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19/04/2002
Cientistas
do genoma humano condenam clonagem reprodutiva
da
Reuters, em Xangai
Cientistas
da Organização Genoma Humano (Hugo) condenaram hoje os
planos de clonagem humana para fins reprodutivos, dizendo que isso
aumenta a preocupação com os aspectos morais da
técnica e argumentando que a tecnologia ainda é imatura
e seus efeitos colaterais são desconhecidos.
A
clonagem de embriões humanos, como foi proposta pelos
criadores da ovelha Dolly, do Instituto Roslin, no Reino Unido,
é um passo perigoso para a clonagem reprodutiva, que deveria
ser proibida, afirmaram os cientistas da Hugo, durante seu encontro
anual em Xangai (China).
"Não
acho que deveríamos brincar com seres humanos, nem com a
idéia de clonagem humana", disse a presidente do
comitê de ética da Hugo, Bartha-Maria Knoppers.
"Cientificamente, foram necessárias 400 tentativas para
se produzir a ovelha Dolly."
No
início deste mês, a imprensa internacional afirmou que
o especialista italiano em fertilidade Severino Antinori conseguiu
implantar com sucesso um clone humano em uma mulher.
"Em
primeiro lugar, o aspecto ético está longe de ser
resolvido, e em segundo, a própria tecnologia é
imatura", disse o vice-presidente da Academia Chinesa de
Ciências Sociais e integrante da Hugo Zhun Chen.
Riscos
Alguns
pesquisadores disseram que, se uma mulher estiver grávida de
um clone, ela teria mais chances de desenvolver um tipo raro de
câncer de útero, e o bebê também poderia
correr riscos.
O
Instituto Roslin, que chamou a atenção de todo o mundo
em 1996 com a clonagem de Dolly, anunciou na quinta-feira (11) que
tentaria conseguir uma licença do governo britânico para
realizar experimentos com embriões humanos.
A
clonagem reprodutiva é ilegal em muitos países,
incluindo o Reino Unido, e a clonagem de embriões humanos para
pesquisa deve ser permitida sob condições estritas.
Os
defensores da técnica alegam que as células
extraídas de embriões dentro de duas semanas após
a fertilização podem ser potencialmente úteis
para a descoberta da cura de doenças como Parkinson e
Alzheimer. Mas os críticos dizem que as células-tronco
de adultos poderiam oferecer resultados similares.
"O
uso da tecnologia de transferência nuclear com o objetivo de
desenvolver células-tronco para doenças debilitantes,
como Alzheimer e Parkinson, entretanto, é um fenômeno
completamente diferente", disse a cientista Mary-Claire King.
Fonte:
Folha on line.
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