Pobreza e
Meio Ambiente:
Limites e
Perspectivas para o Desenvolvimento Sustentável
Por
Sérgio de Mattos Fonseca*
O uso do termo
desenvolvimento sustentável tem como marco o relatório
da Sra. Gro Brundtland, que em 1988 o definia como a
satisfação das necessidades da atual
geração, sem comprometer a satisfação das
necessidades das futuras gerações. Simplista e
ambígua definição, o termo na verdade
compõe um mosaico de interpretações sintetizadas
em três componentes por Carlos Klink, na coletânea de
artigos elaborada por Marcel Bursztyn, ambos da Universidade de
Brasília. A primeira, econômica, procura a
eficiência na substituição do modelo
energético na direção do uso de energias
renováveis, buscando minimizar os efeitos e rejeitos da
atividade econômica. A segunda, ecológica, coloca em
destaque a biodiversidade e sua magnitude, maior por
característica em alguns ecossistemas, menor em outros, mas
não menos importante, juntamente com a capacidade de suporte,
a qual sinaliza o grau da dinâmica dos processos
ecossistêmicos ou os impactos da ação
antrópica. Por fim, mas não por último, a
terceira componente, social, buscando a equidade na
distribuição do excedente econômico.
A atual
realidade brasileira chama a atenção para a enorme
concentração do excedente gerado pela atividade
econômica nas mãos de poucos, em detrimento das amplas
camadas da população. Pressionadas pela pobreza e a
necessidade instintiva de sobrevivência, essas atuam de forma
predatória sobre o meio ambiente, ocasionando desmatamentos de
ecossistemas para moradia, alimentação, ou mesmo
produção de energia. Exemplares da fauna silvestre
tornam-se fonte de fornecimento de proteína, para a dieta dos
excluídos. Drummond em um de seus artigos sobre o assunto,
já chamava a atenção para a falha de mercado,
que destaca a característica dos bens públicos que
são de todos, e ao mesmo tempo de ninguém, sujeitos a
ineficaz custódia do Estado e ao descaso do público proprietário.
Limites
já foram sinalizados desde Malthus ao Clube de Roma, e sua
tradução por Meadows et al, com visões
pessimistas que não se confirmaram, mas continuam mostrando
seus sinais. Perspectivas sombrias com a perda da utopia da
comunidade mundial, e a hegemonia do imperialismo do norte.
Perspectivas alvissareiras com a vitória da esperança
sobre o medo.
Este o
cenário delineado brevemente compondo o mosaico da
sustentabilidade do desenvolvimento, na direção de uma
melhor convivência entre nós da espécie H.
sapiens e o meio ambiente que nos cerca.
*Ensaio de
Sérgio de Mattos Fonseca, M.Sc. Economista filiado a Sociedade
Brasileira de Economia Ecológica, M. Sc. em Ciência
Ambiental pela UFF -, diversos cursos de especialização
em Oceanografia, Direito Ambiental, Análise de Sistemas e
Gestão Ambiental e Social, diretor da APREC Ecossistemas
Costeiros, Coordenador da APEDEMA/RJ Regional Leste
Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente
do Estado do Rio de Janeiro) email: aprec@aprec.org.br
