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"(..)
A realização do projeto de geração de
energia com os gases do lixo está por conta da empresa Nova
Gerar, um consórcio formado entre a companhia S/A Paulista e a
Ecosecurites S/A, firma brasileira com sede em Londres, eleita ano
passado pela Environenmental Finance Magazine - a bíblia do
setor - a melhor do mundo em projetos de gases do efeito
estufa.(..)"
"(..)
O Banco Mundial mantém um fundo, o Prototype Carbon Fund, que
compra os Certificados de Emissão de Carbono gerados por
empreendimentos como este que será inaugurado na Baixada
Fluminense. O objetivo do Bird é ampliar o mercado de compra e
venda destes títulos e, com isso, incentivar a
realização de projetos que, além de deixarem de
poluir a atmosfera do planeta, servem como produtores de energia
limpa, como é o caso dos aterros sanitários, entre
outros - explicou o engenheiro.(..)"
Jornal
do Brasil
http://jbonline.terra.com.br/
12/01/2003
Catadores
terão trabalho
Pessoas que
tiram sustento do lixão já estão cadastradas
Para os cerca
de 80 catadores que sobrevivem dos restos despejados em larga escala
no Lixão da Marambaia, latas de óleo, caixas de
papelão, utensílios domésticos quebrados,
garrafas de plástico, bonecas sem cabeça, canos
quebrados, molduras arrebentadas e tudo o mais quanto a
imaginação do homem pode produzir e depois jogar fora
''tem alguma serventia'', garante Marciano Bento, de 75 anos, que
há quatro décadas extrai do lixo o sustento de seus
oito filhos. Junto com sua ''colega'', como chama a mulher e
mãe de sua prole, sente que o fim de quase uma existência
inteira está se aproximando.
- Sei que isso
vai acabar e pensando bem, já devia ter acabado há
muito tempo, pois viver disso aqui não é vida, é
sofrimento. Mas fico pensando no que vai acontecer comigo, pois com
minha idade não sirvo mais para trabalhar em canto nenhum.
Estou com saúde, mas a velhice para esse povo aí parece
doença - angustia-se o mulato de porte atarracado, barba rala
e com dentes escurecidos.
Comunga da
mesma preocupação a sexagenária Aparecida Silva.
Com uma faca de cozinha, enquanto arranha a resistência do
motor de uma máquina de lavar para extrair os fios de cobre
que o envolvem, conta seu drama sem se incomodar com o cheiro
repugnante que a montanha disforme de lixo exala sob o sol a pino.
- Meu nariz
já se acostumou, não sente mais cheiro de nada. E,
mesmo se sentisse, não adiantaria nada, porque preciso desse
serviço para sustentar meu marido, que é cego, tem
problemas de coração e está entrevado lá
em casa sem poder trabalhar - resume a mulher, franzina, de
lenço amarrado nos cabelos ralos, pele morena e rosto vincado
pelo sol.
Embora ainda
não saibam, todos os catadores cadastrados no Lixão da
Marambaia serão aproveitados como trabalhadores regulares no
novo empreendimento, na reciclagem de material ou mesmo na limpeza
urbana, em Nova Iguaçu.
- Já
dispomos deste cadastro e, tão logo estejamos em
operação, iremos convocar os trabalhadores - informa o
engenheiro Arthur Oliveira.
Luxo em
matéria de lixo
Aterro
sanitário de Adrianópolis permitirá a Nova
Iguaçu desativar o Lixão da Marambaia
Gilberto de
Souza
Aos 170 anos
de emancipação - que completa dia 15 - o
município de Nova Iguaçu recebe o mais moderno sistema
de tratamento de lixo urbano da América Latina. E encerra um
período de cerca de quatro décadas de agressão
ao meio ambiente e à dignidade humana. A cidade está a
um passo de desativar o Lixão da Marambaia, onde gente, ratos
e urubus disputam restos em amontoados de matéria podre. Uma
batalha judicial e política, no entanto, desenvolveu-se entre
aqueles que desejam mudar este quadro cruel e os interessados em
manter um negócio que rende cerca de R$ 35 milhões por ano.
Para sorte de
quase 1 milhão de habitantes daquela área, ''venceu o
bom senso'', diz o secretário de Desenvolvimento Humano e Meio
Ambiente local, Vicente Nolasco.
A
inauguração de uma área de 200 mil metros
quadrados selada por uma manta de polietileno com 50mm de espessura,
em Adrianópolis, vai enterrar para sempre ''um dos quadros
mais bizarros da realidade em que se transformaram os aterros
sanitários no Estado e no país'', segundo
avaliação do engenheiro Artur Cesar de Oliveira,
diretor da companhia S/A Paulista, responsável pelo projeto
que deve servir de exemplo para outras cidades do país. Os
benefícios do projeto vão além do respeito ao
ser humano. O novo aterro sanitário vai gerar, a médio
prazo, 10 megawatts de energia extraída do gás gerado
pelo lixo. ''É suficiente para iluminar toda a cidade'',
comemora o prefeito local, Mário Marques.
O aterro
sanitário de Adrianópolis, como avalia o engenheiro
Artur de Oliveira, ''é um modelo a ser aplicado em todo o
país''.
- Em São
Paulo e Curitiba, já existem aterros sanitários que
não poluem o meio ambiente, mas nenhum outro, na América
Latina, reúne o tratamento do lixo hospitalar, a
geração de energia, a coleta seletiva de detritos e a
integração plena ao meio ambiente e à paisagem,
como na Central de Tratamento de Resíduos Sólidos
Urbanos de Nova Iguaçu.
Enfrentar o
calor de 40 graus em meio ao barulho dos tratores e à poeira
é o que menos incomoda o chefe da obra. A chegada da noite
é que preocupa Artur Oliveira.
- Além
da escolta de seguranças, estudamos a possibilidade de usar
carros blindados por causa dos riscos que corremos aqui em
Adrianópolis. A gerência de um projeto inovador como
este contrariou vários interesses que, há
décadas, vêm explorando o meio ambiente, como é o
caso do Lixão da Marambaia.
O ambiente de
tensão entre o velho e o novo, em Nova Iguaçu, é
atestado pelo secretário Vicente Nolasco.
- Mas o que
são o mau cheiro e os males causados por um imenso
depósito de matéria em decomposição
diante dos mais de R$ 35 milhões que o vazadouro rende, ano
após ano, para o proprietário da área? -
questiona Nolasco.
Diretor da
Serveflu, empresa de posse da área de cerca de 600 mil metros
quadrados onde está plantado o lixão e
responsável pelo vazamento de lixo em Marambaia, José
Daer não pôde ser entrevistado sexta-feira pelo Jornal
do Brasil porque, segundo a secretária, encontrava-se
internado para exames em um hospital do Rio cujo endereço ela
preferiu não revelar.
Os problemas
entre a Serveflu e a S/A Paulista, no entanto, têm prazo certo
para acabar. Segundo o promotor de justiça Carlos Frederico
Saturnino, a briga terminará no exato momento em que o novo
aterro sanitário estiver apto a receber cerca de 1.500
toneladas de lixo geradas diariamente por Nova Iguaçu e outras
tantas vindas do vizinho município de Mesquita.
- Segundo os
termos do ajuste de conduta concluído em relação
àquela área, o Lixão da Marambaia será
fechado e o terreno, inteiramente recuperado pela
concessionária que irá operar a nova central de
tratamento de resíduos urbanos, tão logo esta esteja em
pleno funcionamento - garante o promotor.
Gás
do aterro vai iluminar a cidade
Para conseguir
alinhavar o projeto de tratamento do lixo urbano com
geração de energia elétrica em Nova
Iguaçu, foi preciso ser decifrada uma inovadora fórmula
financeira. O Banco Mundial (Bird) vai financiar a
operação de compra dos reatores que, além de
gerarem a energia que será consumida na cidade de 800 mil
habitantes, servirá como chama-piloto para o ''mercado mundial
de carbono'', como explica o engenheiro da instituição
financeira, Nelson De Franco, especialista no setor de energia para a
América Latina.
Aquele aterro
sanitário passará a gerar Certificados de Emissão
de Carbono, papéis negociados no mercado financeiro. Estes
títulos foram estabelecidos a partir do Tratado de Kioto - uma
convenção internacional que visa eliminar da atmosfera
os gases que causam o efeito estufa e provocam o aquecimento global,
como o carbono e o metano, produzidos em larga escala nos aterros
sanitários - e transformam em dólares o volume de
poluentes que deixam de ser lançados ao ar.
- Trata-se de
mensurar o volume seqüestrado destes gases que poluem o planeta,
sempre que projetos como este de Nova Iguaçu conseguem
capturá-los e convertê-los em energia limpa -
acrescentou De Franco.
A
realização do projeto de geração de
energia com os gases do lixo está por conta da empresa Nova
Gerar, um consórcio formado entre a companhia S/A Paulista e a
Ecosecurites S/A, firma brasileira com sede em Londres, eleita ano
passado pela Environenmental Finance Magazine - a bíblia do
setor - a melhor do mundo em projetos de gases do efeito estufa.
Para o Banco
Mundial, como afirmou Nelson De Franco, ''as melhores taxas de
retorno em investimentos destinados à redução
destes poluentes estão em aterros sanitários''.
- O Banco
Mundial mantém um fundo, o Prototype Carbon Fund, que compra
os Certificados de Emissão de Carbono gerados por
empreendimentos como este que será inaugurado na Baixada
Fluminense. O objetivo do Bird é ampliar o mercado de compra e
venda destes títulos e, com isso, incentivar a
realização de projetos que, além de deixarem de
poluir a atmosfera do planeta, servem como produtores de energia
limpa, como é o caso dos aterros sanitários, entre
outros - explicou o engenheiro.
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