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Antinori,
um louco?
Não
é nem a questão ética que incomoda Rudolph
Jaenisch, professor do Massachusetts Institute of Technology e um dos
maiores especialistas no assunto. Ele fica irritado com as constantes
afirmações de Antinori, que insiste em dizer que as
dificuldades na clonagem de animais não vão repetir-se
com seres humanos. Dizer uma coisa dessas é ignorar todas as
evidências científicas , afirma. Jaenisch disse,
referindo-se a Antinori: Esse sujeito precisa ser impedido de fazer
isso .
REPROGRAMAR
Sua
outra preocupação é a idéia, repetida
pelo italiano e alimentada por uma noção distorcida do
que significa o seqüenciamento do genoma humano, de que é
possível analisar os mais de 30 mil genes do embrião e
saber se ele vai ou não vai ter problemas. Clonar uma
célula adulta implica em reprogramar todo seu genoma, reverter
o padrão de genes adultos para o padrão
embrionário. Na natureza, esse processo leva semanas, na
clonagem isso tem de ser feito em horas , diz.
REDE
Cientistas
costumam comparar os genes humanos dentro das células adultas
com uma rede de computadores equipada com vários programas.
Cada tecido aciona aqueles que lhe convém, mantendo os outros
desativados. Vale o mesmo para os genes que acionam o crescimento do
embrião. Nas células adultas, esses genes estão
desativados pela ligação com um grupo químico
(metil), um processo que os cientistas chamam de
metilação. Quando uma dessas células é
usada para fazer um clone, é preciso religar esses genes um
processo que ninguém até agora sabe controlar. Mais
ainda. Mesmo se fosse possível checar um a um os 3,2
bilhões de pares de bases do genoma humano, não
há como saber se aqueles genes vão ou não funcionar
Fonte:
Diário da Tarde, 07.abr.2002
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