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Cientistas
querem catalogar todas as espécies da Terra

Queimadas na
Amazônia destróem a biodiversidade
Mariana
Timóteo da Costa
Uma
"Enciclopédia Eletrônica da Vida". É
esse o plano de Edward O. Wilson para salvar o planeta.
Considerado um
dos mais importantes cientistas do mundo, Wilson afirma que não
se pode preservar a biodiversidade sem se conhecer devidamente as
espécies que habitam o planeta. Por isso, ele idealizou a All
Species Iniative (ou Iniciativa de Todas as Espécies).
O projeto tem
como objetivo, nos próximos 25 anos, catalogar todos os seres
vivos da Terra - disponibilizando imagens precisas, dados
históricos e genéticos sobre eles na internet.
Colegas de
Wilson da Universidade de Harvard já começaram a
catalogar espécies no Jardim Botânico de Nova York e na
Amazônia brasileira.
Democratização
Segundo Wilson
- que falou sobre sua idéia na quinta-feira à noite
para uma platéia cheia na Royal Society, em Londres - a
"democratização do conhecimento" sobre as
espécies permitirá que novos projetos de
preservação ambiental apareçam no mundo.
"Aposto
que o século XXI será o século do meio ambiente.
Não tem como não ser, pois as pessoas estão
percebendo que o planeta não poderá crescer
economicante sem a preservação e a
exploração sustentável dos recursos
naturais", disse o cientista.

Wilson defende
uma "Enciclopédia Eletrônica das Espécies"
Só
assim, problemas como a pobreza - que hoje atinge 800 milhões
de pessoas no mundo - poderiam ser resolvidos.
Wilson afirma
que o conhecimento que o ser humano possui das espécies ainda
é extremamente pequeno.
"Sabemos
que há cerca de 1,4 milhão de espécies na Terra,
das quais apenas 10% são conhecidos e devidamente estudados.
Além disso, hoje acredita-se que 4 milhões de
espécies existam. Como podemos falar em manter a
biodiversidade se nem sabemos quantas espécies existem?",
indaga o cientista.
Questão
de segurança
E.O. Wilson,
como é conhecido, acredita que existe tecnologia
disponível capaz de realizar essa listagem. Há, por
exemplo, máquinas fotográficas que realizam imagens
digitais de plantas e bactérias.
Essas imagens,
uma vez ampliadas, são capazes de fornecer aos cientistas
detalhes mais precisos do que "o mais potente dos
microscópios", como explica Wilson.
Outra ajuda
importante é a da biotecnologia, capaz de decifrar o
código genético das espécies, o que pode levar
ao desenvolvimento de, entre outros, novos medicamentos e terapias
contra doenças.
"A
diversidade genética do planeta é gigantesca", diz Wilson.
Segundo ele,
se o ser humano continuar a destruir o ecossistema, o futuro da
humanidade estará comprometido. Uma das razões é
que a degradação ambiental acentua as diferenças sócio-econômicas.
"Além
da questão humanitária, a preservação do
meio ambiente deve ser tratada como uma questão de
segurança. Não podemos exigir que o fanatismo
religioso, como o que ocorre no Oriente Médio, deixe de
existir se as pessoas são pobres e não tem acesso a
itens fundamentais para a sua subsistência", opina.
Mesmo com
todos os problemas, Wilson se diz otimista em relação
ao futuro do planeta. "A ciência e o acesso ao
conhecimento pode ajudar a humanidade", afirma.
Fonte: http://www0.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/021018_wilsonmtc.shtml
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