aqui a forma que considero perfeita para de dirigir o meu trabalho de recuperação sócio-econômica-ambiental da sociedade como um todo. Precisamos materializar a nossa missão de cosncientizadores. Nossa oportunidade de podermos descortinar os painéis da ignorância e conhecer as fontes da sabedoria que cobram de nós a multiplicação...a magia do desprendimento e da doação daquilo que recebemos... Educar é um ato de amor...É, talvez, o mais sublime ato que o amor nos permite...

Nossa eternidade será determinada pela consciência que criarmos, pela ignorância que transformarmos em conhecimento positivo. Seremos eternos quando conseguirmos curar a cegueira daqueles que não podem ver...e, sobretudo, daqueles que insistem em não enxergar! Precisamos sair do nosso mundinho de virtual exposição aos projetos desenvolvidos em escritórios e deslanchar os nossos passos por entre as trilhas de uma estrada misteriosamente bela - a estrada do conhecimento da Natureza, do que somos nós, o que queremos, para onde vamos, como iremos e se iremos permanecer.

Quanta sensibilidade exprimimos quando estabelecemos um parâmetro interessante sobre a função das árvores... Elas se fazem presentes em todos os momentos...Principalmente no momento atual, das mudanças climáticas!

Estas amigas altaneiras, que povoam o solo desprotegido e solitário de nosso planeta que ainda insiste em ser azul...(mesmo que este azul tenha uma forte tendência em se mesclar com o sangue extremamente vermelho de pequenos inocentes que são lançados à deriva de uma sociedade que não sabe para onde vai... mesmo que a camada de ozônio desapareça e sejamos realmente obrigados a nos dirigir para o nada).

Ninguém pode negar seu vínculo afetivo com as velhas árvores, quando éramos crianças, puras e simples, brincando em seus galhos como pássaros em busca de abrigo e paz para descansar. E temos aqui o direito sagrado de sentir saudade!

Seria injusto para com suas almas tecer comentários sobre a existência ou não dos seus espíritos que choram a dor de sua destruição por machados cegos e incoerentes, hoje substituídos por moto-serras atrevidas e afoitas por mais um lenho...Quanta dor e quanta tristeza deslizam em suas lâminas ensangüentadas pela seiva virgem que teima em mostrar a vida de uma pobre árvore que foi para o chão.

Não nos preocupamos com os efeitos colaterais quando aviamos certas receitas de medicamentos novos. E assim, seguimos implantando tecnologias ditas “de ponta" sem sabermos até onde vai a ponta.

Será que é muito difícil criar respeito pela coisa comum a todos? Como poderemos defender a biodiversidade sem quantificarmos o que estamos perdendo em termos gerais? Como ficarão as comunidades do futuro que sequer terão acesso a esta biodiversidade e à melhoria da qualidade de vida?

O Protocolo de Kyoto e suas nuances, suas prerrogativas e tudo o que está oculto por detrás de um procedimento que compromete e que, ao mesmo tempo assume a culpa, em nada é diferente do nosso comportamento diante do que fizemos às nossas florestas...

Nossos mestres não são mestres...São a continuidade dos passos que nossos pais marcaram na estrada do nosso destino e os confiaram àqueles que poderiam conduzir-nos sem medos e sem pudores...Os mesmos pudores que hoje transformam a sociedade em sua luta pela Paz, mas que abriga as armas que legitimam as guerras.

As perguntas trazem suas respostas nas entrelinhas que, em sendo brasileiros e sabendo como as coisas acontecem em nosso país, não é difícil deduzir e concluir qual seria a resposta a cada questão. Entretanto temos uma missão e acreditamos que todos façam parte desta, a de mudar a cultura, de transformar os conceitos deturpados por tantos anos de comodismo, aceitação de imposições de estranhos e irresponsabilidade para com o futuro do nosso país e deste planeta.

Nosso papel aqui, nesta rede é bastante importante e tem um objetivo muito mais amplo do que aquele que normalmente tendemos imaginar. Aliás, se estamos discutindo interesses de uma coletividade, e é sabido que esta não pode ser representada somente por profissionais técnicos e acadêmicos que, muitas vezes, saíram da Universidade sem jamais terem enfrentado a miséria humana "in loco", nunca estiveram próximos às regiões de risco, às regiões em que pessoas disputam espaços com animais por um quinhão melhor de lixo, locais em que seres humanos são tratados como objetos descartáveis, que sequer servem para reciclagem, em que meninas e meninos são apenas o alvo de um pseudoprazer de pessoas descomprometidas e desajustadas.

A falta de amor entre os vários segmentos da sociedade em que vivemos tem grande parcela de culpa nesta discussão que tende ser monopolizada – a mudança por que passa o planeta, a grande mudança de comportamento humano, do clima, da Natureza. Entretanto, um dos maiores desafios da Agenda 21 e de todas as discussões anteriores e posteriores a ela é exatamente fazer com que a sociedade civil seja conduzida em direção à participação efetiva de todos os seus segmentos, sejam eles acadêmicos ou não, sabendo que esta mesma sociedade possui mais de 50% que sequer chegarão a concluir o curso técnico. Assim, a grande ousadia da Agenda 21 é colocar em uma mesma mesa, todos aqueles que compõem a sociedade civil e não somente aqueles que formam uma pequena parte que conseguiu ultrapassar as barreiras e os entraves nos caminhos que levam à Universidade, seja ela qual for.

Os olhos inocentes das gaivotas que ainda não alcançaram a plenitude do vôo certamente penderiam por invocar a cada uma destas árvores que compõem o grande espetáculo do seqüestro de carbono, que representam uma imensa contribuição no processo de mudanças climáticas, o abrigo para os filhos que ainda não nasceram...Mas que fazem parte do programa do Universo...Deste mesmo Universo desconhecido que aos poucos estamos a eliminar.

Sejamos sensíveis e atuantes neste mundo de crianças, pássaros e árvores que ainda não nasceram...Que ainda não voaram...Que ainda não poluíram...Que ainda não seqüestraram!

Os problemas envolvendo as árvores que formaram a Mata Atlântica já se aproximam da Amazônia. Mas as preocupações ainda não se estendem até lá, como deveria ocorrer. Cada dia que passa, novas clareiras vão surgindo e um novo foco de fogo...E ninguém faz nada. Não fazem nada e sequer aceitam que alguém o faça; seria muito fácil aceitar e não se preocupar com o compromisso de manter (sustentabilidade). Entretanto, temos instrumentos para coibir a ação assassina ali(Lei 9605)...E não o fazemos!

A legitimidade desta teia será alcançada não por ser uma teia de técnicos e acadêmicos, mas por ser um espaço aberto à exposição de pensamentos, experiências e opiniões de todos nós...Daqueles que são a comunidade como um todo e necessitam se estabelecer social, econômica, política e ambientalmente. É muito fácil discutir em um espaço virtual, distante dos gases da poluição que gerou esta Teia...Bem longe dos POPS que envenenam e debilitam a população inocente e despreparada que, entretanto, é cobrada através de impostos, taxas e outros dispositivos por um bem que jamais irá usufruir e que, se necessitar de um tratamento específico para se livrar dos males que adquiriu com tantos processos poluidores no seu ambiente, corre o risco de encontrar fechadas as portas do hospital; e ninguém responderá por isto!

Passemos a dividir, contribuir, exercer com amor tudo aquilo que fazemos para que todos nós estejamos unidos em uma só Teia - buscar soluções para os grandes problemas que estão aí, à nossa frente, afligindo e atrasando o caminho da humanidade e coube a nós a nobre missão de encontrar a solução. Sejam quais forem os articuladores do processo, merecem respeito e admiração, mas precisam também ter sensibilidade para administrar conflitos de interesses nas redes e compreender a necessidade de se abrirem portas e janelas para que todos usufruam, sem discriminações, daquilo que é para o crescimento de uma coletividade e não de um grupo isolado.

É tempo de se falar em Commodities Ambientais como o mecanismo, o instrumento que poderá revirar todo este processo doentio e vicioso; processo que empobrece a humanidade e destrói o ambiente em que vive. Entretanto, mister se faz que esta mesma comunidade que polui, que destrói, que não conhece e estabelece normas e regras para que todos possam se servir, em uma forma totalmente avessa aos critérios da sustentabilidade esteja preparada e possa usufruir os benefícios que esta sua prática inconsciente e descabida pode lhe propiciar, se for conduzida nos preceitos e normas comerciais de valores agregados que, em síntese, serão as Commodities Ambientais, que não podem ser confundidas com Créditos de Carbono, em hipótese alguma. E muitos ainda insistem em entender assim, como se fossem similares.

Críticas construtivas sempre existirão, pois ao lidar com um grupo heterogêneo, muitas opiniões se divergem e a discussão gira em torno desta divergência à procura de um ponto de equilíbrio. O tempo de todos nós é muito curto e precioso! E o amor que nos une a esta Teia por uma causa tão justa é que nos permite estar aqui!

Maria Helena Batista Murta* advogada, gestora ambiental, trabalha com recuperação de bacias hidrográficas e educação ambiental, para crianças e jovens, criadora do Instituto Criança Viva, atuando na bacia do Rio Doce e na região Amazônica h´mais de 20 anos.email: mariahelenamurta@uol.com.br

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FONTE D'ÁGUA
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Revista Eco21 - www.eco21.com.br

  

 

 

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